terça-feira, 3 de novembro de 2009

Prestes, Luís Carlos


Luís Carlos Prestes era militar e político gaúcho. Integrou o alto comando da Coluna Prestes, que percorreu o Brasil em protesto contra o governo de Artur Bernardes e liderou a Intentona Comunista.

Luís Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre no dia 3 de janeiro de 1898. Cursou a Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro e foi transferido para o Rio Grande do Sul. Participou de reuniões preparatórias para levante deflagrado contra Artur Bernardes em 1922, mas não participou da revolta de 5 de julho porque estava com febre tifóide.

Em setembro de 1922 foi transferido para o Rio Grande do Sul para servir no 1° Batalhão Ferroviário em Santo Ângelo.

Foi um dos líderes dos movimentos tenentistas, formado por oficiais contrários à República Velha. Sublevou sua guarnição e se encontrou no Paraná com os rebeldes da revolta tenentista de 1924, ocorrida em São Paulo. Formou com eles a Coluna Miguel Costa-Prestes, que percorreu 25 mil quilômetros, por treze (13) estados do país, propagando as idéias tenentistas de dezembro de 1924 a fevereiro de 1927. Recebeu o apelido de “O Cavaleiro da Esperança” quando estava no comando da Coluna Prestes. Por não conseguir derrubar o governo federal, chegou a internar-se na Bolívia. Apesar de não derrubada do governo, a Coluna Prestes nunca sofreu uma derrota em batalha contra as forças legalistas.

Exilou-se na Bolívia e depois na Argentina, período em que entra em contato com o marxismo e o comunismo. Na Bolívia fixou-se em La Gaíba e assinou um contrato com a Bolivian Company Limited, companhia inglesa de colonização, para trabalhar junto com cerca de quatrocentos homens que estavam sob seu comando, na construção de obras de saneamento e abertura de estradas.

Em 1927 foi procurado por Astrojildo Pereira, secretário geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), que lhe levou obras marxistas e propôs uma aliança política – o que Prestes rejeitou.

No final de 1928 transferiu-se para a Argentina, onde trabalhou como engenheiro. Nessa época estudou o marxismo e aderiu ao socialismo. Teve contatos com importantes líderes comunistas como o argentino Rodolfo Ghioldi e Abraham Guralski, dirigente da Internacional Comunista.

Em 1929 recebeu o convite do PCB para candidatar-se à presidência da República, mas recusou-se porque achou o programa do partido muito radical. Recebeu também convite para aderir à campanha presidencial da Aliança Liberal, chapa de oposição que lancara Vargas à presidência, concorrendo com Júlio Prestes, candidato indicado pelo presidente Washington Luís. Manteve dois encontros com Getúlio Vargas em Porto Alegre clandestinamente, mas não obteve acordo algum com a Aliança Liberal.

Após a derrota de Vargas em março de 1930, foi novamente procurado pela Aliança Liberal que o convidou para assumir a chefia militar do movimento que se preparava contra Washington Luís, mas não aceitou por achar que tal movimento não resultaria em nada e seria apenas uma troca no poder oligárquico.

Ainda em 1930 criou a Liga de Ação Revolucionária, que logo seria extinta. Nesse momento passou a usar do marxismo em seus pronunciamentos, mas não tinha um bom relacionamento com o PCB.

Preso em Buenos Aires em 1930, logo mudou-se para Montevidéu e em 1931 para a União Soviética a convite do governo daquele país, onde trabalhou como engenheiro. Por pressão dos dirigentes soviéticos, em 1934 foi aceito no PCB.

Participou de uma reunião em Moscou, em que, a partir de informações levadas por representantes brasileiros, decidiram-se promover uma revolução armada no Brasil, cabendo a Prestes a direção.

Voltou ao Brasil em abril de 1935, já casado com a alemã Olga Benário, participou do movimento armado, conhecido como Intentona Comunista, que tentou derrubar Getúlio Vargas. Paralelamente a isso, em 1935, foi fundada no Brasil a Aliança Nacional Libertadora, frente política que aglutinava tenentes decepcionados com Vargas, socialistas e comunistas, unificados por um programa antifascista e antiimperialista. Houve estratégias de derruba do governo e em Natal, Recife e Distrito Federal houve insurreições, mas o governo controlou facilmente a situação.

A Intentona fracassou e Prestes e Olga Benário foram presos em 1931. Prestes foi condenado a um total de 46 anos de prisão e sua mulher foi deportada para a Alemanha, sob o governo nazista, em 1936, onde foi morta num campo de concentração, em 1942. Antes, dera à luz a filha de Prestes, Anita Leocádia, no campo de concentração. Contudo, a filha do casal acabou sendo resgatada pela avó paterna, após intensa campanha internacional.

Anistiado em 1945, Prestes assumiu a direção do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e elegeu-se senador constituinte pelo Distrito Federal.

Devido à tensão da guerra fria, em 1947, o Tribunal Superior Eleitoral cancelou o registro do PCB (1947) e a seguir, extinguiu os mandatos dos parlamentares comunistas (1948). Prestes passou então a atuar na clandestinidade novamente.

Em 1950 negou apoiar politicamente qualquer que tivesse tido ligação com Vargas.

Em 1955 apoiou Juscelino Kubitscheck e na década de 60 voltou a apoiar João Goulart.

Com o golpe militar de 1964, seus direitos políticos foram cassados e ele passou a viver no exílio. Em 1979 voltou ao Brasil após a anistia política. Em 1980 foi afastado da secretaria-geral do PCB e deixou o partido.

Na década de 80, já com uma série de conflitos com o antigo PCB, orientou seus seguidores a ingressar no Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado por Leonel Brizola.

Participou do movimento das Diretas Já (1984). Morreu de leucemia no Rio de Janeiro em 07/03/190 e foi postumamente anistiado pelo Exército e promovido a coronel.

Prof. Yuri Almeida

Lenin


Estadista e revolucionário russo (1870-1924).

Líder da Revolução Russa, criador da União Soviética. Seu verdadeiro nome é Vladimir Ilitch Ulianov. Filho de um professor, nasce em Simbirsk, atual Ulianovsk. Começa a estudar Direito na Universidade de Kazan em 1887 e logo é expulso acusado de agitação política. Naquele ano, um de seus irmãos é enforcado por conspirar contra o czar Alexandre III.

Retira-se para a casa de seu avô e estuda marxismo. Volta à universidade e se forma em 1891. Muda-se, em 1893, para São Petersburgo, onde se dedica à propaganda comunista nos bairros operários. Preso e deportado para a Sibéria , lá permanece até 1900. Parte para a Suíça e lança o jornal Iskra (A Centelha) em 1901. Nele, passa a usar o pseudônimo Lenin.

É um dos fundadores do Partido Operário Social-Democrata Russo. Torna-se, em 1903, o principal líder dos bolcheviques, a ala do partido que defende a aliança operário-camponesa para tomada do poder. A Revolução de 1905 leva o czar a instalar uma versão limitada de monarquia constitucional. Mas Lenin vê-se obrigado a se exilar na França e na Suíça, continuando a propaganda contra o czarismo. Em 1912, ainda no exílio, dirige a criação do jornal clandestino Pravda (A Verdade) em São Petersburgo. Em 1916, escreve O Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo. Para ele, os países industrializados mantêm-se em permanente expansão econômica. Já os atrasados, fornecedores de matéria-prima, estão condenados à dependência eterna em relação aos primeiros.

Quando o czar Nicolau II é deposto em fevereiro de 1917, Lenin está em Zurique. Sua volta à Rússia é ajudada pelos alemães. Em outubro, dirige o golpe bolchevista e instala o Estado soviético. Em O Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo (1920), critica as deformações de comportamento na militância. Em 1921, introduz a Nova Política Econômica, vista pelos adversários como um retorno ao capitalismo. Em 1923, sofre um derrame do qual nunca se recuperou totalmente. Morre no ano seguinte. Seu corpo, embalsamado, permanece em exposição num mausoléu perto do Kremlin, em Moscou.

Abandono Escolar


Em pronunciamento no Senado nesse dia 17 de setembro, o senador Cristovam Buarque revelou que no Brasil acontecem 60 (sessenta) abandonos por minuto na escola pública. Apesar de mais desenvolvido, o sul de Minas contribui para esse alarmante dado.
A questão é que as autoridades políticas continuam pensando que educação se resume em escolas. Isso é ignorância que culmina na responsabilização de professores pela problemática.
O professor é apenas uma peça no processo educacional. No Brasil de hoje falta sim a esse profissional uma melhor didática e entendimento sobre como lidar com comportamentos diferenciados, manifesto na adolescência desde sempre. Se lembrarmos de nós no ensino fundamental e médio também tivemos nossas travessuras. A problemática não são as travessuras de crianças e adolescentes, mas acarretam-se vários fatores em detrimento da educação, chegando ao ponto de manifestar com mais freqüência um maior grau de violência, falta de aprendizagem, falta de interesse e até abandono.
Os obstáculos são muitos, como o problema social, baixa auto-estima devido a falta de perspectiva dos jovens, família desestruturada, falta de limite e impunidade da própria sociedade e em termos psicológicos, problemas afetivos, ou seja, o adolescente em sua formação não tem afeto em casa, não tem na rua, não tem exemplo na TV, não tem na escola e assim por diante.
As autoridades em educação precisam cercar o problema na raiz para resolver esse número alto de abandono e de analfabetos que saem da educação básica. Para isso, as unidades escolares precisam de mais profissionais além do diretor, supervisor, professores, secretários, bibliotecários, funcionários em geral, como o assistente social. Muitas unidades precisam desse profissional para fazer uma triagem individual primeva sobre o que acarreta o desinteresse no ensino. Em muitos casos o assistente apontará que o problema deve ser encaminhado ao Ministério Público, pois há bons casos de abandono por maus-tratos até físico em casa, o que foge da autoridade da unidade escolar.
Outro profissional que se faz necessário é o psicólogo, pois se os adultos com sua maturidade mal conseguem entender as desfunções de seu ser, imagina um adolescente em plena mudança hormonal e de mentalidade.
Poderíamos citar ainda o psicopedagogo para auxiliar crianças e adolescentes com dificuldade em aprendizagem. E vou mais longe, até neurologista deve socorrer alguns casos cujo problema comportamental ou de aprendizagem podem estar ligados a problemas orgânicos, necessitando de acompanhamento médico, como por exemplo o TDAH que é um transtorno neurobiológico, o transtorno bipolar, esquizofrenia e muitos outros casos.
Educação não é algo simples que se resolve com quadro, giz e didática apenas, o problema é mais sério e se o Brasil não acordar para isso teremos uma sociedade mais desigual, violenta e corrupta no futuro breve.

“A falta de cultura é o grande problema de nosso povo. Eu pago primeiro ao professor e só depois ao general.” (Pancho Villa)

Prof. Yuri Almeida

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Marx, Karl


Karl Heinrich Marx nasceu em Trier, na Renânia, então província da Prússia, em 5 de maio de 1818.

Foi o segundo de oito filhos do advogado Hirschel Marx e de sua esposa, a holandesa Henriette Pressburg. Seu avô paterno era um rabino judeu, porém, Hirschel, por temer as conseqüências das leis anti-semitas promulgadas pelo rei da Prússia, converteu-se ao protestantismo quando Karl ainda era criança. A mãe de Marx também descendia de rabinos judeus, mas em momento algum de sua vida interessou-se em exercer influência doutrinária sobre o filho. Os pais de Karl constituíam um casal harmonioso, o que parece ter contribuído de forma substancial para a formação de sua personalidade. Como indicam várias avaliações de seus professores, Marx foi excelente aluno. Completou o segundo grau aprovado com êxito no exame de maturidade. De sua dissertação final pode se tirar duas frases significativas que já demonstram seu excepcional intelecto:

"NEM SEMPRE PODEMOS ABRAÇAR A PROFISSÃO PARA A QUAL ACREDITAMOS ESTAR PREPARADOS; NOSSA POSIÇÃO NA SOCIEDADE ESTÁ EM CERTA MEDIDA DEFINIDA ANTES QUE TENHAMOS CONDIÇÕES DE DETERMINÁ-LA".

"A NATUREZA DO HOMEM É DE TAL MANEIRA QUE ELE NÃO PODE ATINGIR A PRÓPRIA PERFEIÇÃO SENÃO AGINDO PARA O BEM E A PERFEIÇÃO DA HUMANIDADE".

Desse modo começou a manifestar um agudo sentido de justiça e uma ampla visão acerca da humanidade. Em 1835 e 1836 faz cursos de direito, mitologia clássica e história da arte na Universidade de Bonn onde participou da luta política estudantil.

Na universidade de Berlim, para a qual se transferiu em 1836, começou a estudar a filosofia de Hegel e juntou-se ao grupo dos jovens hegelianos. Tornou-se membro de uma sociedade formada em torno do professor de teologia Bruno Bauer, que considerava os Evangelhos, narrativas fantásticas suscitadas por necessidades psicológicas.

Com uma posição política que identificava cada vez mais com a esquerda republicana, Marx em 1841 apresentou sua tese de doutorado, em que analisava, na perspectiva hegeliana, as diferenças entre os sistemas filosóficos de Demócrito e de Epícuro. Nesse ano concebeu a idéia de um sistema que combinasse o materialismo de Feuerbach com a dialética de Hegel. Passou a colaborar no jornal Rheinische Zeitung de Colônia, cuja direção assumiu em 1842. No ano seguinte, Marx casou-se com Jenny von Westphalen e, logo após, sua publicação foi fechada.

O casal mudou-se para Paris,onde Marx entrou em contato com os socialistas. Em 1845, expulso da França pelo governo, estabeleceu-se em Bruxelas e iniciou a duradoura amizade e colaboração com Friedrich Engels. Die heilige familie (1845; A sagrada família) e Die Deutsche Ideologie (1845-1846, publicada em 1932; A ideologia alemã) foram as primeiras obras que escreveram a quatro mãos. Nessa época, Marx trabalhou em diversos tratados filosóficos contra as idéias de Bruno Bauer e do socialista utópico Pierre-Joseph Proudhon, e em 1848 redigiu, com Engels, o Manifest der Kommunistischen Partei (O Manifesto do Partido Comunista), resumo do materialismo histórico, em que aparecia pela primeira vez o famoso apelo à revolução com as palavras “Proletários de todo mundo, uni-vos!”.

Depois de participar do movimento revolucionário de1848 na Alemanha, Marx regressou definitivamente a Londres, onde durante o resto da vida contou com a generosa ajuda econômica de Engels para manter a família. Em 1852 escreveu Der 18 Brumaire des Louis Bonaparte (O 18 Brumário de Luis Bonaparte), em que analisava o golpe de Estado de Napoleão III do ponto de vista do materialismo histórico. Cinco anos depois, publicou Zur Kritik der politischen Ökonomie (Contribuição à crítica da economia política), seu primeiro tratado de teoria econômica, e em 1867 o primeiro volume de Das Kapital (O Capital), monumental análise do sistema socioeconômico capitalista, sua obra mais importante.

Marx voltou à atividade política em 1864, quando participou da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores. Como lider e principal inspirador dessa Primeira Internacional, sua presença se reafirmou em 1871, por ocasião da segunda comuna de Paris, movimento revolucionário de que a associação participou ativamente e em que pereceram mais de vinte mil revoltosos. As divergências do Anarquista Mikhail Bakunin, a partir de 1872, provocaram a derrocada da internacional. Marx ainda participou em 1875 da fundação do Partido Social-Democrata Alemão e em seguida retirou-se da atividade política para concluir Das Kapital.

Os dez últimos anos da vida de Marx foram marcados pela deterioração de seu estado de saúde. Sofria distúrbios hepáticos há mais de 20 anos e era vítima de violentas e insistentes dores de cabeça que o levavam à insônia. Contrariando ordens médicas continuava trabalhando até tarde da noite, devorando uma quantidade de livros ainda maior que antes. Já em 1881 é um doente condenado pela medicina da época. Não consegue se dedicar muito na redação dos livros II e III d'O capital.

Passa a apenas ler, tomar gigantescas notas para Engels e a se encontrar em casa com militantes revolucionários comunistas de todo o mundo. O golpe definitivo vem com a morte de Jenny no fim do mesmo ano e com a de sua filha mais querida, que levava o nome da mãe, em 1883. Dois meses depois desse acontecimento, a 14 de março, Karl Marx falecia na mesa de seu escritório tuberculoso e morando num casebre. Foi sepultado no cemitério de Highgate, em Londres, no setor reservado às pessoas banidas e rejeitadas pela igreja anglicana. À beira da sepultura, Engels proferiu emocionada oração fúnebre:

"MARX ERA, ANTES DE TUDO, UM REVOLUCIONÁRIO. SUA VERDADEIRA MISSÃO NA VIDA ERA CONTRIBUIR, DE UM MODO OU DE OUTRO, PARA A DERRUBADA DA SOCIEDADE CAPITALISTA E DAS INSTITUIÇÕES ESTATAIS POR ESTAS SUSCITADAS, CONTRIBUIR PARA A LIBERTAÇÃO DO PROLETARIADO MODERNO, QUE ELE FOI O PRIMEIRO A TORNAR CONSCIENTE DE SUA POSIÇÃO E DE SUAS NECESSIDADES, CONSCIENTE DAS CONDIÇÕES DE SUA EMANCIPAÇÃO. A LUTA ERA SEU ELEMENTO. E ELE LUTOU COM UMA TENACIDADE E UM SUCESSO COM QUEM POUCOS PUDERAM RIVALIZAR.

MARX FOI O HOMEM MAIS ODIADO E MAIS CALUNIADO DE SEU TEMPO. GOVERNOS, TANTO ABSOLUTOS COMO REPUBLICANOS, DEPORTARAM-NO DE SEUS TERRITÓRIOS. BURGUESES, QUER CONSERVADORES OU ULTRADEMOCRÁTICOS, PORFIAVAM ENTRE SI AO LANÇAR DIFAMAÇÕES CONTRA ELE. TUDO ISSO ELE PUNHA DE LADO, COMO SE FOSSEM TEIAS DE ARANHA, NÃO TOMANDO CONHECIMENTO, SÓ RESPONDENDO QUANDO NECESSIDADE EXTREMA O COMPELIA A TAL. E MORREU AMADO, REVERENCIADO E PRANTEADO POR MILHÕES DE COLEGAS TRABALHADORES REVOLUCIONÁRIOS - DAS MINAS DA SIBÉRIA ATÉ A CALIFÓRNIA, DE TODAS AS PARTES DA EUROPA E DA AMÉRICA - E ATREVO-ME A DIZER QUE, EMBORA, MUITO EMBORA, POSSA TER TIDO MUITOS ADVERSÁRIOS, NÃO TEVE NENHUM INIMIGO PESSOAL"

Marx morreu, porém seu legado é imortal. Até hoje inspirou grandes revoluções que tornaram o proletariado uma classe mais digna. Ainda é subjugada pelo capitalismo, vive nas sombras, porém não podemos negar os avanços obtidos durante anos de luta contra uma burguesia exploradora. Cooperativas, e mais tarde sindicatos, foram criados para defenderem os direitos dos operários. Manifestações e revoltas reivindicaram respeito para com essa classe. E tudo começou com Marx. Ainda é escassa de cultura e dignidade a vida dos trabalhadores, mas são mais dos que tínhamos há duzentos anos. E tomando como exemplo lutadores do povo como Karl Marx, um dos mais célebres pensadores já produzidos pela humanidade, é que conseguiremos edificar uma sociedade mais justa.

Prof. João Vinícius Carvalho Guimarães

Barth, Karl


Karl Barth nasceu em 1886, em Basel, na Suíça. Era um teólogo reformado, também pastor. Em 1911 pastoreou em Safenwyl, nos alpes suíços. Em 1921 foi professor de teologia reformada em Goettingen, em 1925 em Muenster-in-Westphalia e em 1930 em Bonn.

Em 1935 os nazistas o exilaram e então ele foi professor em Basel até 1968, ano de seu falecimento. Foi aluno de Adolf von Harnack em Berlim, e foi influenciado pelo neokantianismo e por Kierkegaard e também pelo socialismo de Ragaz e Kutter. No início de sua vida como pastor, este pregou as doutrinas da teologia liberal protestante, reduzida. Quando porém, a teologia liberal estava no auge, ele se rebelou contra seus professores e em 1919 escreveu seu comentário sobre o livro de Romanos, em que praticamente resgatou a ortodoxia protestante. A teologia de Barth era de origem alemã

Em 1914 a França foi atacada pela Alemanha, o que achou Barth, uma agressão sem necessidade. O problema disso foi que, Barth descobriu que seu mestre Adolf Von Harnack apoiava a guerra do Kaiser Wilhelm II. Desiludido com a atitude de seu mestre, Barth começou a estudar com mais profundidade a bíblia e também os escritos de Sören Kierkegaard. Essa simbiose levou o pastor teólogo a começar a pregar a bíblia por uma interpretação existencialista kierkegaardiana. A influência do filósofo existencialista fez com que as obras de Barth fossem difíceis e paradoxais, porém de conteúdo não complicado.

Sua teologia anterior, alemã e liberal passou a ser uma velha tese diante de uma nova antítese que resultou em uma nova síntese, a neo-ortodoxia. Teve influência do reformador Calvino, principalmente por volta de 1925. Enfatizava a teologia bíblica, porém com conclusões racionais. Era um homem de caráter forte e de propósitos e entrou em conflito contra a igreja do estado nazista. Muitos acham que Karl Barth era liberal, mas na realidade ele não gostava do liberalismo religioso e até se manifestava contra. Ele tinha o desejo de retornar a teologia à bíblia e aos princípios reformados.

Enfatizou a transcendência de Deus e a realidade do pecado, como também a soberania de Deus, a graça e a revelação. Reconhecia que as escrituras têm imperfeições, mas que a bíblia é a fonte da revelação de Deus como também veículo. Rejeitava o misticismo cristão, e dizia que os liberais falharam, sendo a solução para o mundo o retorno aos antigos princípios religiosos.

Barth foi treinado no liberalismo alemão, talvez isso fez ele desapontar com o nazismo. O regime nazista procurou formar uma igreja Luterana de alemães, estatal. Assim a religião seria um instrumento ou órgão de apoio nazista. A idéia ganhou força na época, mas uma minoria não aceitou o absurdo e organizaram a "Igreja Confessante", que opunha-se veemente a Hitler. Barth fazia parte desse movimento de oposição ao nazismo, sendo expulso da Alemanha. Foi um grande expoente da teologia da crise, pregando que a Palavra de Deus é o registro da revelação do Transcendente. Sua teologia propriamente dita é interessante, pois ele achava que as idéias humanas sobre Deus eram meras especulações. A verdade se manifesta pela graça e não pela razão como era defendido por muitos na época. Dizia que a religião têm tendências idólatras, ou seja, revelação era diferente de religião. Barth sempre falou contra a "religião". As experiências místicas devem ser apoiadas nas escrituras e na tradição cristã. O ponto de partida da teologia de Barth era Deus e não o homem, sendo assim aceitava a cristologia clássica e o dogma da trindade, ou seja, suas análises teológicas partia de cima, da trindade, da revelação, da graça, e não das necessidades do homem.

Suas principais obras foram: Epistle to the Romans,1919; Word of God and Word of Man, 1928; Anselm, 1931; Church Dogmatics, 4 volumes, 1923

Prof. Yuri Almeida

Martín, José de San

General e político argentino (1778-1850).

Lutou pela independência das colônias espanholas da América do Sul, com Simón Bolívar e O'Higgins.

San Martin, nasceu em 25 de fevereiro de 1778. Viajou para a Espanha para educar-se. Lutou ao lado das forças espanholas contra Napoleão.

As colônias espanholas na América do Sul iniciaram sua rebelião contra a Espanha e em 1812, San Martín voltou para Buenos Aires. Assumiu o comando de um exército patriota e planejou um ataque de surpresa contra as forças espanholas no Chile.

Depois de quase três anos de preparação, San Martín encetou a campanha pela qual se tornou famoso. Juntou-se às forças de Bernardo O' Higgins. A despeito de terríveis dificuldades, os dois conduziram suas tropas através das neves dos Andes. Em 1817, iniciaram o combate aos espanhóis no lado chileno das montanhas. O exército de libertação derrotou os espanhóis em Chacabuco e no rio Maipo. Em fins de 1818, haviam expulsado do Chile os espanhóis.

Mais tarde, dirigiu-se ao Peru, onde também colaborou na luta pela independência. Em 1821, recebeu o título de protetor do Peru e assumiu o governo.

Em 1822, encontrou-se com Bolívar, pela primeira e única vez, em Guayaquil. A seguir abdicou do comando e retornou à Argentina, pois desejava evitar qualquer disputa pela liderança das forças de independência.

Decepcionou-se com os conflitos e disputas que perturbavam a Argentina depois da libertação. Não tomou parte nas lutas pelo poder em Buenos Aires e logo embarcou para a Europa.

Por Vinícius Antunes da Silva

Locke, John


John Locke nasceu na região sudoeste da Inglaterra, perto de Bristol, na pequena cidade de Wrington, em Somerset, a 29 de agosto de 1632, vindo a falecer em 1704. Foi criado em Pensford, nas proximidades de Bristol. Sua família era da linha puritana da religião anglicana. Viviam em um chalé coberto de colmo num conjunto de moradias de famílias do mesmo nível da sua. Seu pai deu-lhe educação severa e correta. O período da infância e adolescência de Locke corresponde à fase ascendente da nova filosofia que irá culminar no Ilusionismo. Interessa-se inicialmente pelas ciências e especialmente pela medicina antes de ver definir-se a sua vocação filosófica. Nos estudos, Locke foi indicado e aceito na famosa Westminster School, em Londres, tinha 15 anos em 1647. Lá, Locke estudou principalmente grego e latim. Em 1652 Locke estuda na Christ Church College, então o principal colégio em Oxford. Completou seus estudos de bacharelado em artes. Recebeu o grau de bacharel em 1656. Buscou complementar sua educação com a leitura de obras contemporâneas de filosofia e também se interessou pela nova ciência experimental e adquiriu formação médica.

Tanto o mundo da medicina como o da filosofia fascinaram a Locke. O que escreveu nos anos seguintes, (1656-66), indicam seus interesses, que eram as ciências naturais, por um lado, e a investigação social e política, por outro. Sua vida publica se resume na luta incessante pela liberdade civil, religiosa e política. O envolvimento inicial de Locke com a política começa em 1660. Nestes anos de 1660 e 1661 sua linha de pensamento era autoritária e dizia temer a anarquia. Alinhava-se com o pensamento de Hobbes, contra o qual mais tarde haveria de se voltar radicalmente. Tanto Hobbes quanto Locke partilham de uma mesma filosofia individualista, possessiva, o individualismo possessivo, no qual se define a sociedade e o individuo, a propriedade. A partir dessa filosofia, que é uma filosofia burguesa da sociedade, da economia, do Estado, um vai criar conclusões mais autoritárias e o outro mais liberais, mas ambos como parte dessa filosofia social comum.

Tal rejeição ao pensamento de Hobbes se deu principalmente pela experiência diplomática vivida por Locke em Brandenburgo. Acreditava que o estado de natureza não é o estado de guerra como queria Hobbes. O homem tem direitos naturais anteriores a sociedade, os quais têm de ser por esta respeitado e protegido, tais como: liberdade pessoal, propriedade, legítima defesa.

Nas próximas décadas Locke continuou com seus estudos particulares, e parte dos eventos sociais de que participava, discutia com amigos questões filosóficas e científicas. Foi o período em que Locke avançou seus estudos médicos e científicos. Tomou partido em favor da tolerância religiosa, sustentando que o estudo científico da natureza era um dever religioso.

Conduziu seus experimentos em Oxford e a partir de 1668 vivia em Londres. Locke escreveu então "Ensaios sobre a Lei da Natureza" em 1663-64, mas não chegou a publicá-la. No ano de 1666 Locke desejava permanecer em Oxford e obter o grau de Doutor em Medicina sem ter que freqüentar todas as classes, o que foi possível com a ajuda de Lord Ashley. Na primavera seguinte, em 1667 Lord Ashley o convidou para fazer parte da equipe de empregados de sua casa, servindo como médico da família. Locke aceitou e viajou para Londres. Entre ambos havia amizade e um entendimento perfeito. Com Ashley, Locke presenciou os momentos mais ativos de sua vida.

Considerado o pai do empirismo (doutrina filosófica segundo a qual todo conhecimento - com exceção do lógico e matemático - deriva da experiência, e não há verdade autônoma), o conhecimento do mundo exterior depende dos sentidos, porém o homem pode, através da razão, derivar muita informação além da evidência ganha empiricamente; combate à teoria cartesiana das idéias inatas provando que estas não existem. Se há verdades inatas ninguém percebe, comenta.

Em 1668, em Londres, Locke é atraído por uma forma de cristianismo que considerava a teologia como racional, que acabou acendendo seu interesse pela religião e as escrituras. Interessou-se também por Economia, preparando o trabalho "Algumas considerações sobre a redução dos juros e o aumento do valor da moeda" que foi levado a ser publicado em 1691 devido às dificuldades financeiras do novo governo. Porém retornou ao interesse médico quando Ashley adoeceu subitamente, diagnosticando a doença, solucionando o problema.

Locke assessorou Lord Ashley em vários assuntos políticos importantes e conviveu com os mais altos círculos intelectuais e políticos da época, por ser seu conselheiro pessoal. Nesta época começa também a redigir o que seria "O Ensaio sobre o Entendimento Humano", obra que tem por finalidade refletir e estudar a origem, limite e o alcance do conhecimento humano.

Em 1667, Locke havia tirado férias na França, pois estava sofrendo muito com o inverno rigoroso de Londres. De lá foi chamado de volta à Inglaterra por Ashley, para ser seu secretário de benefícios e no ano seguinte tornou-se secretário do Conselho do Comércio e Agricultura. Passados dois anos na secretaria do Conselho do Comércio, Locke com a saúde abalada por conta da asma, parte de Londres e volta para Oxford, decidido a obter o bacharelado em Medicina, finalizado em 1674. Depois, decide deixar a Inglaterra e passar uma temporada na França, onde escreveu um diário desse período contendo muitos dos pensamentos que mais tarde se transformariam em postulados no seu "Ensaio sobre o Entendimento Humano” e também no mesmo período recebeu influências importantes em sua visão Metafísica (A natureza do ser) e de sua epistemologia.

No ano de 1682 conflitos entre realistas e parlamentaristas sitiavam Londres. Ashley, junto aos “rebeldes”, pensou organizar uma revolta, mas seus planos foram descobertos e ele e seus amigos passaram a ser severamente vigiados, inclusive Locke. Com isso, em 1683, Locke decidiu refugiar-se na Holanda para escapar de ser preso e deportado, mudando até de nome, fazendo-se chamar Dr. van der Linden. No exílio sua saúde melhorou e fez muitos amigos entre os intelectuais holandeses. Nesses tempos, dedicou-se a medicina e teve tranqüilidade para colocar em ordem seus pensamentos sobre as questões filosóficas e escrever mais alguns capítulos de “Ensaio sobre o Entendimento Humano”. Permanecendo lá até 1688. A "Revolução sem sangue e gloriosa" havia cumprido os ideais de Ashley e Locke. A pós-revolução tornou maior a liberdade do indivíduo nas cortes de justiça, a tolerância religiosa e a liberdade de pensamento e expressão. Com isso, em 1689, Locke encorajou-se e retornou para a Inglaterra. O novo governo reconheceu seus esforços pela causa da liberdade e lhe foi oferecido o posto de embaixador britânico em Berlim ou Viena, aos quais recusou alegando seus problemas de saúde. Mas aceitou um cargo menos importante de membro da Comissão de Apelação. Quando regressou, Locke estava com cinqüenta e sete anos e com problemas de saúde motivados pela poluição atmosférica de Londres. Deixava a cidade tantas vezes quanto possível em visita a amigos no interior, o que possibilitou uma melhora na saúde, podendo continuar sua influência política como líder intelectual dos parlamentaristas Whigs.

Seu livro "Ensaio sobre o Entendimento Humano", aparece em março de 1690, o qual trabalhava desde 1671. No campo da economia as dificuldades financeiras do novo governo levaram-no a publicar em 1691 "Algumas considerações sobre a redução dos juros e o aumento do valor da moeda”. Criou novos ideais no campo da educação, desenvolvendo "Alguns pensamentos relativos à Educação", revelado em 1693. Sobre religião, em 1695, publicou um tratado religioso com um elevado apelo por um cristianismo menos dogmático, intitulado The Reasonableness of Christianity em que dá as escrituras um entendimento no sentido pleno e direto de palavras e frases. Publicou essa obra anonimamente.

Sua última aparição na vida pública foi como Comissário para Comércio e Agricultura, em 1696. Afastando-se quatro anos mais tarde, principalmente por sua saúde decadente. Em seus últimos anos, Locke pouco deixou Oates e ocupou-se principalmente em responder a críticas ou revisar edições de seus trabalhos. Ao fim de sua vida, mal podia levantar-se do leito. Faleceu a 28 de outubro de 1704, aos 72 anos e foi enterrado na igreja paroquial de High Laver.

Por Luciane Martins Scaramel

Cândido, João


João Cândido Felisberto foi um líder negro brasileiro (1880-1969).

Gaúcho, representou a luta pela igualdade dentro dos navios, a luta contra a chibata que massacrava os marinheiros como em época de escravidão.

Filho de ex-escravos vivia na fazenda de João Filipe Correia até ser mandado para a marinha para ser disciplinado, por ter agredido o filho do fazendeiro.

Na marinha rapidamente foi promovido a cabo e na mesma velocidade foi rebaixado a marinheiro por mau comportamento.

Em uma viagem à Inglaterra conhece uma marinha organizada e chega a assistir uma reunião sindical, fica espantado com a diferença de tratamento entre os marinheiros ingleses e brasileiros.

Ao voltar vai a um encontro com o presidente e pede a ele o fim da chibata. O pedido não é atendido.

A República só entenderia por meio de revolta, a qual viria a acontecer no dia 22 de novembro, depois de um marinheiro ser condenado a 250 chibatadas, mais 225 do que o número permitido pela lei dos mares. Espadas e baionetas foram as armas de combate na guerra que se deu dentro do navio. Depois dos marinheiros terem o domínio sob o comando de João Cândido passaram a bombardear com canhões de pequeno calibre o Rio de Janeiro e Niterói. No dia 23 de novembro foi dada a anistia, a qual não durou nem dois dias. O governo se aproveitando, caçou os marinheiros e jogou João em uma pequena “solitária” com mais 17 presos, de onde só saíram vivos dois, entre eles João Cândido que iria agora para uma prisão comum e só sairia em 1910 com a ajuda da Igreja Nossa Senhora do Rosário, protetora dos negros, que contou com a ajuda de 3 grandes advogados que conseguiram sua absolvição no julgamento.

Sua saúde estava abalada, não conseguia emprego pela fama de rebelde e subversivo e teve muitas tragédias familiares, tais como a morte da sua primeira esposa, o suicídio de sua segunda esposa e o suicídio da primeira de suas 4 filhas. Só em 1930 conheceu a mulher que o acompanharia até a morte, dada por câncer no intestino, em 1969.

Calvino, João

João Calvino foi um dos principais reformadores protestantes. Nasceu em Noyon, na França, em 1509. O pai de João Calvino era uma figura de destaque em Noyon, na área de administração.

Calvino teve sua formação educacional em Paris e Orléans. Seu ingresso no protestantismo acontecera quando estudava em Paris, onde começou a duvidar do catolicismo. Em 1533 teve que fugir de Paris, refugiando-se em Basiléia, na Suíça. Ali publica sua obra intitulada Institution Chrétienne (Instituição Cristãs), primeiro em latim, depois em francês. Conhecia o grego e era familiarizado com os autores renascentistas franceses.

Em 1528 recebeu o grau de mestre em Teologia e deu início aos estudos de Advocacia, em Orléans, por influência de seu pai. Em 1536 foi persuadido por Farel para ajudar na reforma em Genebra. Forçado a sair de Genebra, casou-se em Estrasburgo. Em 1541 retornou a Genebra, onde comandou uma reforma.

Na escola de Calvino, em Genebra, recebem instruções os fundadores da Igreja Presbiteriana. Tentou transformar Genebra num Estado de fé calvinista. Queria criar uma teocracia. Assim, estabeleceu leis que são dirigidas por suas doutrinas religiosas, abre escolas, estimula o comércio exterior, proíbe jogos de azar, alcoolismo, danças e outros.

Perseguia seus opositores e defendia a pena de morte à hereges. Mandou queimar Miguel Serveto, que era um médico contrário as suas doutrinas. Jacques Gruet foi decapitado, acusado de blasfêmia. Kurtz afirmou que Calvino fez muitas vítimas. Entre os anos de 1542 e 1546 havia em Genebra vinte mil pessoas apenas. Dessas, cinqüenta e sete foram executadas, sessenta e seis banidas e um número incalculável de encarceramentos. Todos esses casos forma por motivos religiosos.

Suas doutrinas são, entre muitas: a predestinação divina, no qual deus escolhe quem será salvo eternamente, salvação mediante a fé, subordinação do Estado à Igreja e outras.

As idéias de Calvino ajudaram em medida o desenvolvimento do capitalismo, pois dizia que o predestinado deveria poupar, ao contrário do catolicismo que condenava até a usura. Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo explana bem essa aliança entre calvinismo e capitalismo.

No dia 27 de maio de 1564 faleceu João Calvino.

Prof. Yuri Almeida

Rousseau, Jean-Jacques


Jean-Jacques Rousseau nasceu em Genebra, no dia 28 de junho de 1712. Era um autodidata e sua educação deveu-se muito mais aos livros que ele lia do que às pessoas que cuidavam dele. Aos 16 anos fugiu de casa, dando início assim à sua vida nômade. Em 1741, após uma desilusão amorosa com sua protetora, foi tentar a sorte no grande centro cultural da época: Paris.

Na capital, Rousseau sobrevivia pela música: inicialmente ele dava aulas de música e, mais tarde, exercia o ofício de copista de partituras musicais. E foi em meio a toda essa dificuldade que Rousseau, após conhecer os intelectuais franceses, surgiu como escritor célebre: em 1749 seu amigo Diderot convidou-o para escrever os verbetes sobre música na Enciclopédia, mas a fama propriamente dita viria no ano seguinte com a publicação do seu Discurso sobre as ciências e as artes. Dando seqüência à sua série de clássicos, ele escreveu os livros Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755), Do contrato social (1762) e Emílio (1762), sendo esta última considerada por alguns comentaristas a melhor de suas obras.

Rousseau era um iluminista “subversivo”: enquanto os outros (entre eles Voltaire) acreditavam que a sociedade progredia com o avanço da razão, Rousseau acreditava justamente o contrário, ou seja, que a razão era responsável pela decadência da sociedade. Enquanto os outros depositavam suas esperanças na sociedade como um todo, Rousseau acreditava que a salvação estava no indivíduo. É por esse motivo que Rousseau não condenava a religião como faziam os demais iluministas franceses, o que estava escandalosamente em desacordo com o espírito iluminista. Andando solitário na contramão do pensamento francês do século XVIII, Rousseau defendia uma religião civil para a sociedade (Do contrato social) e uma religião subjetiva para o indivíduo (Emílio). No entanto, deve-se lembrar que a religião de Rousseau não tinha nada a ver com o cristianismo institucionalizado de sua época. No Emílio, Rousseau critica abertamente a Igreja cristã e seus dogmas, pregando uma religião que valorizava o indivíduo e seus sentimentos: “Não confundamos o cerimonial da religião com a religião. O culto que Deus pede é o do coração (...)” (Emílio, p. 401).

O que mais importava para Rousseau era a paz entre os homens. Por isso ele não dispensava a religião como um meio de unir os membros da sociedade. A religião, portanto, tinha para ele papel secundário. Rousseau não se importava tanto com o conteúdo das diversas religiões (a variedade de revelações), desde que elas colaborassem para manter a paz social. A religião em Rousseau – e especialmente no Emílio – é ecumênica, pois a tolerância das crenças é fundamental para o seu projeto político.

Rousseau morreu no dia 2 de julho de 1778, tendo deixado uma herança inestimável para a história da Filosofia. E particularmente no tema “religião”, sua lição básica é de especial importância para os nossos dias: nenhuma religião tem o direito de se impor como a verdade absoluta, visto que na intolerância religiosa se encontra as raízes da guerra.

Por Thomaz Kawauche