segunda-feira, 22 de março de 2010

Cuba e a abertura de mercado

O regime comunista cubano não retrocede, avança. Alguns comentaristas têm dito que o governo de Raul começou a abrir a economia, o que significaria conduzir o regime para capitalismo.

Não há abertura para o capitalismo. Os EUA pressionam o mundo contra a ilha com um bloqueio econômico desde 1962, o que já trouxe bilhões de dólares em prejuízo. A economia cubana é planificada, diferente do capitalismo que é economia de mercado. Desde a revolução a economia sofreu modificações visando a distribuição de riquezas e não sua concentração.

Fidel era de família de latifundiários e realizou uma reforma agrária absoluta, distribuindo terras e permitindo uma ativação igualitária na economia.

A Educação é prioridade controlada pelo Estado. Antes da revolução, na década de 50, cerca de 42% dos camponeses eram analfabetos e isso era comum em todos países capitalistas do mundo. Em 1961 fizeram uma campanha nacional para alfabetização e Cuba se tornou o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo.

Cuba é o único país da América Latina e Caribe que cumprirá as Metas do Milênio na Educação para Todos, assegurou a ONU.

A saúde pública não traz lucros para o Estado e por isso no capitalismo não se tem a atenção necessária, até hoje. Em Cuba a saúde é de qualidade. Em 2006, segundo a Organização Mundial de Saúde, não ocorreu em Cuba casos de: difteria, sarampo, coqueluche, poliomielite, rubéola, rubéola CRS, tétano neonatal ou febre amarela. O índice de mortalidade infantil só perde para o Canadá na América, sendo sua taxa 7, enquanto dos EUA é 8 e do Brasil 33. A expectativa de vida na ilha é de 75 anos para homens e 79 anos para mulheres. A vacinação da poupulação, segundo a UNICEF atinge índice muito elevados em relação aos países americanos.
Sobre moradia, nos EUA uma crise se alavanca estribada na expeculação imobiliária. Na ilha.85% das famílias são donas de suas próprias casas e os 15% restantes pagam 1 ou 2 dólares mensais de aluguel e findando o pagamento a propriedade se torna deste.

Devido o bloqueio econômico, Cuba passou por momentos de total dificuldade econômica após a queda da URSS. A fome bateu nas portas dos cubanos. Com uma economia planificada, como o governo permitiria celular, computador, automóvel com o povo passando dificuldades de sobrevivência? Isso geraria desigualdade social. Assim, Fidel implantou políticas públicas de erradicação da fome e fomentação da produção agrícola. Conseguiram sair daquela dificuldade e hoje, no governo de Raul Castro Cuba começa a permitir crédito para aquisição de celulares, eletrodomésticos, computadores, etc.

Não é uma abertura ao capitalismo. No comunismo as permissões econômicas devem respeitar o direito de todos ter acesso aos mesmos produtos. Num discurso em 2008 Fidel afirmou que, um país com dificuldades econômicas deve priorizar o bem estar da população e isso visa alimentação, moradia, educação e saúde. Esses quesitos nunca foram desrespeitados em Cuba e por isso a população tem uma qualidade de vida tão ímpar. Cuba venceu a fome, a desigualdade, o analfabetismo, a mortalidade infantil, a saúde precária, etc, porque Fidel Castro não permitiu uma política de concentração de renda. A ilha ainda é, o símbolo de resistência ao capitalismo mundial.


Prof. Yuri Almeida

Leia entrevista sobre URSS

4 comentários:

  1. Yuri, parabéns pelo blog!
    Muito bom esse espaço que tenho sido um assíduo leitor, apesar de tecer poucos, ou nenhum comentário, até agora.
    Sabes que sou um apaixonado pela história cubana e defendo nustra pátria hermana.
    Abraço camarada!

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  2. Peguei parte para um trabalho escolar, espero que não se importe.
    De todo jeito acba sendo um elogio. Mantive a fonte.

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  3. Com certeza o povo cubano não pretende restaurar o "capitalismo", assim como fizeram na Rússia. Dificuldades existem, mas lá ninguém morre por falta de atendimento médico como no Brasil. Felizmente os cubanos não deixaram-se seduzir pela falsa prosperidade capitalista, onde alguns tem acesso a tudo e outros não tem nada. De que adianta um cidadão poder abarrotar a sua casa com "bugigangas" enquanto outros sequer conseguem alimentar-se dignamente. Definitivamente o capitalismo não será a opção cubana.

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  4. Caro companheiro, embora você poderia desenvolver mais o artigo--que ficou bom--, no geral ele retrata a realidade do povo cubano. Nos ultimos anos já sob a liderança de Raul, houve uma significativa politica de concessões ao capital, porém as bases da economia planificada e monopólio do comercio exterior por parte do Estado ainda permanecem.
    Acontece que, após a restauração capitalista na URSS, que era justamente o principal parceiro comercial de Cuba, fez com que a Ilha se tornasse muito dependente do turismo e tivesse a necessidade de abrir mais o país ao capital estrangeiro, o que trás um risco sério de o Estado operário cubano minar as bases de sua economia planificada. O problema não esta na relativa abertura de sua economia em si, poís a própria URSS pouco tempo depois da revolução russa através de Lenin e Trotsky, estruturaram a NEP, que era justamente um conjunto de politicas que visava na epoca, proporcionar algumas garantias ao capital como forma de dinamizar sua economia, mas o problema se encontra na forma e em que condições isso é feito: hora, sem uma profunda participação consciente das massas trabalhadoras do país através de seus organimos de poder operário como eram os Soviets na Russia,decidindo de forma democratica --não a democracia que os meios de alienação defendem--todas as questões economicas do país, isso num contexto de isolamento politico internacional da Ilha e sem outros Estados operários como a antiga URSS como um suporte politico e economico, pode facilitar de forma decisiva a restauração do capitalismo em Cuba como ocorreu na China. Importante ainda, é ressaltarmos a intensa campanha de difamação da Ilha que vem ganhando força à nivel mundial por parte do imperialismo yanque como parte de sua agenda restauracionista que pode incluir uma especie de golpe de estado em Cuba via uma possivel versão latinoamericana da "Primavera Arabe" no país, basta olharmos o papel de sua agente Yoani Sanches em seu tour reacionário, que visa criar as condições politicas favoráveis para tais atos, onde recebe apoio inclusive em setores da esquerda reformista e pro imperialista como o PSTU no Brasil. É hora de todo ativismo politico e revolucionário, idependente ou não do grau de concordancia que possui com o governo cubano, levantar a bandeira da defesa das conquistas da revolução através de um amplo esforço de propaganda entre as massas, visando quebrar a hegemonia da midia burguesa e seus papagaio de pirata no movimento operário, levantando também, como unica forma de defender a Ilha, a urgencia da revolução socialista internacional.

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