quarta-feira, 4 de novembro de 2009

zuinglio

Ulrich (ou Huldreich) Zuínglio foi um dos principais reformadores protestantes, sendo líder da reforma na Suíça. Nasceu em 1484 na vila de Toggenburg, em Wildhaus, São Gal, na Suíça. Foi o terceiro de oito filhos de um rico meirinho. Foi educado em Viena e Basiléia, onde também ensinou. Conhecia os clássicos e chegou a ser mestre em Artes. Aprendeu música e a tocar alguns instrumentos musicais. Escreveu várias obras, em latim e alemão. Heinrich Bullinger (discípulo de Zuínglio) relatou que Zuínglio tinha memorizado em grego todas as epístolas paulinas, ou seja, ele conhecia bem o grego. Diferente de Lutero, não obteve doutorado em Teologia.

Foi extremamente influenciado pelo humanismo de Erasmo de Rotterdam, quem manteve correspondência mesmo depois de ordenado padre, em 1506. Dedicou-se aos estudos do Novo Testamento, o que lhe deu base para propor uma reforma, visto que todos os reformadores protestantes davam muito valor a bíblia. A doutrina da autoridade da bíblia foi defendida pelo reformador em sua obra Sobre a Clareza e Certeza da Palavra de Deus. Seu biblicismo o levou a crer que a bíblia é autoridade suficiente nas questões de fé e prática, e não a tradição da Igreja. Não apoiava as práticas abusivas de algumas doutrinas da Igreja Romana da época. Condenou ardentemente as indulgências, o jejum, a veneração dos santos católicos e o celibato dos padres. Em 1524 casou-se com Anna Reinhard. Opôs-se à venda de mercenários feita pela Suíça.

Em 1518 foi chamado para Zurique, comandando uma reforma. Em 1523 publicou as Sessenta e Sete Conclusões, uma de suas primeiras formulações doutrinárias. Pregava que o evangelho não está sujeito as aprovações da Igreja, sendo que a igreja se afastou desse evangelho e que este não está ligado as restrições eclesiásticas do catolicismo. Ensinava a comunhão dos santos e o sacerdócio de todos os crentes. Em sua obra Comentário Sobre a Verdadeira e Falsa Religião, estabeleceu a distinção entre Igreja visível e Igreja católica mística (Igreja invisível), composta por todos os santos (salvos, segundo o protestantismo).

Não ensinou a separação Igreja e Estado, mas parece que cria em um governo democrático. Sobre o batismo, pregava que esse deveria ser feito na infância, como paralelo a circuncisão judaica. Discordou de Lutero na questão da ceia, sendo que Lutero defendia a consubstanciação e Zuínglio defendia o Memorial.

Um dos seguidores de Zuínglio, a saber: Conrado Grebel, foi o fundador dos menonitas. Não podemos esquecer que o reformador suíço opôs-se aos anabatistas, apesar de um grupo anabatista ter originado dele, mesmo que ilegitimamente.

A reforma de Zuínglio não obteve sucesso em todos cantões suíços, sendo que, os cinco mais antigos cantões da federação helvética não apoiaram a crescente reforma. Devido a isso, Zurique impôs sanções políticas e econômicas a esses cantões. O resultado dessas imposições foi uma revolta que culminou em ataque por parte desses cantões a Zurique. Zuínglio participou das lutas como capelão e foi morto em 1531 durante a luta, em Kappel. Heinrich Bullinger foi um dos reformadores que deram continuidade a causa protestante na Suíça.
Prof. Yuri Almeida

Trotski, Leon

Veja fotos de Trotski

Trótski foi um revolucionário da Revolução Russa. Seu nome verdadeiro em ucraniano era "Лев Давидович Троцький" que pode ser transliterado como Lev Davídovitch Bronstein. Seu apelido de família era "Бронштейн" que pode ser transliterado como Bronstein.
Nascido na Ucrânia em 7/11/1879, era de família judaica e de agricultores. Estudou no liceu da cidade de Nikolaiev e depois cursou Matemática por um período em Odessa.

Desde os 17 anos combateu veemente o regime tzarista, militando na época do Tzar Nicolau II. Em 1898 foi preso e deportado para a Sibéria, fugindo para Londres, onde conheceu Lênin. Ali, colaborou no jornal Iskra (A Centelha) e participou do encontro do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Evitando anacronismo, o nome Social-Democrata não tem nada a ver com a social democracia de hoje, sendo essa uma doutrina político-econômica posterior.

Em 1905 retornou à Rússia. Foi líder do soviete de Petrogrado (capital na época, atual São Petesburgo). Os sovietes eram assembléias de operários e camponeses que organizavam ações revolucionárias. Ainda em 1905, Trótski participou da passeata feita para alertar Tzar Nicolau II sobre sua política. Nesse episódio o Tzar ordenou que os cossacos (polícia russa) atirassem na multidão, morrendo mais de 200 mil pessoas. Foi o chamado domingo Sangrento.

Deportado novamente para a Sibéria, desta vez ele conseguiu fugir para o Vetnã, onde trabalhou como jornalista até 1914. Em 1917 voltou para a Rússia, participando ativamente da Revolução Socialista, que derrubou o governo provisório de Kerenski. Como líder do soviete de Petrogrado, Trótski aproveitou a onda de indignação que varria a Rússia e distribuiu armas aos operários, contando com ajuda de muitas unidades militares cujos soldados preferiam desobedecer os coronéis e generais para seguir os bolcheviques. Nessa revolução, Kerenski fugiu para os EUA disfarçado de mulher.

Com os bolcheviques no poder, Lênin transformou o Partido Bolchevique em Partido Comunista e a Rússia passou a se chamar União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Trótski passou a ser comissário das Relações Exteriores e assina, em 1918, o Tratado de Brest-Litovsk, que foi um acordo de paz em separado com a Alemanha, tirando a URSS da 1º Guerra, como ansiava o povo desde à época do Tzar Nicolau II.

Houve retaliação à revolução. Catorze países capitalistas, juntamente com a antiga nobreza e burguesia russas formaram o Exército Branco que entrou em conflitos com a URSS. Trótski, em defesa a URSS formou o Exército Vermelho, responsável pela resistência aos contra-revolucionários, que enfrentou várias forças de oposição – mencheviques, czaristas, forças armadas de potências estrangeiras e grupos nacionalistas de etnias não-russas. O Exército Vermelho venceu, pois os países capitalistas estavam afligidos pela 1º Guerra. Contudo, a URSS entrou numa fase de crise econômica devido o Cordão Sanitário formado pelos do exército Branco. A crise foi tão intensa que as pessoas comiam cadáveres para matar a fome. Daí a lenda de que "comunista come criancinha".

Após a morte de Lênin, em 1924, Trótski e Josef Stálin disputaram o governo da URSS. Trótski defendia a revolução internacional, que se espalhasse o socialismo a outros países, mas Stálin queria implantar o socialismo apenas na URSS. Stálin venceu a disputa devido sua influência no Partido Comunista.

Em 1927 Trótski é expulso do partido e em 1929 deportado. Sua irmã Olga casou com Lev Kamenev, líder bolchevique que era ligado a Stálin no triunvirato que afastou Trótski do poder. Passou por vários países, Turquia, França e Noruega até chegar ao México, a convite do pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em sua casa e mais tarde na casa da esposa de Rivera, a pintora Frida Khalo. Em 1940 foi assassinado. Há historiadores que afirmam que esse assassinato foi por ordem de Stálin. Contudo, um revisionismo histórico dentro da própria Rússia tem demosntrado que Stalin não era esse genocida pintado e que Trótski fora um que se opusera a Stalin por questão política, sendo um dos responsáveis pela imagem ruim cunhada ao Estadista.

Entre seus livros estão Tarefas Políticas (1904), Entre o Imperialismo e a Revolução de 1922, História da Revolução Russa (1930), A Revolução Permanente (1930) e A Revolução Traída (1936), que é uma crítica ao stalinismo.

Criticou a burocracia do estado stalinista e pregou uma 2º revolução, restauradora do estado democrático-socialista. Claro que isso foi após perder a disputa com Stalin e já no exílio, pois na realidade Trótski defendia a expansão do socialismo e não tinha nada de democrático.

Prof. Yuri Almeida

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Münzer, Tomás

Tomás Münzer nasceu em Stolberg, na montanha de Harz, no final do século XV. Parece que seu pai foi enforcado injustamente por condes de Stolberg. Com apenas quinze anos de idade, aluno em Halle, fundou uma liga secreta contra o arcebispo de Magdeburgo e a igreja romana. Foi um grande teólogo e capelão em convento de monjas. Negou a transubstanciação. Estudou os escritos quiliásticos de Joaquim, o Calabrês e também os místicos medievais.

Na época da reforma, Tomás Münzer via a difícil situação alemã como o princípio de um novo reino milenário, o juízo de Deus sobre o mundo pecaminoso - influência de Joaquim, o calabrês. Foi para Zwickau em 1520, onde encontrou uma seita quiliasta formada por pessoas das camadas "inferiores" da sociedade que se opunham aos dominadores. Essa seita era anabatista, sob o comando de Nicolau Storch. Anunciavam o milênio e eram místicos, com ênfase em profecias e dons espirituais. Münzer não se identificou totalmente com essa seita anabatista, porém os defendeu diante do Conselho de Zwickau num conflito, tendo que abandonar a cidade juntamente com os fiéis da seita em 1521.

Em Praga esteve em contato com os hussitas. Devido suas pregações reformistas, teve que abandonar a Boêmia. Em 1522 esteve pregando em Altstadt, reformando o culto através da supressão do latim (antes de Lutero) e permitindo que se lessem toda a bíblia e não apenas as epístolas e evangelhos. Graças as pregações reformistas de Münzer, Altstadt veio a ser o centro do movimento anticlerical popular em toda Turíngia. Ao contrário de Lutero, não era um reformador pacífico e incitava a violência contra o clero romano.

Em face da situação social e política da Alemanha (nessa época ainda não existia o estado alemão), Münzer foi um reformador voltado as necessidades dos oprimidos. Afirmava que o estabelecimento do reino de Deus significa uma sociedade sem diferenças de classes sociais, sem propriedade privada e sem poder estatal. Friedrich Engels em As guerras camponesas na Alemanha afirmou que o programa político de Münzer tinha afinidades com o comunismo.

Tomás Münzer foi um grande líder dos camponeses na conhecida Revolta dos Camponeses, em que Lutero opôs aos camponeses e apoiou os príncipes, sendo massacrados milhares de camponeses, inclusive Tomás Münzer. Durante essa guerra entre os nobres opressores (defendidos por Lutero) e os oprimidos camponeses (defendidos por Münzer), Münzer escreveu a Lutero através da carta pública a Lutero e o chamou de doutor Mentiroso, doutor Patinha de Gato, o novo Papa de Wittenberg, doutor Cadeira de Balanço e também amante dos banhos de sol. A condenação de Lutero ao movimento social camponês foi tão severa, que também em 1525 (ano que Münzer escreveu carta pública a Lutero) Lutero escreveu Contra as hordas salteadoras e assassinas de camponeses dizendo: "Acho que não sobrou nenhum diabo no inferno, transformaram-se todos em camponeses."

A defesa de Münzer a reforma religiosa, política e econômica o levou a morte em sua verdadeira luta contra aqueles que oprimem.

Prof. Yuri Almeida

Kierkegaard, Søren Aabye


Kierkeggard (5 de Maio de 1813 - 11 de Novembro de 1855) foi um teólogo e um filósofo dinamarquês do século XIX, que é conhecido por ser o "pai" do existencialismo, embora algumas novas pesquisas mostrem que isso pode ser uma conexão mais difícil do que fora, previamente, pensado.

Filosoficamente, ele fez a ponte entre a filosofia hegeliana e aquilo que se tornaria no Existencialismo. Kierkegaard rejeitou a filosofia hegeliana do seu tempo e aquilo que ele viu como o formalismo vácuo da Igreja luterana dinamarquesa. Muitas das suas obras lidam com problemas religiosos tais como a natureza da fé, a instituição da fé cristã, e ética cristã e teologia. Por causa disto, a obra de Kierkegaard é, algumas vezes, caracterizada como Existencialismo Cristão (em oposição ao existencialismo de Jean-Paul Sartre ou ao Proto-existencialismo de Friedrich Nietzsche, ambos derivados de uma forte base ateística). Apaixonado teólogo dinamarquês do século XIX, Kierkegaard ficou no esquecimento durante três gerações, até que foi redescoberto como grande místico cristão, pregador de nova fé e fundador da tão discutida filosofia do existencialismo. Até o século XX (1937, cento e vinte anos depois de seu nascimento) não se fizera uma tradução inglesa de suas obras, e o público em geral não sabia nada dele. Na década de 40 foi aclamado como “o intérprete mais profundo da psicologia da vida religiosa desde Santo Agostinho”, como profeta que predisse a crise que se seguiria à tirania militarista, ao desprezo do ditador pelo indivíduo, à crueldade da terrível mentalidade de rebanho e à “bancarrota total para a qual parece precipitar-se toda a Europa”.

A obra de Kierkegaard é de difícil interpretação, uma vez que ele escreveu a maioria das suas obras sob vários pseudônimos, e muitas vezes esses pseudo-autores comentam os trabalhos de pseudo-autores anteriores. Ao Conceito da Ironia, que foi a sua dissertação para obter o grau de professor, seguiu-se Ou isto ou aquilo (Enten-Eller), que apareceu assinado por Victor Eremitus. Temor e tremor, a que chamou de “lírica dialética”, veio à luz com o pseudônimo de Johannes de Silentio. O nome do autor de O Conceito do Temor, que aparece à frente da obra, é Virgilius Haufniesis. O pseudônimo de Etapas do Caminho da Vida é Hilarius Bookbinder. Escreveu outros livros sob Johannes Climacus, Inter et Inter, Frater Taciturnus, H.H., Constantin Constantius.

Kierkegaard é um dos raros autores cuja vida exerceu profunda influência no desenvolvimento da obra. As inquietações e angústias que o acompanharam estão expressas em seus textos, incluindo a relação de angústia e sofrimento que ele manteve com o cristianismo – herança de um pai extremamente religioso, que cultuava a maneira exacerbada os rígidos princípios do protestantismo dinamarquês, religião de Estado. Sétimo filho de um casamento que já durava muitos anos – nasceu em 1813, quando o pai, rico comerciante de Copenhague, tinha 56 e a mãe 44 –, chamava a si mesmo de "filho da velhice" e teria seguido a carreira de pastor caso não houvesse se revelado um estudante indisciplinado e boêmio. Trocou a Universidade de Copenhague, onde entrara em 1830 para estudar filosofia e teologia, pelos cafés da cidade, os teatros, a vida social. Foi só em 1837, com a morte do pai e o relacionamento com Regina Oslen (de quem se tornaria noivo em 1840), que sua vida mudou. O noivado, em particular, exerceria uma influência decisiva em sua obra. A partir daí seus textos tornaram-se mais profundos e seu pensamento, mais religioso. Também em 1840 ele conclui o curso de teologia, e um ano depois apresentava "Sobre o Conceito de Ironia", sua tese de doutorado. Esse é o momento da segunda grande mudança em sua vida. Em vez de pastor e pai de família, Kierkegaard escolheu a solidão. Para ele, essa era a única maneira de vivenciar sua fé. Rompido o noivado, viajou, ainda em 1841, para a Alemanha. A crise vivida por um homem que, ao optar pelo compromisso radical com a transcendência, descobre a necessidade da solidão e do distanciamento mundano, está em Diários. Na Alemanha, foi aluno de Schelling e esboça alguns de seus textos mais importantes. Volta a Copenhague em 1842, e em 1843 publica A Alternativa, Temor e Tremor e A Repetição. Em 1844 saem Migalhas Filosóficas e O Conceito de Angústia. Um ano depois, é editado As Etapas no Caminho da Vida e, em 1846, o Post-scriptum a Migalhas Filosóficas. A maior parte desses textos constitui uma tentativa de explicar a Regina, e a ele mesmo, os paradoxos da existência religiosa.

Kierkegaard elabora seu pensamento a partir do exame concreto do homem religioso historicamente situado. Assim, a filosofia assume, a um só tempo, o caráter socrático do autoconhecimento e o esclarecimento reflexivo da posição do indivíduo diante da verdade cristã. Polemista por excelência, Kierkegaard criticou a Igreja oficial da Dinamarca, com a qual travou um debate acirrado, e foi execrado pelo semanário satírico O Corsário, de Copenhague. Kierkegaard censurou a Igreja por ser um refúgio para os tímidos e os complacentes. Menosprezou os ministros religiosos de sua época porque se negavam a crer na Igreja militante, e porque, segundo ele, eram falsos “buscadores”, que buscavam a placidez e posições influentes na sociedade mais que a salvação pelo sofrimento. “Os ensinamentos de Cristo diluíram-se tanto e degradaram a tal ponto que a Igreja aboliu praticamente o cristianismo em nome de Cristo. Por que não vemos já a contradição existente entre o caráter do cristianismo como luta e a essência do Estado como entidade quantitativa? Por que não vemos que o Estado paga a seus funcionários – os ministros do culto – para que destruam o cristianismo?” Walter Lowrie comenta sobre Kierkegaard: “ele é perfeitamente capaz de nos convencer de que não somos cristãos e talvez nos faça ver com clareza que não desejamos chegar a ser cristãos”. Em 1849, publicou Doença Mortal e, em 1850, Escola do Cristianismo, em que analisa a deterioração do sentimento religioso.

Por Lucas Rafael Chianello

Sócrates

Nascido em Atenas, no subúrbio de Alopece, Sócrates (469 - 399 a.C.) é considerado um marco divisório da história da filosofia grega. Os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos e os que o sucederam de pós-socráticos.

"O mestre da Grécia e do mundo" não deixou nada escrito. Tudo o que se sabe sobre ele foi escrito por Platão e Xenofonte, além de outros autores que também fizeram referência ao grande filósofo.

Seu pai era Sofronisco, um escritor e sua mãe era Fenareta, parteira da cidade. Viveu quase toda sua vida em Atenas, se ausentando dela por raras vezes.

Sócrates, desde muito jovem mostrou o brilho de sua inteligência e um grande interesse pela ciência física. Relatos nos contam que sua aparência física era de total ausência de beleza.

Tornou-se mestre do Liceu, além de desenvolver diálogos críticos com pessoas de qualquer posição social em praças ou qualquer outro lugar. Por não se importar com as condições sociais de seus interlocutores foi acusado de injusto com os deuses da cidade. Sócrates desrespeitava a ordem vigente de Atenas. Ia contra os valores dogmáticos da sociedade ateniense. Por tudo isso foi condenado a beber cicuta (veneno) que lhe causara a morte.

Ao lhe perguntarem se não se envergonhava de ter se dedicado a uma profissão que lhe condenara a morte, respondeu: "Estás enganado, se pensas que um homem de bem deve ficar pensando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida e morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos e injustos, corajosos ou covardes."

Sócrates já com 56 anos casou-se com Xantipa (de caráter insuportável), jovem ateniense aristocrática. Desse casamento teve três filhos.

Os diálogos socráticos se dividiam em dois momentos básicos: Ironia e Maiêutica. Ironia nesse caso tem o sentido de interrogação, pois Sócrates de fato interrogava seus interlocutores.Esses diálogos giraram em torno da verdade, da justiça, do bem, da virtude e do dever. Durante o diálogo evidenciava as contradições das respostas de seus interlocutores fazendo com que eles deixassem de lado orgulho, a arrogância e a presunção do saber. A primeira virtude do sábio é tornar-se consciente de sua ignorância. "Sei que nada sei."

"Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber.
Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei."

O discípulo teria que tomar consciência de suas contradições e ignorâncias. A Maiêutica consistia no discípulo conceber suas próprias idéias. Depois de se libertar de sua pretensão de que tudo sabia, iniciava a reconstrução de suas próprias idéias através de uma série de questões habilmente colocadas pelo mestre.

Profª. Edna de Oliveira

Bultmann , Rudolf


Bultmann nasceu em 1884 em Wiefelsted e faleceu em 1976. Teólogo protestante alemão, estudou em Marburgo, Tubingen e Berlim. Foi professor em Marburgo. Foi influenciado pelo existencialista Heidegger, tornando-se um teólogo existencialista.

Questões como o nascimento virginal de Cristo, os milagres do Novo Testamento, a ressurreição e a ascensão de Cristo, a existência de demônios, anjos, etc, eram eliminados de sua teologia pelo o processo de demitização, pois achava que muitos dos relatos neotestamentários são frutos da imaginação do homem ou de elementos mitológicos presentes na cultura. Dizia que a bíblia fora escrito em linguagem mitológica, que é absoleta para os nossos dias. O teólogo moderno tem então a tarefa de demitizar a bíblia despindo-a de seus trajes lendários, mitológicos e tentando descobrir as verdades existenciais que se encontram nos textos.

As pessoas só podem encontrar a mensagem do amor de Cristo mediante a demitização da bíblia. A bíblia em si mesma não é revelação, mas uma expressão primitiva pelo qual Deus se revela pessoalmente, mas não se esquecendo que antes temos que demitizá-la corretamente.

Como já disse, Bultmann era existencialista e um vocábulo bem usado neste meio era “angst”. Angst significa “angústia”, e era usado para descrever a situação básica do homem, ou seja, os existencialistas diziam que devido às situações trágicas que os homens enfrentam nesta vida, todos têm um sentimento de pavor e angústia dentro de si, porém o homem, ou melhor, a existência humana é boa e otimista. O existencialismo acaba entrando no campo do humanismo e às vezes até no ateísmo, como aconteceu com Sartre. Bultmann usa a teologia no meio existencialista, porém ensinando que o khrugma(proclamação do evangelho) como sendo o meio de levar salvação aos homens, deve ser reinterpretada segundo a ótica existencialista, levando em conta a liberdade do homem e sua angústia. O khrugma seria determinadas idéias fundamentais religiosas e morais, uma ética idealista. Em se tratando de ética, ele explicava que o homem pode ser dominado por questões carnais, o que gera uma angústia que oprime o homem e o torna escravo, ou seja, nesse ponto ele é totalmente existencialista.

Apesar dessas idéias existencialistas, Bultmann afirmava que Deus falou ao mundo através de Cristo e continua falando até hoje. A fé também em certo sentido foi defendida por esse teólogo ao dizer que a fé liberta os indivíduos do passado, trazendo liberdade para viver um bom futuro. O amor também teve espaço em sua teologia como sendo o imperativo fundamental de toda ética. Dizia que o homem precisa ter fé no espírito do evangelho cristão e não precisa de base histórica.

Nietzche foi mais longe que Bultmann chegando a negar a existência de Deus. O existencialismo cristão defendido por Bultmann, kierkegaard e outros deixou de desenvolver para não culminar no ateísmo.

Seus escritos foram: Jesus and the Word; Belief and Understanding; Theology of the New Testament; The Question of Demythologizing; History and Eschatology; Jesus Christ and Mytology.

Prof. Yuri Almeida

Niebuhr, Reinhold


Nasceu em Wright City, no Missouri (USA), 1892. Estudou no Elmhurst College, no Seminário Teológico Éden e na Escola de Divindade de Yale. Foi um destacado pastor e trabalhou na faculdade do Seminário Teológico União. Morreu em 1971.

Ficou conhecido por ser envolvente nas questões públicas e por seu pensamento sobre a ética e apologética. Ensinava o pecado original e a posição caída do homem, fazendo parte da escola da neo-ortodoxia. Defendia que apesar do homem estar caído, ele é responsável pelos seus atos, ou seja, o homem é livre.

Não era fascinado pela história como Tillich, cria que os conflitos vividos pelo homem vão além do processo histórico - é claro que sua crença na queda do homem e do pecado original, influencia diretamente esse pensamento pendente para a ortodoxia. Sabemos que foi no século XX que a pneumatologia começou a se desenvolver com mais intensidade, porém Niebuhr não salientou o estudo do Espírito Santo, mas na cristologia ele referia-se a Cristo como a “chave” do mistério da existência humana, o “símbolo” do amor eterno.

Com apoio em seu pensamento ético rejeitou o liberalismo religioso. Gostava dos escritos agostinianos sobre a natureza humana, mas negava a doutrina da total depravação do homem, ou seja, ele rejeitava a concepção calvinista de depravação total, porém não negava a trágica posição do ser humano.

Esse teólogo via a verdade apresentada na bíblia, e não a encarava como elemento metafísico. Certa época de sua vida apoiou o marxismo e o pacifismo, mas depois rejeitou essas idéias justamente devido à visão amartiológica marxista, isto é, achava que faltava ao marxismo uma compreensão sobre a pecaminosidade do homem, e automaticamente um importante ponto da questão de como o homem pode ser aprimorado.

Na política ele reconhecia as irracionalidades do homem, mas buscava meios de dar racionalidade e direção a ele. As mudanças institucionais eram mais importantes do que as mudanças no coração do homem. Niebuhr achava o capitalismo adequado para o meio político, sendo que este sistema pode trazer boas modificações para sociedade.

Seus escritos foram: Moral Man and Immortal Society; An Interpretation of Christian Ethics; Beyond Tragedy; Christianity and Power Politics; The Nature and Destiny of Man; The Children of Light and The Children of Darkness; Christian Realism and Political Problems; Pious and Secular America.

Prof. Yuri Almeida

Platão

Platão viveu entre 428-7 a 348-7 a.C. Ateniense, seu nome verdadeiro era Arístocles. Foi discípulo de Sócrates. Foi o primeiro filósofo a deixar obras completas de filosofia e coube a ele também a tarefa de escrever o que seu mestre havia discursado para os discípulos da época. Assim como Sócrates, pregava a busca pela verdade e tinha como alvo o ataque aos sofistas (falsos filósofos) e todos aqueles que valorizavam a palavra mais que a verdade.

Como descendente de importantes políticos tendeu desde cedo aos interesses que envolviam as tramóias políticas. Se dedicava ao conhecimento ético e seu principal objetivo passou a ser a associação entre a verdade e a filosofia, buscando assim idéias mais justas, pois havia desde a condenação de Sócrates se desiludido com a justiça. Sua principal obra, A República, prega a idéia do "sadio governante", no qual tentou difundir a idéia da Sofocracia que divide o trabalho de cada um segundo a razão. Havia portanto os que nasciam para governar e os que nasciam para serem governados. Em seu "Mito das Cavernas" expõe claramente seu dualismo em nível de seu idealismo no campo do conhecimento. Esse dualismo platônico irá mais tarde refletir em religiões como o cristianismo por exemplo.

Platão tentou difundir suas idéias políticas em Siracusa. Mas seu pensamento não foi aceito pela política ditadora que imperava. Além da República, outra importante obra foi O Banquete, que seria uma discussão sobre o Amor num banquete oferecido por Agáton em sua casa.

"A importância de Platão é tanta que seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo e junto com seu mestre Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentariam as bases de toda filosofia ocidental."

Prof. Wesley Martins Soares

Platão

Platão viveu entre 428-7 a 348-7 a.C. Ateniense, seu nome verdadeiro era Arístocles. Foi discípulo de Sócrates. Foi o primeiro filósofo a deixar obras completas de filosofia e coube a ele também a tarefa de escrever o que seu mestre havia discursado para os discípulos da época. Assim como Sócrates, pregava a busca pela verdade e tinha como alvo o ataque aos sofistas (falsos filósofos) e todos aqueles que valorizavam a palavra mais que a verdade.

Como descendente de importantes políticos tendeu desde cedo aos interesses que envolviam as tramóias políticas. Se dedicava ao conhecimento ético e seu principal objetivo passou a ser a associação entre a verdade e a filosofia, buscando assim idéias mais justas, pois havia desde a condenação de Sócrates se desiludido com a justiça. Sua principal obra, A República, prega a idéia do "sadio governante", no qual tentou difundir a idéia da Sofocracia que divide o trabalho de cada um segundo a razão. Havia portanto os que nasciam para governar e os que nasciam para serem governados. Em seu "Mito das Cavernas" expõe claramente seu dualismo em nível de seu idealismo no campo do conhecimento. Esse dualismo platônico irá mais tarde refletir em religiões como o cristianismo por exemplo.

Platão tentou difundir suas idéias políticas em Siracusa. Mas seu pensamento não foi aceito pela política ditadora que imperava. Além da República, outra importante obra foi O Banquete, que seria uma discussão sobre o Amor num banquete oferecido por Agáton em sua casa.

"A importância de Platão é tanta que seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo e junto com seu mestre Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentariam as bases de toda filosofia ocidental."

Prof. Wesley Martins Soares

Tillich, Paul


Nasceu em 20 de agosto de 1886 em Starzeddel, atual Starosiedle, Polônia e faleceu em 22 de outubro de 1965 em Chicago. Estudou teologia em Berlim, Tübingen e Halle. Na Universidade de Breslau doutorou-se em filosofia, em 1910.

Foi ordenado pastor em 1912. Foi capelão na Primeira Guerra Mundial. Foi professor de teologia e filosofia em Marburgo, Dresden, Leipzig e Frankfurt. Em 1929, sucedeu a Max Scheler.

Não podemos esquecer que este grandioso teólogo foi ainda, o fundador do "Socialismo Religioso", juntamente com outros amigos, e adversário declarado do nazismo. Pela oposição ao nazismo, em 1933 deixou a Alemanha e foi para os Estados Unidos convidado por Reinhold e Richard Niebuhr. Foi professor de Teologia Filosófica no Union Theological Seminary (em Harvard) e na Columbia University (New York) e também na Universidade de Chicago. Foi um teólogo-filófoso e representante do existencialismo religioso.

Tillich abordava questões humanas com a teologia e as correlacionava até com a economia, as ciências e outros campos de estudo. Usava também a história para construir sua teologia. Ensinava que a teologia deve unir-se ao empreendimento humano, pois isso a completa e a livra de erros já cometidos na história. É portanto necessário que a teologia correlacione com a política, a ciência, a sociologia, a ética, a antropologia e etc.

Devido sua visão existencialista, dizia que a teologia sistemática deve ter também caráter apologético, analisando a situação do homem em geral, trazendo uma aplicação do evangelho. Usava muita linguagem simbólica, pois cria que o símbolo pode ter mais resultado que a mensagem direta. Os símbolos apontam para a realidade, mas a realidade não resolve os mistérios da vida. Nossos conhecimentos são sempre fragmentados e nunca trará a nós uma resposta de todos os mistérios da vida.

Questões como ”céu e inferno” não podem ser literalmente interpretados, pois essas questões apontam para uma realidade mais concreta. Para Tillich, fé é a coragem de existir - essa é uma definição bem existencialista - e redenção é o homem ser um novo ser. A explicação tillichiana de Deus está no campo do existencialismo, pois afirma que Deus é o ser em si mesmo, sendo a resposta para o homem e para a história. Deus também, ao ser o ser em si mesmo, passa a ser o fundamento infinito e inesgotável da história.

O homem vive alienado, sendo o pecado uma alienação, e sendo a resposta ou solução para essa alienação existencial o Novo Ser em Cristo. Esse teólogo não via a filosofia como inimiga da teologia, pelo contrário, Tillich não é somente um teólogo ou filósofo, mas é um teólogo-filósofo, isso é claramente percebido em suas obras; em seu livro intitulado “Perspectivas Da Teologia Protestante Nos Séculos XIX e XX”, o casamento entre o discurso teológico e a visão filosófica faz dessa obra um livro rico em conhecimento e que aguça no leitor um desejo de conhecer mais.

Apesar de Tillich falar muito sobre os símbolos e as linguagens antropomórficas, ele também dizia sobre a morte dos símbolos, ou seja, de acordo que nosso conhecimento cresce e amplia, os símbolos vão perdendo força e a realidade se aproxima mais de nossas concepções. Tillich era um pouco cético em relação às definições de Deus, pois cria que o homem nunca terá a definição verdadeira de Deus, mas no máximo uma definição expansiva, mas não completa.

Recebeu o prêmio da paz dos editores alemães em 1962.

Suas obras principais foram: A coragem de ser (The Courage to be), Dinâmica da fé (Dynamics of Faith), Teologia Sistemática (Systematic Theology), História do pensamento cristão (A History of Christian Thought), Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX (Perspectives on 19th and 20th Century Protestant Theology), A Era Protestante (The Protestant Era). E em espanhol escreveu: El futuro de las religiones, Filosofia de la religion, Teologia de la cultura y otros ensayos.

Prof. Yuri Almeida