quarta-feira, 4 de novembro de 2009

18 do Forte de Copacabana (1922)

Fim dos combates: Avenida Atlântica



Fim dos combates: Avenida Atlântica

Forte de Copacabana

Siqueira Campos, um dos sobreviventes da revolta tenentista.

Eduardo Gomes, um dos sobreviventes da revolta tenentista.




Leitura sobre o assunto.

Zumbi

INTRODUÇÃO

A imagem de Zumbi nas historiografias e historietas.

Uma coisa é certa quando se fala em Zumbi: várias pessoas têm se utilizado de sua imagem e a manipulado. Ora de forma extremamente preconceituosa e etnocêntrica, colocando o mais famoso rei de palmares como um simples líder de bárbaros, violentos e criminosos escravos; ora tentando converter Zumbi em um herói da nação brasileira, um homem que morreu porque queria um Brasil de liberdade e igualdade entre as raças. Existe até os que se apropriam da imagem de Zumbi para politicagens, praticamente transformando o rebelde negro em um revolucionário socialista, o qual lutava por reforma agrária, distribuição de renda, por um mundo de inteira liberdade, uma espécie de marxista, mesmo que Marx estivesse longe de existir. Pode-se afirmar, indubitavelmente, que todas as imagens traçadas anteriormente são apenas caricaturas. Para entender Zumbi é preciso se livrar de vários anacronismos históricos, é preciso entendê-lo como um escravo do Brasil colonial, que lutava pela sua liberdade e pela de um grupo que o rodeava, que não está preocupado em fazer uma revolução, derrubar governos e sim em trazer benesses para o seu povo explorado e sofrido. Não se pode pensar que Zumbi queria a libertação de um Brasil o qual nem conhecia direito e não lhe via com bons olhos, nem a deposição e decapitação do Rei português, nem reforma agrária. Manter o Quilombo dos Palmares, fazer crescê-lo na agricultura, no comércio, ter um exército forte e uma grande população eram objetivos muito mais reais para a sua época e que estavam muito mais ao seu alcance e de seu povo. Só tentando entender dessa forma se pode construir uma imagem um pouco mais real desse importantíssimo personagem histórico e suprir assim a falta de documentação para traçar uma história de tanta luta, a qual infelizmente está escrita nos livros de história somente com base nos escritos dos inimigos dos palmarinos, já que os quilombolas de Palmares nada deixaram escrito, ou se deixaram, nunca foi encontrado.

A VIDA GUERREIRA
Em um Brasil colonial e escravista, movido pela mão-de-obra negra, nasceu um negro bebê, por volta de 1655, dentro de um quilombo chamado Palmares que estava completando cerca de 60 anos, localizado na serra da Barriga, na capitania de Pernambuco, perturbava o governo local, o qual precisava destruí-lo.

Nessa mesma época uma expedição militar atacou o já famoso Palmares e entre vários estragos que causou, levou essa negra criança, que posteriormente iria ser dada de presente a um padre do distrito de Porto Calvo, chamado Antônio de Melo. Para prestar homenagem a São Francisco de Assis, ou simplesmente por vontade de colocar um nome católico na criança, o padre passou a chamar o menino de Francisco e assim o criou, sempre dentro das normas católicas. Embora o menino fosse escravo, Antônio de Melo não lhe deu o mesmo tratamento que outros escravos recebiam na colônia. Francisco, pode-se dizer, sem olvidar sua condição de escravo, recebia um bom tratamento, aprendeu a ler, recebeu boa educação para os padrões da época e aos 10 anos de idade foi iniciado no latim, quando começou a exercer a função de coroinha. Era extremamente inteligente, tanto que fez o padre Antônio de Melo escrever que ele possuía “engenho jamais imaginado na sua raça e que bem poucas vezes encontrara em brancos”.
Os medos, as histórias, os cochichos sobre Palmares se espalhavam por toda a colônia. O jovem coroinha conhecia as histórias de negros que para lá haviam fugido e assim tinham se livrado da escravidão, lá estavam seus verdadeiros descendentes, sua família. Francisco, com aproximadamente 15 anos de idade, resolveu fugir junto com outros escravos, abandonou o padre Antônio de Melo e voltou para o Quilombo dos Palmares, sua terra natal.
O primeiro feito do jovem Francisco depois da fuga foi negar a coisa que mais lhe fazia lembrar da sua condição de escravo: seu nome cristão. Autodenominou-se Zumbi, nome o qual não se sabe exatamente o significado, os mais prováveis são “Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” e “Morto Vivo”.
Zumbi rapidamente ficou famoso e querido dentro de Palmares, aos 17 anos já tinha assumido a importantíssima função de chefe guerreiro do quilombo. Foi com essa idade que liderou a grande vitória sobre os 600 homens de Antônio Jácome Bezerra, que haviam se lançado contra o Quilombo dos Palmares. Havia sido uma vitória de inteligência e estratégia, sabendo que iria ser atacado, Zumbi organizou o Palmares para receber a expedição e a destroçou.
Em novembro de 1674, Palmares lutou em uma sangrenta e difícil batalha contra a expedição de Manuel Lopes, a qual possuía superioridade bélica, o que fez os palmarinos perderem a capital de Palmares, Macaco, para os invasores que ficaram ali durante 5 meses, até descobrirem para onde haviam fugido vários dos quilombolas. Quando isso ocorreu, foram travar nova batalha, não menos sanguinária, 800 negros morreram e Zumbi levou um tiro na perna, mas conseguiu fugir. Foi essa a primeira grande derrota do Quilombo dos Palmares.
Empolgados com a vitória, os opositores de Palmares organizaram novas expedições para tentar destruí-lo de vez, Fernão Carrilho obteve vitória no mocambo palmarino de Aqualtene e marchou para o mocambo de Subupira, onde encontrou apenas cinzas, pois os próprios quilombolas haviam queimado o lugar antes de fugir. Ali Carrilho construiu seu arraial. Em futuras batalhas, conseguiu aprisionar o rei do quilombo, Ganga Zumba, mas por pouco tempo, pois este conseguiu fugir ferido, deixando suas armas para trás. Depois de um tempo, acreditando ter derrotado Palmares, Carrilho deixou a região, porém só havia derrotado apenas 3 mocambos, os quais ficavam distantes uns dos outros.
Palmares continuava em pé e assim que soube disso o governador da capitania de Pernambuco resolveu tirar proveito do atual momento de fraqueza dos palmarinos para abrir uma negociação, já que também os portugueses não estavam em seu melhor momento para combater, pois já haviam perdido muitas forças expulsando holandeses que por vários anos tinham tomado conta da capitania.
Ganga Zumba acabou assinando o acordou de paz com os portugueses, tentando fazer com que o quilombo respirasse no meio de tantas derrotas, porém recebeu forte oposição e Zumbi surgiu como o principal nome entre os que exigiam a sua saída da posição de rei. Acusavam-no de chefiar as tropas bêbado, de roubar (um dos crimes mais graves do quilombo) e de não perceber que o acordo de paz não passava de uma enganação por parte dos portugueses. Palmares estava dividido entre os que defendiam Ganga Zumba e os que estavam do lado de Zumbi. Em alguns mocambos chegou a haver luta entre essas duas forças palmarinas, por fim, os que com Zumbi estavam fizeram com que Ganga Zumba fugisse para Cucaú, porém essa fuga não foi o suficiente, Ganga Zumba viria a morrer envenenado em 1678.
Como novo rei de Palmares Zumbi expulsou os seguidores de Ganga Zumba e começou a organizar os mocambos de todo o quilombo de forma estratégica para a guerra que iria recomeçar, submeteu os homens válidos a uma forte preparação guerreira, aumentou postos de vigilância, fez estoque de armas e munição e melhorou as fortificações da capital. Palmares ressurgiu com força e foi o pesadelo de alguns senhores de engenho. Assim novas expedições contra o quilombo subiram a serra da Barriga, Manoel Lopes atacou mais uma vez, porém fracassou. Fernão Carrilho, tentou, mas também nada conseguiu além de uma derrota. Palmares, governado por Zumbi, estava mais forte e bem preparado para a guerra do que nunca.
A maioria da população em Palmares era masculina, acredita-se que uma família era composta por uma mulher unida com dois homens, porém Zumbi, como rei, tinha uma vida distinta quanto a isso, tinha direito a ter várias esposas, acredita-se que ele tenha tido 3. Graças a essa desigualdade numérica entre os sexos é que os palmarinos nos ataques feitos a engenhos, não só roubavam alimentos e utensílios, roubavam também mulheres, fossem elas brancas ou negras para irem construir família no quilombo. O governo de Zumbi foi o que mais teve a presença desses ataques, em represália a invasões, libertavam escravos, seqüestravam mulheres, roubavam armas e munições e incendiavam plantações de cana-de-açúcar.
Novas tentativas de negociação com Palmares são feitas, porém nenhuma é bem sucedida. O rei de Portugal chega a escrever uma carta para Zumbi, porém de nada adianta. Palmares não quer diálogo com os portugueses.
Uma nova e demorada expedição se arruma para atacar Palmares, desta vez liderada pelo brutal paulista Jorge Velho, caçador de índios, tinha um exército formado por vários deles. Em 1691 esses homens chegam a Pernambuco com um numerosos exército, porém a bem posicionada defesa de Palmares, organizada por Zumbi, repeliu o ataque.
Em fins de 1693 e princípio de 1694 Jorge Velho liderou novo ataque, agora com um exército de 9.000 homens e seis canhões. Aproveitando-se da falha de um sentinela de Palmares que dormiu no horário de serviço, a expedição armou uma cerca de pau-a-pique acompanhando a proteção do quilombo, a qual serviria de proteção para os soldados. Na manhã de 5 de fevereiro de 1694 Zumbi realizou uma inspeção e ficou extremamente irritado com a manobra do inimigo, ordenou então que o dorminhoco sentinela fosse executado.
Depois de ter estudado uma forma de neutralizar o escudo inimigo Zumbi descobriu uma brecha entre a proteção que dava para um precipício, ali estava a única chance de furar o bloqueio e atacar. Na madrugada do dia 6 o plano foi posto em prática, só que um sentinela inimigo percebeu o movimento e acordou todo o acampamento que se armou para uma terrível luta. Quando amanheceu, tropas de Vieira Melo e Jorge Velho invadiram o quilombo e provocaram um dos maiores massacres da história do Brasil, muitíssimos negros foram degolados, nem as crianças eram poupadas. Mesmo que os escravos pudessem valer dinheiro, os palmarinos eram um mal que precisavam ser eliminados. No dia 7 de fevereiro já se sabia da novidade: havia caído o maior e mais duradouro quilombo da história da América.
Os portugueses comemoraram a vitória, porém Zumbi ainda estava vivo, no início de 1695 foi reconhecido liderando um ataque à vila de Penedo, o governo preparou-se novamente para caçá-lo.
Antônio Soares, um dos chefes palmarinos sobreviventes foi capturado, torturado e teve a liberdade prometida se em troca entrega-se Zumbi. Ele, que era um dos homens no qual Zumbi mais confiava levou uma tropa pernambucana até ele. Chegaram a noite e armaram uma emboscada, a tropa se colocou escondida e Soares apareceu gritando por Zumbi, este alegre veio ao encontro do amigo, ao se aproximar teve um punhal encravado em seu estômago. A tropa escondida saiu de seu lugar e terminou de executá-lo. O calendário marcava 20 de novembro de 1665.
Muitos acreditavam que Zumbi era imortal, para acabar com esse mito o governo levou seu corpo até Porto Calvo e lá o decapitou. Sua cabeça foi salgada e espetada em um pedaço de pau para ser exposta na praça principal da cidade até que se decompusesse por inteiro.
No ano de 1978 o Movimento Negro Unificado transformou a data do assassinato de Zumbi no Dia da Consciência Negra, um dos objetivos foi opor essa data ao dia da libertação dos escravos, 13 de maio, já que a segunda na realidade só ocorreu graças a interesses do império em entrar em uma fase capitalista e não integrou os negros à sociedade. Quanto a região onde se encontrava o quilombo dos Palmares, hoje ainda vivem pessoas lá que se dizem descendentes daqueles palmarinos que viveram há séculos atrás. Alguns historiadores acreditam que Palmares ainda se reergueu, mesmo que muito debilmente, após a morte de Zumbi.

Fontes:
Caros Amigos - Rebelde Brasileiros 1 - Zumbi/Chiquinha Gonzaga - Casa Amarela.

MELLO, José Barboza. História das Lutas do Povo Brasileiro, Editora Leitura, 1973.

http://odia.ig.com.br/sites/cnegra/zumbi2.htm

Por Vinícius Antunes da Silva

Voltaire


François-Marie Arouet, conhecido Voltaire, nasceu em Paris em 21 de novembro de 1694 e morreu em 30 de maio de 1778, na mesma cidade. Sua mãe, que descendia de família nobre, morreu quando ele tinha seis anos e deixou a imagem de uma mulher bondosa. Seu pai, tabelião bem sucedido, junto com seu irmão mais velho, seguiam o jansenismo, seita cristã que acreditava na predestinação do homem. Por isso preocuparam em dar a Voltaire uma educação religiosa, e fez-se com tanto rigor que causou no menino pavor por qualquer religião.

Mais tarde, Voltaire negou sua paternidade e declarou-se filho de Monsieur de Fochebrum e tornou-se um anti-clerical obstinado.

Desde pequeno, Voltaire mostrou talentos literários. Escrevia versos e gostava muito de ler. Foi ajudado pela cortesã Ninon de Lenclos, vizinha dos Arouet, que lhe deixou uma herança de 2000 (dois mil) francos, para serem gastos em livros.

Voltaire montou uma biblioteca e foi educado pelo abade de Coucrigny, cético e livre pensador contratado pela família. Também foi educado no Colégio de Louis-le-Grand, dirigido por jesuítas que lhe ensinaram a arte de argumentar. Estudava Direito para agradar ao pai, mas gostava mesmo dos versos, das tavernas da madrugada e da bebida.

O Sr. Arouet, seu pai, tentou iniciá-lo na carreira diplomática. Fez com que o marquês Chateauneuf, embaixador que, iria para os países baixos, levasse Voltaire como seu secretário. Como não queria saber do trabalho, só pensava na namorada que acabara de conhecer. Era Pimpette, filha de um refugiado protestante. Apesar de inúmeras ligações amorosas, talvez Pimpette foi a mais importante de sua vida e que acabou logo, depois de perder o emprego e voltar a Paris.

Cético, com bom humor e espírito libertino, andava pelos salões parisiense. Fazia sucesso entre as mulheres e era admirado pelos amigos. Entre críticas e piadas sobre nobres e a corte, foi preso na bastilha por lhe ser atribuído um poema que acusava o regente de querer usurpar o trono.

O regente se arrepende, solta Voltaire, e lhe concede uma pensão. Solto, vê o sucesso de "Édipo" peça escrita na cadeia. Voltaire ganha dinheiro com todos os tipos de negócios (inclusive financiamento de tráfico de escravos). Sua segunda peça Artemira é um fracasso, muito sensível à provação pública. Contrai varíola e não aceita ser cuidado pelos médicos, entra em estado de coma, mas sobrevive e descobre que seu poema Henríada, também escrito na cadeia, é um sucesso.

Depois de desafiar um nobre em 1726 durante um jantar em Paris, é preso novamente e solto sob a condição de deixar a França. Voltaire foi para a Inglaterra, onde admirou profundamente as instituições e os cientistas ingleses. Um país em que se tinha liberdade de expressão e não haviam perseguidos religiosos.

De volta à França, escreveu "Cartas Filosóficas sobre os ingleses", em que comparava a Inglaterra a França, ridicularizando a nobreza ociosa e o clero fanático de seu país (mas não assinou a obra). Esse livro serviu para impulsionar a Revolução Francesa.

Voltaire pode voltar aos salões parisiense, mas depois de lhe ser confiados as cartas à sua autoria, seus livros forma queimados e Voltaire fugiu com a mulher de um de seus amigos. Um ano depois estava de volta graças a tolerância da Coroa com os literários.

Voltaire já tinha quarenta anos e sua amante, Emília Breteuil, Marquesa de Châtelet, mulher extremamente inteligente, vinte e oito anos, se refugiam no castelo de Cirey. Nessa época Voltaire escreveu "Micromegas", "Zadig" e "O Ingênuo", novelescas engraçadas .

Foi eleito em 1746 para a Academia Francesa, se separou da amante e voltou a fazer sucesso com uma série de tragédias.

Em 1751 aceitou o convite de Frederico II, imperador da Prússia e vai morar na Corte de Potsdam, onde vive três anos, mas depois de desentendimentos com o rei vai residir em Ferney.

Voltaire foi um dos mais importantes iluministas, conhecido como o campeão da liberdade individual. Disse a um de seus adversários: "Não concordo dom uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo".

Sua obra-prima é "Cândido ou o Otimismo", uma crítica a visão otimista do sistema criado pro Leibniz. Critica os governantes e a religião e imagina um país fictício, "O Eldorado", onde não havia maldades, padres, nem dinheiro, e sim paz, liberdade e solidariedade. Esse país ficaria em algum lugar da América do Sul, inacessível a Europa.

Foi dito que Voltaire preparou o mundo para a liberdade.

Profª. Edna de Oliveira

zuinglio

Ulrich (ou Huldreich) Zuínglio foi um dos principais reformadores protestantes, sendo líder da reforma na Suíça. Nasceu em 1484 na vila de Toggenburg, em Wildhaus, São Gal, na Suíça. Foi o terceiro de oito filhos de um rico meirinho. Foi educado em Viena e Basiléia, onde também ensinou. Conhecia os clássicos e chegou a ser mestre em Artes. Aprendeu música e a tocar alguns instrumentos musicais. Escreveu várias obras, em latim e alemão. Heinrich Bullinger (discípulo de Zuínglio) relatou que Zuínglio tinha memorizado em grego todas as epístolas paulinas, ou seja, ele conhecia bem o grego. Diferente de Lutero, não obteve doutorado em Teologia.

Foi extremamente influenciado pelo humanismo de Erasmo de Rotterdam, quem manteve correspondência mesmo depois de ordenado padre, em 1506. Dedicou-se aos estudos do Novo Testamento, o que lhe deu base para propor uma reforma, visto que todos os reformadores protestantes davam muito valor a bíblia. A doutrina da autoridade da bíblia foi defendida pelo reformador em sua obra Sobre a Clareza e Certeza da Palavra de Deus. Seu biblicismo o levou a crer que a bíblia é autoridade suficiente nas questões de fé e prática, e não a tradição da Igreja. Não apoiava as práticas abusivas de algumas doutrinas da Igreja Romana da época. Condenou ardentemente as indulgências, o jejum, a veneração dos santos católicos e o celibato dos padres. Em 1524 casou-se com Anna Reinhard. Opôs-se à venda de mercenários feita pela Suíça.

Em 1518 foi chamado para Zurique, comandando uma reforma. Em 1523 publicou as Sessenta e Sete Conclusões, uma de suas primeiras formulações doutrinárias. Pregava que o evangelho não está sujeito as aprovações da Igreja, sendo que a igreja se afastou desse evangelho e que este não está ligado as restrições eclesiásticas do catolicismo. Ensinava a comunhão dos santos e o sacerdócio de todos os crentes. Em sua obra Comentário Sobre a Verdadeira e Falsa Religião, estabeleceu a distinção entre Igreja visível e Igreja católica mística (Igreja invisível), composta por todos os santos (salvos, segundo o protestantismo).

Não ensinou a separação Igreja e Estado, mas parece que cria em um governo democrático. Sobre o batismo, pregava que esse deveria ser feito na infância, como paralelo a circuncisão judaica. Discordou de Lutero na questão da ceia, sendo que Lutero defendia a consubstanciação e Zuínglio defendia o Memorial.

Um dos seguidores de Zuínglio, a saber: Conrado Grebel, foi o fundador dos menonitas. Não podemos esquecer que o reformador suíço opôs-se aos anabatistas, apesar de um grupo anabatista ter originado dele, mesmo que ilegitimamente.

A reforma de Zuínglio não obteve sucesso em todos cantões suíços, sendo que, os cinco mais antigos cantões da federação helvética não apoiaram a crescente reforma. Devido a isso, Zurique impôs sanções políticas e econômicas a esses cantões. O resultado dessas imposições foi uma revolta que culminou em ataque por parte desses cantões a Zurique. Zuínglio participou das lutas como capelão e foi morto em 1531 durante a luta, em Kappel. Heinrich Bullinger foi um dos reformadores que deram continuidade a causa protestante na Suíça.
Prof. Yuri Almeida

Trotski, Leon

Veja fotos de Trotski

Trótski foi um revolucionário da Revolução Russa. Seu nome verdadeiro em ucraniano era "Лев Давидович Троцький" que pode ser transliterado como Lev Davídovitch Bronstein. Seu apelido de família era "Бронштейн" que pode ser transliterado como Bronstein.
Nascido na Ucrânia em 7/11/1879, era de família judaica e de agricultores. Estudou no liceu da cidade de Nikolaiev e depois cursou Matemática por um período em Odessa.

Desde os 17 anos combateu veemente o regime tzarista, militando na época do Tzar Nicolau II. Em 1898 foi preso e deportado para a Sibéria, fugindo para Londres, onde conheceu Lênin. Ali, colaborou no jornal Iskra (A Centelha) e participou do encontro do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Evitando anacronismo, o nome Social-Democrata não tem nada a ver com a social democracia de hoje, sendo essa uma doutrina político-econômica posterior.

Em 1905 retornou à Rússia. Foi líder do soviete de Petrogrado (capital na época, atual São Petesburgo). Os sovietes eram assembléias de operários e camponeses que organizavam ações revolucionárias. Ainda em 1905, Trótski participou da passeata feita para alertar Tzar Nicolau II sobre sua política. Nesse episódio o Tzar ordenou que os cossacos (polícia russa) atirassem na multidão, morrendo mais de 200 mil pessoas. Foi o chamado domingo Sangrento.

Deportado novamente para a Sibéria, desta vez ele conseguiu fugir para o Vetnã, onde trabalhou como jornalista até 1914. Em 1917 voltou para a Rússia, participando ativamente da Revolução Socialista, que derrubou o governo provisório de Kerenski. Como líder do soviete de Petrogrado, Trótski aproveitou a onda de indignação que varria a Rússia e distribuiu armas aos operários, contando com ajuda de muitas unidades militares cujos soldados preferiam desobedecer os coronéis e generais para seguir os bolcheviques. Nessa revolução, Kerenski fugiu para os EUA disfarçado de mulher.

Com os bolcheviques no poder, Lênin transformou o Partido Bolchevique em Partido Comunista e a Rússia passou a se chamar União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Trótski passou a ser comissário das Relações Exteriores e assina, em 1918, o Tratado de Brest-Litovsk, que foi um acordo de paz em separado com a Alemanha, tirando a URSS da 1º Guerra, como ansiava o povo desde à época do Tzar Nicolau II.

Houve retaliação à revolução. Catorze países capitalistas, juntamente com a antiga nobreza e burguesia russas formaram o Exército Branco que entrou em conflitos com a URSS. Trótski, em defesa a URSS formou o Exército Vermelho, responsável pela resistência aos contra-revolucionários, que enfrentou várias forças de oposição – mencheviques, czaristas, forças armadas de potências estrangeiras e grupos nacionalistas de etnias não-russas. O Exército Vermelho venceu, pois os países capitalistas estavam afligidos pela 1º Guerra. Contudo, a URSS entrou numa fase de crise econômica devido o Cordão Sanitário formado pelos do exército Branco. A crise foi tão intensa que as pessoas comiam cadáveres para matar a fome. Daí a lenda de que "comunista come criancinha".

Após a morte de Lênin, em 1924, Trótski e Josef Stálin disputaram o governo da URSS. Trótski defendia a revolução internacional, que se espalhasse o socialismo a outros países, mas Stálin queria implantar o socialismo apenas na URSS. Stálin venceu a disputa devido sua influência no Partido Comunista.

Em 1927 Trótski é expulso do partido e em 1929 deportado. Sua irmã Olga casou com Lev Kamenev, líder bolchevique que era ligado a Stálin no triunvirato que afastou Trótski do poder. Passou por vários países, Turquia, França e Noruega até chegar ao México, a convite do pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em sua casa e mais tarde na casa da esposa de Rivera, a pintora Frida Khalo. Em 1940 foi assassinado. Há historiadores que afirmam que esse assassinato foi por ordem de Stálin. Contudo, um revisionismo histórico dentro da própria Rússia tem demosntrado que Stalin não era esse genocida pintado e que Trótski fora um que se opusera a Stalin por questão política, sendo um dos responsáveis pela imagem ruim cunhada ao Estadista.

Entre seus livros estão Tarefas Políticas (1904), Entre o Imperialismo e a Revolução de 1922, História da Revolução Russa (1930), A Revolução Permanente (1930) e A Revolução Traída (1936), que é uma crítica ao stalinismo.

Criticou a burocracia do estado stalinista e pregou uma 2º revolução, restauradora do estado democrático-socialista. Claro que isso foi após perder a disputa com Stalin e já no exílio, pois na realidade Trótski defendia a expansão do socialismo e não tinha nada de democrático.

Prof. Yuri Almeida

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Münzer, Tomás

Tomás Münzer nasceu em Stolberg, na montanha de Harz, no final do século XV. Parece que seu pai foi enforcado injustamente por condes de Stolberg. Com apenas quinze anos de idade, aluno em Halle, fundou uma liga secreta contra o arcebispo de Magdeburgo e a igreja romana. Foi um grande teólogo e capelão em convento de monjas. Negou a transubstanciação. Estudou os escritos quiliásticos de Joaquim, o Calabrês e também os místicos medievais.

Na época da reforma, Tomás Münzer via a difícil situação alemã como o princípio de um novo reino milenário, o juízo de Deus sobre o mundo pecaminoso - influência de Joaquim, o calabrês. Foi para Zwickau em 1520, onde encontrou uma seita quiliasta formada por pessoas das camadas "inferiores" da sociedade que se opunham aos dominadores. Essa seita era anabatista, sob o comando de Nicolau Storch. Anunciavam o milênio e eram místicos, com ênfase em profecias e dons espirituais. Münzer não se identificou totalmente com essa seita anabatista, porém os defendeu diante do Conselho de Zwickau num conflito, tendo que abandonar a cidade juntamente com os fiéis da seita em 1521.

Em Praga esteve em contato com os hussitas. Devido suas pregações reformistas, teve que abandonar a Boêmia. Em 1522 esteve pregando em Altstadt, reformando o culto através da supressão do latim (antes de Lutero) e permitindo que se lessem toda a bíblia e não apenas as epístolas e evangelhos. Graças as pregações reformistas de Münzer, Altstadt veio a ser o centro do movimento anticlerical popular em toda Turíngia. Ao contrário de Lutero, não era um reformador pacífico e incitava a violência contra o clero romano.

Em face da situação social e política da Alemanha (nessa época ainda não existia o estado alemão), Münzer foi um reformador voltado as necessidades dos oprimidos. Afirmava que o estabelecimento do reino de Deus significa uma sociedade sem diferenças de classes sociais, sem propriedade privada e sem poder estatal. Friedrich Engels em As guerras camponesas na Alemanha afirmou que o programa político de Münzer tinha afinidades com o comunismo.

Tomás Münzer foi um grande líder dos camponeses na conhecida Revolta dos Camponeses, em que Lutero opôs aos camponeses e apoiou os príncipes, sendo massacrados milhares de camponeses, inclusive Tomás Münzer. Durante essa guerra entre os nobres opressores (defendidos por Lutero) e os oprimidos camponeses (defendidos por Münzer), Münzer escreveu a Lutero através da carta pública a Lutero e o chamou de doutor Mentiroso, doutor Patinha de Gato, o novo Papa de Wittenberg, doutor Cadeira de Balanço e também amante dos banhos de sol. A condenação de Lutero ao movimento social camponês foi tão severa, que também em 1525 (ano que Münzer escreveu carta pública a Lutero) Lutero escreveu Contra as hordas salteadoras e assassinas de camponeses dizendo: "Acho que não sobrou nenhum diabo no inferno, transformaram-se todos em camponeses."

A defesa de Münzer a reforma religiosa, política e econômica o levou a morte em sua verdadeira luta contra aqueles que oprimem.

Prof. Yuri Almeida

Kierkegaard, Søren Aabye


Kierkeggard (5 de Maio de 1813 - 11 de Novembro de 1855) foi um teólogo e um filósofo dinamarquês do século XIX, que é conhecido por ser o "pai" do existencialismo, embora algumas novas pesquisas mostrem que isso pode ser uma conexão mais difícil do que fora, previamente, pensado.

Filosoficamente, ele fez a ponte entre a filosofia hegeliana e aquilo que se tornaria no Existencialismo. Kierkegaard rejeitou a filosofia hegeliana do seu tempo e aquilo que ele viu como o formalismo vácuo da Igreja luterana dinamarquesa. Muitas das suas obras lidam com problemas religiosos tais como a natureza da fé, a instituição da fé cristã, e ética cristã e teologia. Por causa disto, a obra de Kierkegaard é, algumas vezes, caracterizada como Existencialismo Cristão (em oposição ao existencialismo de Jean-Paul Sartre ou ao Proto-existencialismo de Friedrich Nietzsche, ambos derivados de uma forte base ateística). Apaixonado teólogo dinamarquês do século XIX, Kierkegaard ficou no esquecimento durante três gerações, até que foi redescoberto como grande místico cristão, pregador de nova fé e fundador da tão discutida filosofia do existencialismo. Até o século XX (1937, cento e vinte anos depois de seu nascimento) não se fizera uma tradução inglesa de suas obras, e o público em geral não sabia nada dele. Na década de 40 foi aclamado como “o intérprete mais profundo da psicologia da vida religiosa desde Santo Agostinho”, como profeta que predisse a crise que se seguiria à tirania militarista, ao desprezo do ditador pelo indivíduo, à crueldade da terrível mentalidade de rebanho e à “bancarrota total para a qual parece precipitar-se toda a Europa”.

A obra de Kierkegaard é de difícil interpretação, uma vez que ele escreveu a maioria das suas obras sob vários pseudônimos, e muitas vezes esses pseudo-autores comentam os trabalhos de pseudo-autores anteriores. Ao Conceito da Ironia, que foi a sua dissertação para obter o grau de professor, seguiu-se Ou isto ou aquilo (Enten-Eller), que apareceu assinado por Victor Eremitus. Temor e tremor, a que chamou de “lírica dialética”, veio à luz com o pseudônimo de Johannes de Silentio. O nome do autor de O Conceito do Temor, que aparece à frente da obra, é Virgilius Haufniesis. O pseudônimo de Etapas do Caminho da Vida é Hilarius Bookbinder. Escreveu outros livros sob Johannes Climacus, Inter et Inter, Frater Taciturnus, H.H., Constantin Constantius.

Kierkegaard é um dos raros autores cuja vida exerceu profunda influência no desenvolvimento da obra. As inquietações e angústias que o acompanharam estão expressas em seus textos, incluindo a relação de angústia e sofrimento que ele manteve com o cristianismo – herança de um pai extremamente religioso, que cultuava a maneira exacerbada os rígidos princípios do protestantismo dinamarquês, religião de Estado. Sétimo filho de um casamento que já durava muitos anos – nasceu em 1813, quando o pai, rico comerciante de Copenhague, tinha 56 e a mãe 44 –, chamava a si mesmo de "filho da velhice" e teria seguido a carreira de pastor caso não houvesse se revelado um estudante indisciplinado e boêmio. Trocou a Universidade de Copenhague, onde entrara em 1830 para estudar filosofia e teologia, pelos cafés da cidade, os teatros, a vida social. Foi só em 1837, com a morte do pai e o relacionamento com Regina Oslen (de quem se tornaria noivo em 1840), que sua vida mudou. O noivado, em particular, exerceria uma influência decisiva em sua obra. A partir daí seus textos tornaram-se mais profundos e seu pensamento, mais religioso. Também em 1840 ele conclui o curso de teologia, e um ano depois apresentava "Sobre o Conceito de Ironia", sua tese de doutorado. Esse é o momento da segunda grande mudança em sua vida. Em vez de pastor e pai de família, Kierkegaard escolheu a solidão. Para ele, essa era a única maneira de vivenciar sua fé. Rompido o noivado, viajou, ainda em 1841, para a Alemanha. A crise vivida por um homem que, ao optar pelo compromisso radical com a transcendência, descobre a necessidade da solidão e do distanciamento mundano, está em Diários. Na Alemanha, foi aluno de Schelling e esboça alguns de seus textos mais importantes. Volta a Copenhague em 1842, e em 1843 publica A Alternativa, Temor e Tremor e A Repetição. Em 1844 saem Migalhas Filosóficas e O Conceito de Angústia. Um ano depois, é editado As Etapas no Caminho da Vida e, em 1846, o Post-scriptum a Migalhas Filosóficas. A maior parte desses textos constitui uma tentativa de explicar a Regina, e a ele mesmo, os paradoxos da existência religiosa.

Kierkegaard elabora seu pensamento a partir do exame concreto do homem religioso historicamente situado. Assim, a filosofia assume, a um só tempo, o caráter socrático do autoconhecimento e o esclarecimento reflexivo da posição do indivíduo diante da verdade cristã. Polemista por excelência, Kierkegaard criticou a Igreja oficial da Dinamarca, com a qual travou um debate acirrado, e foi execrado pelo semanário satírico O Corsário, de Copenhague. Kierkegaard censurou a Igreja por ser um refúgio para os tímidos e os complacentes. Menosprezou os ministros religiosos de sua época porque se negavam a crer na Igreja militante, e porque, segundo ele, eram falsos “buscadores”, que buscavam a placidez e posições influentes na sociedade mais que a salvação pelo sofrimento. “Os ensinamentos de Cristo diluíram-se tanto e degradaram a tal ponto que a Igreja aboliu praticamente o cristianismo em nome de Cristo. Por que não vemos já a contradição existente entre o caráter do cristianismo como luta e a essência do Estado como entidade quantitativa? Por que não vemos que o Estado paga a seus funcionários – os ministros do culto – para que destruam o cristianismo?” Walter Lowrie comenta sobre Kierkegaard: “ele é perfeitamente capaz de nos convencer de que não somos cristãos e talvez nos faça ver com clareza que não desejamos chegar a ser cristãos”. Em 1849, publicou Doença Mortal e, em 1850, Escola do Cristianismo, em que analisa a deterioração do sentimento religioso.

Por Lucas Rafael Chianello

Sócrates

Nascido em Atenas, no subúrbio de Alopece, Sócrates (469 - 399 a.C.) é considerado um marco divisório da história da filosofia grega. Os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos e os que o sucederam de pós-socráticos.

"O mestre da Grécia e do mundo" não deixou nada escrito. Tudo o que se sabe sobre ele foi escrito por Platão e Xenofonte, além de outros autores que também fizeram referência ao grande filósofo.

Seu pai era Sofronisco, um escritor e sua mãe era Fenareta, parteira da cidade. Viveu quase toda sua vida em Atenas, se ausentando dela por raras vezes.

Sócrates, desde muito jovem mostrou o brilho de sua inteligência e um grande interesse pela ciência física. Relatos nos contam que sua aparência física era de total ausência de beleza.

Tornou-se mestre do Liceu, além de desenvolver diálogos críticos com pessoas de qualquer posição social em praças ou qualquer outro lugar. Por não se importar com as condições sociais de seus interlocutores foi acusado de injusto com os deuses da cidade. Sócrates desrespeitava a ordem vigente de Atenas. Ia contra os valores dogmáticos da sociedade ateniense. Por tudo isso foi condenado a beber cicuta (veneno) que lhe causara a morte.

Ao lhe perguntarem se não se envergonhava de ter se dedicado a uma profissão que lhe condenara a morte, respondeu: "Estás enganado, se pensas que um homem de bem deve ficar pensando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida e morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos e injustos, corajosos ou covardes."

Sócrates já com 56 anos casou-se com Xantipa (de caráter insuportável), jovem ateniense aristocrática. Desse casamento teve três filhos.

Os diálogos socráticos se dividiam em dois momentos básicos: Ironia e Maiêutica. Ironia nesse caso tem o sentido de interrogação, pois Sócrates de fato interrogava seus interlocutores.Esses diálogos giraram em torno da verdade, da justiça, do bem, da virtude e do dever. Durante o diálogo evidenciava as contradições das respostas de seus interlocutores fazendo com que eles deixassem de lado orgulho, a arrogância e a presunção do saber. A primeira virtude do sábio é tornar-se consciente de sua ignorância. "Sei que nada sei."

"Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber.
Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei."

O discípulo teria que tomar consciência de suas contradições e ignorâncias. A Maiêutica consistia no discípulo conceber suas próprias idéias. Depois de se libertar de sua pretensão de que tudo sabia, iniciava a reconstrução de suas próprias idéias através de uma série de questões habilmente colocadas pelo mestre.

Profª. Edna de Oliveira

Bultmann , Rudolf


Bultmann nasceu em 1884 em Wiefelsted e faleceu em 1976. Teólogo protestante alemão, estudou em Marburgo, Tubingen e Berlim. Foi professor em Marburgo. Foi influenciado pelo existencialista Heidegger, tornando-se um teólogo existencialista.

Questões como o nascimento virginal de Cristo, os milagres do Novo Testamento, a ressurreição e a ascensão de Cristo, a existência de demônios, anjos, etc, eram eliminados de sua teologia pelo o processo de demitização, pois achava que muitos dos relatos neotestamentários são frutos da imaginação do homem ou de elementos mitológicos presentes na cultura. Dizia que a bíblia fora escrito em linguagem mitológica, que é absoleta para os nossos dias. O teólogo moderno tem então a tarefa de demitizar a bíblia despindo-a de seus trajes lendários, mitológicos e tentando descobrir as verdades existenciais que se encontram nos textos.

As pessoas só podem encontrar a mensagem do amor de Cristo mediante a demitização da bíblia. A bíblia em si mesma não é revelação, mas uma expressão primitiva pelo qual Deus se revela pessoalmente, mas não se esquecendo que antes temos que demitizá-la corretamente.

Como já disse, Bultmann era existencialista e um vocábulo bem usado neste meio era “angst”. Angst significa “angústia”, e era usado para descrever a situação básica do homem, ou seja, os existencialistas diziam que devido às situações trágicas que os homens enfrentam nesta vida, todos têm um sentimento de pavor e angústia dentro de si, porém o homem, ou melhor, a existência humana é boa e otimista. O existencialismo acaba entrando no campo do humanismo e às vezes até no ateísmo, como aconteceu com Sartre. Bultmann usa a teologia no meio existencialista, porém ensinando que o khrugma(proclamação do evangelho) como sendo o meio de levar salvação aos homens, deve ser reinterpretada segundo a ótica existencialista, levando em conta a liberdade do homem e sua angústia. O khrugma seria determinadas idéias fundamentais religiosas e morais, uma ética idealista. Em se tratando de ética, ele explicava que o homem pode ser dominado por questões carnais, o que gera uma angústia que oprime o homem e o torna escravo, ou seja, nesse ponto ele é totalmente existencialista.

Apesar dessas idéias existencialistas, Bultmann afirmava que Deus falou ao mundo através de Cristo e continua falando até hoje. A fé também em certo sentido foi defendida por esse teólogo ao dizer que a fé liberta os indivíduos do passado, trazendo liberdade para viver um bom futuro. O amor também teve espaço em sua teologia como sendo o imperativo fundamental de toda ética. Dizia que o homem precisa ter fé no espírito do evangelho cristão e não precisa de base histórica.

Nietzche foi mais longe que Bultmann chegando a negar a existência de Deus. O existencialismo cristão defendido por Bultmann, kierkegaard e outros deixou de desenvolver para não culminar no ateísmo.

Seus escritos foram: Jesus and the Word; Belief and Understanding; Theology of the New Testament; The Question of Demythologizing; History and Eschatology; Jesus Christ and Mytology.

Prof. Yuri Almeida

Niebuhr, Reinhold


Nasceu em Wright City, no Missouri (USA), 1892. Estudou no Elmhurst College, no Seminário Teológico Éden e na Escola de Divindade de Yale. Foi um destacado pastor e trabalhou na faculdade do Seminário Teológico União. Morreu em 1971.

Ficou conhecido por ser envolvente nas questões públicas e por seu pensamento sobre a ética e apologética. Ensinava o pecado original e a posição caída do homem, fazendo parte da escola da neo-ortodoxia. Defendia que apesar do homem estar caído, ele é responsável pelos seus atos, ou seja, o homem é livre.

Não era fascinado pela história como Tillich, cria que os conflitos vividos pelo homem vão além do processo histórico - é claro que sua crença na queda do homem e do pecado original, influencia diretamente esse pensamento pendente para a ortodoxia. Sabemos que foi no século XX que a pneumatologia começou a se desenvolver com mais intensidade, porém Niebuhr não salientou o estudo do Espírito Santo, mas na cristologia ele referia-se a Cristo como a “chave” do mistério da existência humana, o “símbolo” do amor eterno.

Com apoio em seu pensamento ético rejeitou o liberalismo religioso. Gostava dos escritos agostinianos sobre a natureza humana, mas negava a doutrina da total depravação do homem, ou seja, ele rejeitava a concepção calvinista de depravação total, porém não negava a trágica posição do ser humano.

Esse teólogo via a verdade apresentada na bíblia, e não a encarava como elemento metafísico. Certa época de sua vida apoiou o marxismo e o pacifismo, mas depois rejeitou essas idéias justamente devido à visão amartiológica marxista, isto é, achava que faltava ao marxismo uma compreensão sobre a pecaminosidade do homem, e automaticamente um importante ponto da questão de como o homem pode ser aprimorado.

Na política ele reconhecia as irracionalidades do homem, mas buscava meios de dar racionalidade e direção a ele. As mudanças institucionais eram mais importantes do que as mudanças no coração do homem. Niebuhr achava o capitalismo adequado para o meio político, sendo que este sistema pode trazer boas modificações para sociedade.

Seus escritos foram: Moral Man and Immortal Society; An Interpretation of Christian Ethics; Beyond Tragedy; Christianity and Power Politics; The Nature and Destiny of Man; The Children of Light and The Children of Darkness; Christian Realism and Political Problems; Pious and Secular America.

Prof. Yuri Almeida