terça-feira, 3 de novembro de 2009

Kierkegaard, Søren Aabye


Kierkeggard (5 de Maio de 1813 - 11 de Novembro de 1855) foi um teólogo e um filósofo dinamarquês do século XIX, que é conhecido por ser o "pai" do existencialismo, embora algumas novas pesquisas mostrem que isso pode ser uma conexão mais difícil do que fora, previamente, pensado.

Filosoficamente, ele fez a ponte entre a filosofia hegeliana e aquilo que se tornaria no Existencialismo. Kierkegaard rejeitou a filosofia hegeliana do seu tempo e aquilo que ele viu como o formalismo vácuo da Igreja luterana dinamarquesa. Muitas das suas obras lidam com problemas religiosos tais como a natureza da fé, a instituição da fé cristã, e ética cristã e teologia. Por causa disto, a obra de Kierkegaard é, algumas vezes, caracterizada como Existencialismo Cristão (em oposição ao existencialismo de Jean-Paul Sartre ou ao Proto-existencialismo de Friedrich Nietzsche, ambos derivados de uma forte base ateística). Apaixonado teólogo dinamarquês do século XIX, Kierkegaard ficou no esquecimento durante três gerações, até que foi redescoberto como grande místico cristão, pregador de nova fé e fundador da tão discutida filosofia do existencialismo. Até o século XX (1937, cento e vinte anos depois de seu nascimento) não se fizera uma tradução inglesa de suas obras, e o público em geral não sabia nada dele. Na década de 40 foi aclamado como “o intérprete mais profundo da psicologia da vida religiosa desde Santo Agostinho”, como profeta que predisse a crise que se seguiria à tirania militarista, ao desprezo do ditador pelo indivíduo, à crueldade da terrível mentalidade de rebanho e à “bancarrota total para a qual parece precipitar-se toda a Europa”.

A obra de Kierkegaard é de difícil interpretação, uma vez que ele escreveu a maioria das suas obras sob vários pseudônimos, e muitas vezes esses pseudo-autores comentam os trabalhos de pseudo-autores anteriores. Ao Conceito da Ironia, que foi a sua dissertação para obter o grau de professor, seguiu-se Ou isto ou aquilo (Enten-Eller), que apareceu assinado por Victor Eremitus. Temor e tremor, a que chamou de “lírica dialética”, veio à luz com o pseudônimo de Johannes de Silentio. O nome do autor de O Conceito do Temor, que aparece à frente da obra, é Virgilius Haufniesis. O pseudônimo de Etapas do Caminho da Vida é Hilarius Bookbinder. Escreveu outros livros sob Johannes Climacus, Inter et Inter, Frater Taciturnus, H.H., Constantin Constantius.

Kierkegaard é um dos raros autores cuja vida exerceu profunda influência no desenvolvimento da obra. As inquietações e angústias que o acompanharam estão expressas em seus textos, incluindo a relação de angústia e sofrimento que ele manteve com o cristianismo – herança de um pai extremamente religioso, que cultuava a maneira exacerbada os rígidos princípios do protestantismo dinamarquês, religião de Estado. Sétimo filho de um casamento que já durava muitos anos – nasceu em 1813, quando o pai, rico comerciante de Copenhague, tinha 56 e a mãe 44 –, chamava a si mesmo de "filho da velhice" e teria seguido a carreira de pastor caso não houvesse se revelado um estudante indisciplinado e boêmio. Trocou a Universidade de Copenhague, onde entrara em 1830 para estudar filosofia e teologia, pelos cafés da cidade, os teatros, a vida social. Foi só em 1837, com a morte do pai e o relacionamento com Regina Oslen (de quem se tornaria noivo em 1840), que sua vida mudou. O noivado, em particular, exerceria uma influência decisiva em sua obra. A partir daí seus textos tornaram-se mais profundos e seu pensamento, mais religioso. Também em 1840 ele conclui o curso de teologia, e um ano depois apresentava "Sobre o Conceito de Ironia", sua tese de doutorado. Esse é o momento da segunda grande mudança em sua vida. Em vez de pastor e pai de família, Kierkegaard escolheu a solidão. Para ele, essa era a única maneira de vivenciar sua fé. Rompido o noivado, viajou, ainda em 1841, para a Alemanha. A crise vivida por um homem que, ao optar pelo compromisso radical com a transcendência, descobre a necessidade da solidão e do distanciamento mundano, está em Diários. Na Alemanha, foi aluno de Schelling e esboça alguns de seus textos mais importantes. Volta a Copenhague em 1842, e em 1843 publica A Alternativa, Temor e Tremor e A Repetição. Em 1844 saem Migalhas Filosóficas e O Conceito de Angústia. Um ano depois, é editado As Etapas no Caminho da Vida e, em 1846, o Post-scriptum a Migalhas Filosóficas. A maior parte desses textos constitui uma tentativa de explicar a Regina, e a ele mesmo, os paradoxos da existência religiosa.

Kierkegaard elabora seu pensamento a partir do exame concreto do homem religioso historicamente situado. Assim, a filosofia assume, a um só tempo, o caráter socrático do autoconhecimento e o esclarecimento reflexivo da posição do indivíduo diante da verdade cristã. Polemista por excelência, Kierkegaard criticou a Igreja oficial da Dinamarca, com a qual travou um debate acirrado, e foi execrado pelo semanário satírico O Corsário, de Copenhague. Kierkegaard censurou a Igreja por ser um refúgio para os tímidos e os complacentes. Menosprezou os ministros religiosos de sua época porque se negavam a crer na Igreja militante, e porque, segundo ele, eram falsos “buscadores”, que buscavam a placidez e posições influentes na sociedade mais que a salvação pelo sofrimento. “Os ensinamentos de Cristo diluíram-se tanto e degradaram a tal ponto que a Igreja aboliu praticamente o cristianismo em nome de Cristo. Por que não vemos já a contradição existente entre o caráter do cristianismo como luta e a essência do Estado como entidade quantitativa? Por que não vemos que o Estado paga a seus funcionários – os ministros do culto – para que destruam o cristianismo?” Walter Lowrie comenta sobre Kierkegaard: “ele é perfeitamente capaz de nos convencer de que não somos cristãos e talvez nos faça ver com clareza que não desejamos chegar a ser cristãos”. Em 1849, publicou Doença Mortal e, em 1850, Escola do Cristianismo, em que analisa a deterioração do sentimento religioso.

Por Lucas Rafael Chianello

Sócrates

Nascido em Atenas, no subúrbio de Alopece, Sócrates (469 - 399 a.C.) é considerado um marco divisório da história da filosofia grega. Os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos e os que o sucederam de pós-socráticos.

"O mestre da Grécia e do mundo" não deixou nada escrito. Tudo o que se sabe sobre ele foi escrito por Platão e Xenofonte, além de outros autores que também fizeram referência ao grande filósofo.

Seu pai era Sofronisco, um escritor e sua mãe era Fenareta, parteira da cidade. Viveu quase toda sua vida em Atenas, se ausentando dela por raras vezes.

Sócrates, desde muito jovem mostrou o brilho de sua inteligência e um grande interesse pela ciência física. Relatos nos contam que sua aparência física era de total ausência de beleza.

Tornou-se mestre do Liceu, além de desenvolver diálogos críticos com pessoas de qualquer posição social em praças ou qualquer outro lugar. Por não se importar com as condições sociais de seus interlocutores foi acusado de injusto com os deuses da cidade. Sócrates desrespeitava a ordem vigente de Atenas. Ia contra os valores dogmáticos da sociedade ateniense. Por tudo isso foi condenado a beber cicuta (veneno) que lhe causara a morte.

Ao lhe perguntarem se não se envergonhava de ter se dedicado a uma profissão que lhe condenara a morte, respondeu: "Estás enganado, se pensas que um homem de bem deve ficar pensando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida e morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos e injustos, corajosos ou covardes."

Sócrates já com 56 anos casou-se com Xantipa (de caráter insuportável), jovem ateniense aristocrática. Desse casamento teve três filhos.

Os diálogos socráticos se dividiam em dois momentos básicos: Ironia e Maiêutica. Ironia nesse caso tem o sentido de interrogação, pois Sócrates de fato interrogava seus interlocutores.Esses diálogos giraram em torno da verdade, da justiça, do bem, da virtude e do dever. Durante o diálogo evidenciava as contradições das respostas de seus interlocutores fazendo com que eles deixassem de lado orgulho, a arrogância e a presunção do saber. A primeira virtude do sábio é tornar-se consciente de sua ignorância. "Sei que nada sei."

"Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber.
Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei."

O discípulo teria que tomar consciência de suas contradições e ignorâncias. A Maiêutica consistia no discípulo conceber suas próprias idéias. Depois de se libertar de sua pretensão de que tudo sabia, iniciava a reconstrução de suas próprias idéias através de uma série de questões habilmente colocadas pelo mestre.

Profª. Edna de Oliveira

Bultmann , Rudolf


Bultmann nasceu em 1884 em Wiefelsted e faleceu em 1976. Teólogo protestante alemão, estudou em Marburgo, Tubingen e Berlim. Foi professor em Marburgo. Foi influenciado pelo existencialista Heidegger, tornando-se um teólogo existencialista.

Questões como o nascimento virginal de Cristo, os milagres do Novo Testamento, a ressurreição e a ascensão de Cristo, a existência de demônios, anjos, etc, eram eliminados de sua teologia pelo o processo de demitização, pois achava que muitos dos relatos neotestamentários são frutos da imaginação do homem ou de elementos mitológicos presentes na cultura. Dizia que a bíblia fora escrito em linguagem mitológica, que é absoleta para os nossos dias. O teólogo moderno tem então a tarefa de demitizar a bíblia despindo-a de seus trajes lendários, mitológicos e tentando descobrir as verdades existenciais que se encontram nos textos.

As pessoas só podem encontrar a mensagem do amor de Cristo mediante a demitização da bíblia. A bíblia em si mesma não é revelação, mas uma expressão primitiva pelo qual Deus se revela pessoalmente, mas não se esquecendo que antes temos que demitizá-la corretamente.

Como já disse, Bultmann era existencialista e um vocábulo bem usado neste meio era “angst”. Angst significa “angústia”, e era usado para descrever a situação básica do homem, ou seja, os existencialistas diziam que devido às situações trágicas que os homens enfrentam nesta vida, todos têm um sentimento de pavor e angústia dentro de si, porém o homem, ou melhor, a existência humana é boa e otimista. O existencialismo acaba entrando no campo do humanismo e às vezes até no ateísmo, como aconteceu com Sartre. Bultmann usa a teologia no meio existencialista, porém ensinando que o khrugma(proclamação do evangelho) como sendo o meio de levar salvação aos homens, deve ser reinterpretada segundo a ótica existencialista, levando em conta a liberdade do homem e sua angústia. O khrugma seria determinadas idéias fundamentais religiosas e morais, uma ética idealista. Em se tratando de ética, ele explicava que o homem pode ser dominado por questões carnais, o que gera uma angústia que oprime o homem e o torna escravo, ou seja, nesse ponto ele é totalmente existencialista.

Apesar dessas idéias existencialistas, Bultmann afirmava que Deus falou ao mundo através de Cristo e continua falando até hoje. A fé também em certo sentido foi defendida por esse teólogo ao dizer que a fé liberta os indivíduos do passado, trazendo liberdade para viver um bom futuro. O amor também teve espaço em sua teologia como sendo o imperativo fundamental de toda ética. Dizia que o homem precisa ter fé no espírito do evangelho cristão e não precisa de base histórica.

Nietzche foi mais longe que Bultmann chegando a negar a existência de Deus. O existencialismo cristão defendido por Bultmann, kierkegaard e outros deixou de desenvolver para não culminar no ateísmo.

Seus escritos foram: Jesus and the Word; Belief and Understanding; Theology of the New Testament; The Question of Demythologizing; History and Eschatology; Jesus Christ and Mytology.

Prof. Yuri Almeida

Niebuhr, Reinhold


Nasceu em Wright City, no Missouri (USA), 1892. Estudou no Elmhurst College, no Seminário Teológico Éden e na Escola de Divindade de Yale. Foi um destacado pastor e trabalhou na faculdade do Seminário Teológico União. Morreu em 1971.

Ficou conhecido por ser envolvente nas questões públicas e por seu pensamento sobre a ética e apologética. Ensinava o pecado original e a posição caída do homem, fazendo parte da escola da neo-ortodoxia. Defendia que apesar do homem estar caído, ele é responsável pelos seus atos, ou seja, o homem é livre.

Não era fascinado pela história como Tillich, cria que os conflitos vividos pelo homem vão além do processo histórico - é claro que sua crença na queda do homem e do pecado original, influencia diretamente esse pensamento pendente para a ortodoxia. Sabemos que foi no século XX que a pneumatologia começou a se desenvolver com mais intensidade, porém Niebuhr não salientou o estudo do Espírito Santo, mas na cristologia ele referia-se a Cristo como a “chave” do mistério da existência humana, o “símbolo” do amor eterno.

Com apoio em seu pensamento ético rejeitou o liberalismo religioso. Gostava dos escritos agostinianos sobre a natureza humana, mas negava a doutrina da total depravação do homem, ou seja, ele rejeitava a concepção calvinista de depravação total, porém não negava a trágica posição do ser humano.

Esse teólogo via a verdade apresentada na bíblia, e não a encarava como elemento metafísico. Certa época de sua vida apoiou o marxismo e o pacifismo, mas depois rejeitou essas idéias justamente devido à visão amartiológica marxista, isto é, achava que faltava ao marxismo uma compreensão sobre a pecaminosidade do homem, e automaticamente um importante ponto da questão de como o homem pode ser aprimorado.

Na política ele reconhecia as irracionalidades do homem, mas buscava meios de dar racionalidade e direção a ele. As mudanças institucionais eram mais importantes do que as mudanças no coração do homem. Niebuhr achava o capitalismo adequado para o meio político, sendo que este sistema pode trazer boas modificações para sociedade.

Seus escritos foram: Moral Man and Immortal Society; An Interpretation of Christian Ethics; Beyond Tragedy; Christianity and Power Politics; The Nature and Destiny of Man; The Children of Light and The Children of Darkness; Christian Realism and Political Problems; Pious and Secular America.

Prof. Yuri Almeida

Platão

Platão viveu entre 428-7 a 348-7 a.C. Ateniense, seu nome verdadeiro era Arístocles. Foi discípulo de Sócrates. Foi o primeiro filósofo a deixar obras completas de filosofia e coube a ele também a tarefa de escrever o que seu mestre havia discursado para os discípulos da época. Assim como Sócrates, pregava a busca pela verdade e tinha como alvo o ataque aos sofistas (falsos filósofos) e todos aqueles que valorizavam a palavra mais que a verdade.

Como descendente de importantes políticos tendeu desde cedo aos interesses que envolviam as tramóias políticas. Se dedicava ao conhecimento ético e seu principal objetivo passou a ser a associação entre a verdade e a filosofia, buscando assim idéias mais justas, pois havia desde a condenação de Sócrates se desiludido com a justiça. Sua principal obra, A República, prega a idéia do "sadio governante", no qual tentou difundir a idéia da Sofocracia que divide o trabalho de cada um segundo a razão. Havia portanto os que nasciam para governar e os que nasciam para serem governados. Em seu "Mito das Cavernas" expõe claramente seu dualismo em nível de seu idealismo no campo do conhecimento. Esse dualismo platônico irá mais tarde refletir em religiões como o cristianismo por exemplo.

Platão tentou difundir suas idéias políticas em Siracusa. Mas seu pensamento não foi aceito pela política ditadora que imperava. Além da República, outra importante obra foi O Banquete, que seria uma discussão sobre o Amor num banquete oferecido por Agáton em sua casa.

"A importância de Platão é tanta que seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo e junto com seu mestre Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentariam as bases de toda filosofia ocidental."

Prof. Wesley Martins Soares

Platão

Platão viveu entre 428-7 a 348-7 a.C. Ateniense, seu nome verdadeiro era Arístocles. Foi discípulo de Sócrates. Foi o primeiro filósofo a deixar obras completas de filosofia e coube a ele também a tarefa de escrever o que seu mestre havia discursado para os discípulos da época. Assim como Sócrates, pregava a busca pela verdade e tinha como alvo o ataque aos sofistas (falsos filósofos) e todos aqueles que valorizavam a palavra mais que a verdade.

Como descendente de importantes políticos tendeu desde cedo aos interesses que envolviam as tramóias políticas. Se dedicava ao conhecimento ético e seu principal objetivo passou a ser a associação entre a verdade e a filosofia, buscando assim idéias mais justas, pois havia desde a condenação de Sócrates se desiludido com a justiça. Sua principal obra, A República, prega a idéia do "sadio governante", no qual tentou difundir a idéia da Sofocracia que divide o trabalho de cada um segundo a razão. Havia portanto os que nasciam para governar e os que nasciam para serem governados. Em seu "Mito das Cavernas" expõe claramente seu dualismo em nível de seu idealismo no campo do conhecimento. Esse dualismo platônico irá mais tarde refletir em religiões como o cristianismo por exemplo.

Platão tentou difundir suas idéias políticas em Siracusa. Mas seu pensamento não foi aceito pela política ditadora que imperava. Além da República, outra importante obra foi O Banquete, que seria uma discussão sobre o Amor num banquete oferecido por Agáton em sua casa.

"A importância de Platão é tanta que seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo e junto com seu mestre Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentariam as bases de toda filosofia ocidental."

Prof. Wesley Martins Soares

Tillich, Paul


Nasceu em 20 de agosto de 1886 em Starzeddel, atual Starosiedle, Polônia e faleceu em 22 de outubro de 1965 em Chicago. Estudou teologia em Berlim, Tübingen e Halle. Na Universidade de Breslau doutorou-se em filosofia, em 1910.

Foi ordenado pastor em 1912. Foi capelão na Primeira Guerra Mundial. Foi professor de teologia e filosofia em Marburgo, Dresden, Leipzig e Frankfurt. Em 1929, sucedeu a Max Scheler.

Não podemos esquecer que este grandioso teólogo foi ainda, o fundador do "Socialismo Religioso", juntamente com outros amigos, e adversário declarado do nazismo. Pela oposição ao nazismo, em 1933 deixou a Alemanha e foi para os Estados Unidos convidado por Reinhold e Richard Niebuhr. Foi professor de Teologia Filosófica no Union Theological Seminary (em Harvard) e na Columbia University (New York) e também na Universidade de Chicago. Foi um teólogo-filófoso e representante do existencialismo religioso.

Tillich abordava questões humanas com a teologia e as correlacionava até com a economia, as ciências e outros campos de estudo. Usava também a história para construir sua teologia. Ensinava que a teologia deve unir-se ao empreendimento humano, pois isso a completa e a livra de erros já cometidos na história. É portanto necessário que a teologia correlacione com a política, a ciência, a sociologia, a ética, a antropologia e etc.

Devido sua visão existencialista, dizia que a teologia sistemática deve ter também caráter apologético, analisando a situação do homem em geral, trazendo uma aplicação do evangelho. Usava muita linguagem simbólica, pois cria que o símbolo pode ter mais resultado que a mensagem direta. Os símbolos apontam para a realidade, mas a realidade não resolve os mistérios da vida. Nossos conhecimentos são sempre fragmentados e nunca trará a nós uma resposta de todos os mistérios da vida.

Questões como ”céu e inferno” não podem ser literalmente interpretados, pois essas questões apontam para uma realidade mais concreta. Para Tillich, fé é a coragem de existir - essa é uma definição bem existencialista - e redenção é o homem ser um novo ser. A explicação tillichiana de Deus está no campo do existencialismo, pois afirma que Deus é o ser em si mesmo, sendo a resposta para o homem e para a história. Deus também, ao ser o ser em si mesmo, passa a ser o fundamento infinito e inesgotável da história.

O homem vive alienado, sendo o pecado uma alienação, e sendo a resposta ou solução para essa alienação existencial o Novo Ser em Cristo. Esse teólogo não via a filosofia como inimiga da teologia, pelo contrário, Tillich não é somente um teólogo ou filósofo, mas é um teólogo-filósofo, isso é claramente percebido em suas obras; em seu livro intitulado “Perspectivas Da Teologia Protestante Nos Séculos XIX e XX”, o casamento entre o discurso teológico e a visão filosófica faz dessa obra um livro rico em conhecimento e que aguça no leitor um desejo de conhecer mais.

Apesar de Tillich falar muito sobre os símbolos e as linguagens antropomórficas, ele também dizia sobre a morte dos símbolos, ou seja, de acordo que nosso conhecimento cresce e amplia, os símbolos vão perdendo força e a realidade se aproxima mais de nossas concepções. Tillich era um pouco cético em relação às definições de Deus, pois cria que o homem nunca terá a definição verdadeira de Deus, mas no máximo uma definição expansiva, mas não completa.

Recebeu o prêmio da paz dos editores alemães em 1962.

Suas obras principais foram: A coragem de ser (The Courage to be), Dinâmica da fé (Dynamics of Faith), Teologia Sistemática (Systematic Theology), História do pensamento cristão (A History of Christian Thought), Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX (Perspectives on 19th and 20th Century Protestant Theology), A Era Protestante (The Protestant Era). E em espanhol escreveu: El futuro de las religiones, Filosofia de la religion, Teologia de la cultura y otros ensayos.

Prof. Yuri Almeida

Villa, Francisco Pancho


Francisco Pancho Villa foi um militar revolucionário mexicano que nasceu em 5/6/1878 em Durango. Seu nome verdadeiro era José Doroteo Arango e viveu até os 16 anos trabalhando no meio rural. Com essa idade foi acusado de matar um fazendeiro que estrupara sua irmã e para fugir da justiça alistou-se no Exército.

Era considerado um fora-da-lei pelos latifundiários e foi caçado pelos federales (polícia mexicana), sendo líder de peões revolucionários no norte juntamente com Pascual Orozco. Para os deserdados era tido como herói, pois atacava fazendas dos grandes criadores de gado na região de Chihuahua, no norte do México, enquanto protegia os pobres.

Em 1910 juntou-se a Francisco Madero, grande fazendeiro, dono de minas, de fábricas e liberal que combatia a ditadura de Porfirio Díaz, então presidente do país, que apresentava uma política oligárquica. No mesmo ano, Madero candidatou-se à presidente, mas é preso e derrotado em eleições fraudulentas. Isso gerou uma revolta popular e a revolução mexicana em 1911, no qual o povo tomou armas, invadiu quartéis e batalhões, fazendo Porfírio Díaz fugir para a França. Pancho Villa apoiou ativamente a revolução com seu exército no norte do país. No sul havia o apoio de Emiliano Zapata . Madero se tornou o novo presidente do México.

Apesar do apoio de Pancho Villa e Emiliano Zapata, no governo, Madero manteve algumas práticas políticas de Porfírio, não realizou reforma agrária, como reivindicava o povo e apoiou ativamente a burguesia. Os EUA temia os revolucionários que desentenderam com o governo de Madero.

O revolucionário só aprendeu a ler quando preso por ordem de Madero. Costumava dizer: "A falta de cultura é o grande problema de nosso povo. Eu pago primeiro ao professor e só depois o general."

Em 1912, Pancho Villa é condenado à morte por Victoriano Huerta, general-comandante das Forças Armadas, por insubordinação. Ajudado por Madero, Pancho Villa se refugiou nos EUA. Em 1913, o general Huerta invadiu o palácio presidencial com seus homens e assassinou Madero, instalando-se no poder como ditador.

Retornando ao México, se juntou às forças do general Venustiano Carranza, rico proprietário de terras que se opõe ao novo ditador. Se forma nessa época, 1914, três exércitos revolucionários no país, o de Carranza e Obregón, de Zapata e Villa, que comandou uma cavalaria com 40 mil homens. O objetivo era a derrubada de Huerta. Na batalha de Zacatecas, o exército de Pancho Villa, com suas camisas cor cáqui, lenço vermelho no pescoço e fuzil de repetição Remington-UMC, deu o golpe final em Huerta.

Carranza se tornou o novo presidente do México, mas se desentendeu com Villa, que voltou à luta dominando o norte do país, pois na Convenção de Aguascalientes, delegados de Zapata, Villa e Carranza não chegaram a um acordo para o futuro do país. Carranza fez um acordo com militares norte-americanos que estavam em Vera Cruz.

A guerra civil continuou, mas Emiliano Zapata se ocupou com uma reforma agrária no sul, ficando Carranza lutando em conjunto com os EUA contra o exército de Pancho Villa. Este voltou a época dos tempos de guerrilha e chegou a entrar em território dos ianques como estratégia para derrubar Carranza.Contudo, o exército de Carranza venceu a guerra civil, mas a força expedicionária norte-americana não conseguiu capturar o revolucionário.

Depois de um tempo, Venustiano Carranza foi deposto. Pancho Villa se tornou um pacato agricultor no interior do país. Se casou várias vezes, tendo filhos com oito mulheres. Em 20/6/1923 foi assassinado numa emboscada.

Prof. Yuri Almeida

Santos, Milton


Quando muitas pessoas de nossa sociedade alienada e ignorante se refere ao povo do Nordeste eles dizem que o nordestino em especial o baiano é vagabundo, gosta de carnaval e alimentam-se de farofa e rapadura, um tremendo preconceito contra o povo do nordeste e da Bahia.

Quando me refiro em algumas conversas sobre o grande professor e geógrafo Milton Santos, muitos confundem e pensam que estou falando de Nilton Santos grande lateral-esquerdo do Brasil na Copa de 1958.

Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas na Bahia em 1926, comendo rapadura com farofa e passou por todas as necessidades que muitos cidadãos brasileiros passam e mais, além de baiano Milton Santos era negro de família humilde.O professor é considerado o maior geógrafo brasileiro de voz calma e olhar tranqüilo sublinhou o aspecto humano da geografia e criticou a globalização perversa, globalização esta que aliena muitos a pensar que todo baiano é ignorante e vagabundo.

Milton introduziu importantes discussões na geografia, como a retomada de autores clássicos, e foi um dos expoentes do movimento de renovação crítica da disciplina, além de grande colaborador nos conteúdos do ensino de Geografia com a nova LDB (Leis de Diretrizes e Bases) de 1996 e Parâmetros Curriculares Nacionais na área de Geografia. Preocupado com a questão metodológica, construiu conceitos, aprofundou o debate epistemológico e buscou na transdisciplinaridade uma visão totalizadora da sociedade.

Esquerdista convicto, não se filiou a partidos: "não sou militante de coisa alguma, apenas de idéias", diz em uma de suas frases mais divulgadas. Sua produção acadêmica não permite modéstia: são cerca de 40 livros e 300 artigos científicos. Foi o único estudioso fora do mundo anglo-saxão a receber o mais alto prêmio internacional em geografia, o Prêmio Vautrin Lud (1994). Considerada equivalente ao Nobel na Geografia, o prêmio marcou o reconhecimento de suas idéias no Brasil. Milton viveu no exílio na França durante a ditadura militar brasileira. Foi consultor da Organização das Nações Unidas, da Unesco, da Organização Internacional do Trabalho e da Organização dos Estados Americanos. Também foi consultor em várias áreas junto aos governos da Argélia, Guiné-Bissau e Venezuela. Possuía vários títulos de doutor honoris causa, recebidos no Brasil, França, Argentina e Itália, entre outros. Foi membro do comitê de redação de revistas especializadas em geografia no Brasil e exterior. Fez pesquisas e conferências em mais de 20 países, dentre eles Japão, México, Índia, Tunísia, Benin, Gana, Espanha e Cuba.

Recebeu em 1997 o prêmio Jabuti pelo melhor livro em ciências humanas: A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. Em 1999 recebeu o Prêmio Chico Mendes por sua resistência. Foi condecorado Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995. Hoje, o geógrafo tantas vezes laureado empresta seu nome ao Prêmio Milton Santos de Saúde e Ambiente, criado pela Fundação Oswaldo Cruz.

O professor baiano e negro muitas vezes confundido com um lateral-esquerdo de seleção brasileira e vítima daquela velha ignorância brasileira, que o povo do Nordeste não produz nada além de carnaval faleceu em São Paulo em junho de 2001 um intelectual de grande importância para ciências humanas brasileira.

Milton Santos foi um homem essencialmente de idéias. E as idéias não morrem, elas continuam ressoando na mente daqueles que buscam o conhecimento do Mundo Novo. Sendo assim, ele estará sempre vivo no seu mais sublime significado. Ele sempre viverá entre nós!

Prof. João Alexandre Moura Oliveira

Foucault, Michel


O filósofo francês, Paul-Michel Foucault, nasceu em 15 de outubro de 1926 em Poitiers. Pertencia a uma família de tradição médica. Filho, neto e bisneto de médicos, no entanto, Michel não demonstrou interesse pela medicina e sim pela história influenciado por um professor que teve ainda na escola, padre De Montsabert, aos onze anos de idade, surpreendendo os mais velhos que davam por certo que ele seguiria a tradição familiar sendo cirurgião. Contudo, o menino, decidiu ser professor de história e transformou-se em um dos escritores que mais profundamente refletiram sobre a história, um poeta do pensamento e um narrador teórico. E apesar de Foucault não seguir carreira na medicina sempre manteve uma relação privilegiada e ao mesmo tempo marcada por uma desconfiança essencial com a mesma.

O sofrimento fez-se presente na vida do filósofo desde a infância. Michel e o pai tinham uma relação conturbada. O fato de pertencer a uma família burguesa, puritana provincial das décadas de 30 e 40 de forte tradição católica por parte paterna regia até os mínimos detalhes da vida cotidiana, o que dificultou e traumatizou o jovem rapaz que havia descoberto sua atração por homens e não sabia como lidar com o fato, não tinha a quem recorrer e não sabia como viver. O jovem sofreu grande pressão por ser homossexual, principalmente por parte paterna, e disse pouco antes de morrer, que quando pequeno, seu pai queria acabar com seu “problema” de homossexualidade o submetendo a uma das salas de cirurgia. A partir daí sua vida tornou-se um caos e fez com que, até meados de seus vinte anos, tentasse por várias vezes o suicídio e tempo em que adquiri uma afeição pelo álcool. Esta experiência traumática o aproximou da psicologia, psicanálise e psiquiatria, as quais iram influenciar imensamente sua obra.

Foucault era muito curioso fato que o impulsionou a buscar por conta própria suas leituras e que o ligou à filosofia. Por sobreviver ao escândalo de assumir sua orientação sexual num tempo que considerava esta uma doença ou uma forma de degeneração moral, acabou ajudando e fortalecendo Michel para encarar os combates intelectuais que o aguardavam, não menos sarcásticos e ferozes que as cruéis brincadeiras que enfrentara em sua juventude.

Em 1945 mudou-se para Paris onde se preparava para concorrer a vagas como aluno na École Normale da rue d'Ulm. Nesse período Foucault entra em contato com o professor Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalha hegelianismo na França e que o marcara profundamente. Iniciando seus estudos na École Normale da rue d'Ulm em 1946. O convívio competitivo por parte dos alunos desta escola só fez aumentar seu comportamento de isolamento social; trazia consigo a aparência de uma pessoa solitária e fechada. Por toda sua vida, esse distanciamento social, o influenciou, tornando-o uma pessoa agressiva e irônica. Uma das lembranças mais amargas de sua juventude está ligada com a luta pela primazia na escola, o que o levou a sobressair-se desde o início de sua carreira universitária e torná-lo “a promessa de sua geração”.

Foi leitor de Kant, Platão, Nietzsche, Hegel, Marx, Husserl, Heidegger, Freud, Lacan, Bachelard, etc. “Brilhante em uma geração de homens brilhantes” destacando como companheiros de estudos e amigos: Pierre Boulez, Gilles Deleuze, Pierre Bourdieu, Roland Barthes e Paul Vayne; e como seus professores: Jean Hyppolite, Louis Althusser, Maurice Merleau-Ponty, Georges Dumézil, Georges Canguilhem. Ficou muito amigo de Louis Althusser quem o aproximou da política levando-o a aderir ao partido comunista. Mesmo que alinhado a esquerda, sua posição não era nada ortodoxa, suas posições políticas escandalizaram tanto aos conservadores quanto aos progressistas, e nas disputas que a esquerda e a direita mantinham durante os quentes anos da Guerra Fria não foi inesperado seu afastamento do comunismo tão rápido como seu ingresso. Foucault, apesar de um acadêmico de prestígio, era “elitista”, um homem que “renegou” Marx, sendo qualificado pela maioria esquerdista como “violentamente anticomunista”.

Michel considerava que sua filosofia era uma crítica a Kant, porque para ele o homem é produto das práticas discursivas já para Kant o sujeito é mediador e referência de todas as coisas. Sofreu grande influência de Heidegger em sua obra ao afirmar: "Todo o meu devir filosófico foi determinado por minha leitura de Heidegger". E, também, influenciado por Bachelard, Sartre (com quem levou muito tempo para reconhecer a dívida que tinha com sua obra) e Nietzsche, por quem tinha imensa admiração e paixão. A obra de Friedrich Nietzsche, em especial os textos escritos à beira da loucura, foram a luz e sustentação para Foucault que enxergou neste tanto o poeta quanto o filósofo, o artista quanto o pensador, e ajudou-o a compreender que ter um ponto de vista original não era um pecado pelo qual se devesse pagar caro. Para ambos (Foucault e Nietzsche) a forma, o tom poético que percorre suas escrituras e o apelo ao aforismo nunca foram questões secundárias. Há um par de aforismos nietzscheanos que lhe serviram quase como mantras para uma meditação pessoal, o primeiro que marcou cada momento de sua vida, ele o parafraseava: “Trata-se de chegar a ser o que se verdadeiramente é”. O segundo diz: “O amor à verdade é terrível e poderoso”. Também foi leitor de René Char, Kafka, Faulkner, Genet, Sade, Gide, etc.

“Foucault é o mais literário dos filósofos e o mais filosófico dos escritores”. Valia-se da árdua tarefa de expressar idéias extremamente perigosas e complexas através de paradoxos magníficos e sutilezas estilísticas. Muitas de suas referências “teóricas” são literárias, desde a inclusão de multinarrações que são essenciais para o desenvolvimento do argumento até o trabalho com a escritura, não sendo por acaso que no começo de “As palavras e as coisas”, por exemplo, diga que a pesquisa do livro tenha surgido de um fragmento do ensaio de Jorge Luis Borges Outras inquisições: “O idioma analítico de John Wilkins”. Em 1961 defendeu sua tese de doutorado e apresentou duas: a primeira intitulada a “História da Loucura”, a segunda intitulada “L'Anthropologie de Kant” e foram apresentadas por D. Lagache e Georges Canguilhem respectivamente. Pela “História da Loucura”, o filosofo, foi chamado de “intelectual absoluto, fora do tempo” pelo jornal Le monde. É neste livro fundacional que Foucault insiste em “pensar a loucura em sua especificidade, não como uma essência imutável que se manteria através do tempo e as culturas, mas que é própria de cada momento histórico, de cada contexto, cultural, social e econômico”. No final deste ano, acaba de escrever “O nascimento da clínica” que ele apresenta como “as sobras da História da Loucura” e no qual usa pela primeira vez o termo estrutura, demonstrando neste texto a intenção de realizar uma analise estrutural. A medicina passa a ocupar um lugar central em seu pensamento, porém, vista a partir de uma critica da medicina em sua “essência”, ou seja, o saber médico é negativo por si próprio, principalmente quando acerta, porque ver a doença como algo a combater abre caminho a novas enfermidades de difícil controle.

“As palavras e as coisas”, seu livro mais difundido, foi publicado em 1966. Neste Foucault queria desmontar o mecanismo de naturalização do pensamento, isto é, uma tentativa de eternizar (ou quase) conceitos, problemas e soluções cientificas através de um mecanismo, já que o pensamento é tido como fora da história, conclui em sua investigação: “Uma coisa em todo caso é certa: é que o homem não é o mais velho e nem o mais constante problema que se tenha colocado ao saber humano (...) O homem é uma invenção cuja recente data a arqueologia de nosso pensamento mostra facilmente. E talvez o fim próximo. Se estas disposições viessem a desaparecer tal como apareceram, se, por algum acontecimento de que podemos quando muito pressentir a possibilidade, mas de que nesse momento não conhecemos ainda nem a forma nem a promessa, se desvanecessem, como aconteceu, na curva do séc. XVIII, como solo do pensamento clássico – então se pode apostar que o homem se desvaneceria, como, na orla do mar, um rosto de areia”.

No inicio da década de 70 realiza sua primeira viagem aos Estados Unidos. Conquistando, a partir daí, o mundo intelectual, e ao mesmo tempo em que chega a Berkeley aproxima-se das drogas e de experiências sado-masoquistas passando a voltar seu trabalho sobre a problemática do poder e da relação entre saber e poder. Foucault escreve um artigo criticando a distinção feita por Althusser em seu artigo publicado em “La Pensée” que dizia que os aparelhos do Estado se diferenciam de acordo com o funcionamento da violência ou pela ideologia. Dessa crítica Althusser nasce mais um de seus livros: “Vigiar e Punir”. Concomitantemente funda o Grupo de Informação sobre Prisões (GIP) com intuito de intervir na realidade. Passa a escrever sobre as prisões e tem por questão central o por que das prisões exercerem tamanha fascinação social, mesmo dizendo respeito a uma população minoritária? Chegando a dizer: “Todas as violências e arbitrariedades são possíveis na prisão, mesmo que a lei diga o contrário, porque a sociedade não só tolera, mas exige que o delinqüente sofra”.

Em 02 de dezembro de 1970, Foucault, dá sua primeira aula no Collège de France, expondo questões sobre o poder e, por 13 anos, exporá suas pesquisas, todas quartas feiras, às 17:45h. O primeiro curso tem por tema: “A vontade de saber”, contrapondo os modelos teóricos de Aristóteles e Nietzsche. Depois dá abertura a todos temas e formas de abordagem (período de grande aprendizagem e de elaboração apaixonada). Em 1977, quando volta do Irã, cria nova polemica uma de suas frases: “Há mais idéias no mundo que as que imaginam os intelectuais”. Em seus últimos dez anos de vida sua experiência californiana foi essencial e em Berkeley ensinou (e pesquisou). Já em Los Angeles, aparece um Foucault mais intenso, porém, menos difundido nas universidades, pois acedeu a práticas sado-masoquistas em saunas gays que, o permitiram desenvolver uma reflexão original sobre o gozo por meio da dor. Depois de percorrer um longo caminho, em suas investigações dos anos 1970, apesar do seu interesse pela sexualidade parecer óbvio, refletido em sua última obra, História da sexualidade, não o é de fato. Para Foucault, foi um problema chegar a pensar o sexual perguntando-se, em primeiro lugar, por que a sexualidade é objeto de uma preocupação moral, mas vai além de uma questão moral, está claro que alguém, alguma instituição, um poder necessita que o sexo seja supervisionado pela moral.

No pensamento de Foucault, o homem ocupa um papel importante, uma vez, que é sujeito e objeto de conhecimento. Considera o homem enquanto resultado de uma produção de sentido, de uma prática discursiva e de intervenções de poder, o vê como sujeito e objeto do conhecimento, através de três procedimentos em domínios diferentes: a arqueologia: diz sobre “saberes que falam sobre o homem, as práticas discursivas, e não verdades em relação a este homem”. Reivindica uma independência de qualquer ciência, pois acredita não poder localizar o homem através do que ela pode oferecer (encontrada, principalmente, em duas de suas obras: "A História da Loucura" e "As palavras e as Coisas"); a genealogia: que possibilita pensar na questão do poder como uma rede onde o homem é visto como objeto e sujeito das práticas do poder (encontrado, principalmente, na obra “Vigiar e Punir”) e a ética: como a possibilidade de apontar o sujeito que constitui à si próprio como sujeito das práticas sociais e refletir o motivo pelo qual o homem moderno constitui critérios de um modo de subjetivação em que tenha espaço a liberdade (essa ética encontra-se fundamentada em “O uso dos prazeres” e “O cuidado de si mesmo”)

Michel Foucault morreu em 25 de junho de 1984, aos 57 anos, tinha aids em uma época em que a doença era rapidamente mortal e quando era o pensador mais famoso do mundo e sua obra havia aproximando-se de seu ideal de vida: chegar a ser o que verdadeiramente se é. Ainda que menos popular que Jean-Paul Sartre depois da Segunda Guerra Mundial, a filosofia foucaultiana transformou-se naquilo que Sartre desejou produzir, mas não chegou a articular: uma ética nascente de uma reflexão que se encontra nos antigos gregos, daí a consistência clássica presente em sua obra.

Por Luciane Martins Scaramel