sexta-feira, 30 de abril de 2010

Canudos

Canudos era um vilarejo situado no sertão norte da Bahia, lugarejo pobre, longe da capital do país, Rio de Janeiro e do estado, Salvador. Na república velha, a decentralização do poder fez surgir o coronelismo, que oprimia a população tanto quanto o período imperial. Os impostos aumentaram, a república não beneficiou em nada as camadas mais pobres do Brasil, surgindo alguns movimentos rurais de resistência ao governo, como em Canudos e Contestado e muitos movimentos urbanos, como o tenentismo, revolta da chibata, revolta da vacina, greves, manifestações, etc.

Forças federais estacionadas na vizinha cidade de Monte Santo, da qual partiriam os comboios da segunda expedição contra Canudos.

Uma das raríssimas fotos de Canudos íntegra, antes dos ataques que iriam destruí-la. Um modo de viver que contrastava com o resto do sertão. Há mais registros fotográficos do exército e das forças legais.

Num acampamento do Exército brasileiro, à espera do ataque ao arraial. Os soldados da fotografia estão na hora do rancho.

Nas campanhas militares contra Canudos, reuniram-se forças do Exército e tropas estaduais baianas com o poderio bélico crescente.

O leito seco do rio Vaza-Barris ilustra os gravíssimos períodos de estiagem que afligiam o Nordeste na época das peregrinações.

Nas grandes cidades, a imprensa recorria às charges para retratar o "fanático" e a repressão militar a ele.

Mulheres e crianças se entregam aos soldados da quarta expedição militar contra Canudos: fraqueza, fome, doenças e principalmente, medo.

A Igreja de Antônio Conselheiro foi destruída a tiros de canhão. A maioria dos canudenses presos foi degolada. A Igreja Católica considerava Conselheiro um herege. Por isso não houve problemas de bombardear seu templo.

Antônio Conselheiro morto. Foi encontrado em cova rasa, vestindo sua túnica azul e sandálias. Esta é a única fotografia que se tem dele. Canudos deveria ser motivo de vergonha ao exército brasileiro.

As ruínas da igreja, atualmente. Só ficam visíveis quando baixa muito o nível das águas do açude de Cocorobó, que inundou toda a região.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Igreja Católica na Colonização da América Espanhola

Introdução

Bem saibamos a forte influência e o grande poder que a Igreja Católica exercera no período conhecido como Idade do Meio, conhecida até mesmo como uma grande Senhora Feudal, controladora de toda a vida social, política e até mesmo econômica na Europa, onde muito se confundia e se misturava o poder Estatal com o poder Religioso. Assim, a Igreja muitas vezes assumia o papel de Estado, controlado pelo Alto Clero.

Enaltecer o poder religioso como um mero meio para não perder o poder político – uma vez que o feudalismo estava em crise – e manter os privilégios da Igreja na Europa não bastou para a ambição do alto clero; e já com toda a experiência de propagar a fé cristã - adquirida nas Cruzadas – para todos aqueles povos pagãos sob a ótica da Igreja, era a mais eloquente substância sob a qual a Igreja participou ativamente no processo colonizador do “Novo Mundo” até então desconhecido pelos europeus amedontrados pela Igreja Católica para não se lançarem no mar desconhecido. Portanto a Igreja se colocou em oposição a suas próprias ideologias sobre um abismo no fim do oceano, sobre seres e monstros que habitavam o tenebroso mar desconhecido.

Com toda a sua cobiça de levar a fé cristã (pois era altamente lucrativo mais fiéis) a Igreja esteve presente desde o primeiro momento no processo de conquista, desempenhando um relevante papel no que condiz à dominação daquele povo sem cultura e sem fé, assim vistos pelos europeus tão empenhados em propagar a fé católica que em nome de Jesus Cristo e de seu rei irão cometer atrocidades e verdadeiros genocídios com os nativos aqui no “Novo Mundo”; atos estes permitidos pelo Alto Clero que irá despertar opiniões sobre o comportamento dos espanhóis na forma em como colonizar os índios. Irá surgir aqueles que apóiam o massacre para impor a colonização e a cristianização dos nativos, como é o caso de Sepulveda, e também aqueles que apóiam a colonização e a cristianização sem o massacre e sem as violentas guerras contra os nativos, onde irá destacar Bartalomeu de Las Casas como um defensor da cristianização do nativos de modo a valorizar a pessoa humana.

Enalteceremos o papel da Igreja no processo de colonização da América Espanhola bem como a visão que esta tinha dos nativos e discutiremos o papel de Sepulveda e de Las Casas, que eram representantes da Igreja, no processo de colonização.

1 – A Igreja e a Colonização

Em uma análise crítica e profunda a cerca do “descobrimento” do “Novo Mundo”, podemos afirmar que ao gosto de Colombo sua maior intenção não era o enriquecimento e sim a propagação da fé cristã assim como afirma Hilário (2008, p. 64):

A ambição de Colombo não era totalmente em relação á obtenção de riquezas, embora fosse com a promessa de ouro que ele acalmava a sua tripulação e o rei da Espanha, o financiador da viagem. A expansão do cristianismo era muito mais importante para Colombo doque o ouro: [...].

Nessa perspectiva podemos afirmar que o “descobrimento” das novas terras por Colombo teve como ponto de partida o objetivo de propagar a fé cristã, na qual Colombo prometendo ao rei da Espanha, Fernando de Aragão – financiador da viagem - que traria consigo riquezas, tendo em vista o contexto histórico pelo qual a Europa passava com a crise do Feudalismo e a busca por metais preciosos era de fundamental importância para a Espanha.

Após a constatação da chegada de Colombo em terras a oeste do continente Europeu – achando que havia chegado no Oriente – e vendo aquele povo tão inocente que trocara ouro por qualquer que fosse a troca, constatando a grande quantidade de metais preciosos naquelas terras, os espanhóis se viram como seres superiores até mesmo culturalmente àqueles nativos – nomeados de índios – que por sua ótica – a primeira vista - viam os espanhóis como verdadeiros deuses. Por esse fato, considerando-se superiores aos nativos, levando em consideração as proporções do mercantilismo na Europa os espanhóis tão logo trataram de colonizar aquelas terras, e para isso não contaram nem com a vida, nem com a cultura dos nativos. Com o início da colonização os nativos sofreram toda e qualquer tipo de violência e ao mesmo tempo em que Colombo os subjulgavam como seres bárbaros também os consideravam homens na proporção que procurou convertê-los, conforme afirma Ferro (1996, p. 50).

Se traz a religião, é porque os considera homens, iguais e idênticos a si mesmo, e, portanto, pode convertê-los. Mas basta que eles não se deixem mais espoliar e Colombo já começa a achar que convém subjugá-los, com o gládio, se necessário: “Eles prestam para ser mandados”. Portanto, os que ainda não são cristãos só podem mesmo é ser escravos. [...]

A Igreja até que se preocupou na elaboração de algumas leis à respeito de proteção dos nativos, mas tão inúteis que nem ao menos preservou legados culturais, como é o caso da civilização maia. A crueldade e a brutalidade dos espanhóis foi, segundo Carvalho (S/D) decorrência deireta de uma época na qual antigas justificativas religiosas das desigualdades entre os seres humanos conjugaram-se ao nascente desejo desenfreado de enriquecer dos europeus. [...].


A Igreja ao se deparar com povos tão diferentes, adoradores de vários deuses, que cometiam sacrifícios humanos em oferenda aos deuses, consideraram-os como povos sem fé, sem cultura e na perspctiva de uma colonização até mesmo em nome de Jesus Cristo, a Igreja começou um processo de catequização dos índios, para os tornarem seres com almas, mas nunca o bastante para se tornarem homens livres.

Como se observa, os espanhóis chegaram à América certos da superioridade de sua civilização e dos seus valores. Os outros eram bárbaros, pagãos. Canibais, que não conheciam a escrita, a tração animal, nem, é claro, o único e verdadeiro Deus. Realizavam cultos estranhos – muitas vezes, com sacrifícios – a deuses desconhecidos. Por fim, falavam outra língua, tornando ainda mais incompreensíveis seus hábitos, costumes e crenças.

Eis uma característica, incipiente na época, mas que se intensificará no decorrer da Era Moderna: o desrespeito às diferenças e à cultura dos outros povos. De fato, a modernidade é marcada por um intenso processo de homogeneização das identidades culturais, de silenciamento de saberes e práticas sociais alternativas e, enfim, de naturalização das relações de poder através da imposição de discursos e verdades supostamente únicos e universais. A imposição de dogmas religiosos – e, hoje, acrescentaríamos, científicos – como forma de dominar e subjugar povos estranhos é, com certeza, algo ainda marcante na nossa época. (CARVALHO, S/D, p. 57)

Certos de sua supremacia, a Igreja controlando e manipulando a vida das pessoas e tomando frente a colonização “preocupados” com a vida insana que os nativos levavam, baixou vários documentos regularizando a colonização como é o caso da Bula de Participação na qual o Papa conferia o poder de colonizar aos espanhóis – isso porque achavam que o Papa havia recebido o poder das terras americanas de São Pedro conforme liam no Requerimento - que como contrapartida tinha a missão de difundir a fé católica. Também não podemos deixar de falar aqui do Requerimento, documento de fundamental importância que permitia a intervenção nas colônias podendo declarar guerra justa àqueles que se opunham ao domínio espanhol. Temos também a Lei dos Burgos que bem dizer era a preocupação com a forma de tratamento dos índios e colocando como responsabilidade dos encomendeiros a cristianização dos índios e a instrução dos filhos dos caciques. Assim como também as Leis Novas, na qual proibia novas conquistas e o confisco de encomendas que ainda prevaleciam na colônia. Como nós brasileiros, já calejados com o não cumprimento das Leis pelos altos escalões e a impunidade como sempre permanece, nada foi diferente naquela época.

Ocorre que tais leis não foram efetivadas. A forte resistência por parte dos encomendeiros, inclusive com a realização de motins, pode ser pontada como a principal causa. Em termos jurídicos, criou-se um instituto que permitia que, em havendo razões justificadoras, as leis da Coroa não fossem cumpridas na colônia: “Se acata, pero no se cumple”, diziam os conquistadores. Com base nesse dispositivo, a autoridade colonial podia suspender o cumprimento da lei da Coroa, cabendo ao rei homologar o feito ou, ao contrário, determinar – o que dificilmente acontecia – o seu imediato cumprimento. (CARVALHO, S/D, p. 61)

2 – Las Casas versus Sepúlveda

Encomendeiro que com medo do juízo final perante Deus, Las Casas abre mão dos prestígios do cargo para ingressar como dominicano na defesa dos nativos aqui da América, reconhecia a dignidade e os direitos humanos dos nativos, baseando-se no direito natural. Mesmo assim, Las Casas não os reconheciam como seres iguais aos de sua origem européia. Condenava as atrocidades cometidas com os ameríndios pelos espanhóis.

Las Casas denunciou a realidade trágica dos indígenas por meio de sua obra, aliando elementos do Cristianismo com os trágicos da Conquista. Para ele, nada era mais perceptível do que a dizimação, a ameaça e a destruição feitas pelos espanhóis na colonização. (AMEDI, 2007, p. 1)

Las Casas não se opunha à colonização, mas sim ao modo de como era conduzida a colonização, os meios violentos usado pelos espanhóis, os massacres e todas as atrocidades cometidas com aqueles povos. Defendia e reconhecia as diferenças e apontava que se para os espanhóis os índios eram “bárbaros” – como afirmava Sepúlveda – para os índios os espanhóis também eram “bárbaros”, pois eram diferentes de sua cultura, falavam outra língua e sem contar da real barbaridade que os espanhóis cometeram com os nativos. Essa afirmativa segue a mesma linha de pensamento a respeito da relativização de povos bárbaros na defesa de Las Casas na perspectiva de Carvalho (S/D, p. 66),

[...] Para tanto, relativizou o conceito, demonstrando que, sob a ótica dos ameríndios, os espanhóis também eram bárbaros, na medida em que falavam uma língua ininteligível e, o que é pior, cometiam atrocidades e crueldades de toda espécie contra os habitantes do Novo Mundo. Foram tais atrocidades, acrescenta Las Casas, que puseram a organização social dos indígenas em desordem, sendo um equívoco apontar que, desde o início, conforme sua natureza, os índios viveriam nesse estado.

Ao contrário de Las Casas, Sepulveda defendia as atrocidades sobre os ameríndios, pois os consideravam inferiores à sua civilização e portanto era justo que pessoas de níveis mais baixos fossem submetidos ao domínio. Sepulveda ainda defendia que quando a submissão não fosse aceita de forma pacífica, era permitida a violência e qualquer que fosse a forma brutal sobre os povos a fim de mostrar-lhes o poder superior dos espanhóis.

Portanto, sendo certo que os índios eram povos bárbaros – ou seja, que não têm fé, leis, sacrificam e se alimentam de vítimas humanas em cultos satânicos –, inferiores aos espanhóis, nada mais justo e conforme a natureza que estes os dominassem. Além disso, os conquistadores poderiam recorrer à violência a fim de impor a dominação, pois a conquista era vista como um ato de justiça, capaz de retirar o bárbaro da sua barbárie, oferecendo-lhe todas as benesses da vida civilizada. (CARVALHO, S/D, p. 64)

3 – Conclusão

O processo de colonização da América recebeu fortemente influência da Igreja Católica, tanto na defesa da colonização sob massacres e genocídios, reconhecendo a desigualdade entre as raças para impor o poder quanto na defesa de uma colonização reconhecendo a dignidade, as diferentes identidades e tendo a igualdade entre os homens para uma colonização mais humana. Tanto Sepúlveda quanto Las Casas defendia a colonização, porém com formas diferentes de colonizar. A elaboração de Leis, em um modo complexo, foi inútil. A certo de que a impunidade foi apoiada, já que as terras americanas estavam longe da coroa e dos olhos do rei, também não é de duvidar que se estivesse perto, este não fecharia os olhos para tanta crueldade, pois o que realmente interessava era o enriquecimento da Coroa, tendo em vista o latente mercantilismo que se alastrava pela Europa. Assim como hoje o imperialismo estigmatiza nações também o colonialismo seguiu a mesma ideologia, preponderando sempre a forma do mais forte sobre o mais fraco, como no capitalismo o capital se sobrepõe a qualquer poder o mercantilismo – a forma primitiva do capitalismo – também não foi diferente, baseando-se no metalismo não havia qualquer que fosse a ideologia que cessasse o massacre das civilizações. O desrespeito com as leis e a impunidade é impregnado na América Latina como legado cultural, pois nós brasileiros quem digamos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMEDI, Natalia da Costa. Bartalomé de Las Casas. Disponível em: http://www.unicamp.br/%7Eaulas/Conjunto%20III/r2.pdf. Acesso em: 11 de Abril de 2009.

CARVALHO, Lucas Borges de. Direito e Barbárie na Conquista da América Indígena. Disponível em: http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/sequencia/article/viewFile/1261/1257. Acesso em: 08 de Abril de 2009.

FERRO, Marc. História das Colonizações. São Paulo: Campanhia das Letras, 1996.

HILÁRIO, Janaína Carla S. Vargas. História da América I. Londrina: Editora CDI Unopar, 2008.


por Hugo Fernando do Couto Faco

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Guerra do Vietnã

Saigon, Vietnã, 1975. Vietcongs entram triunfantes em Saigon, após vinte anos lutando por sua independência.

Um tanque americano M41 patrulha ruas de uma cidade sul-vietnamita. Embora inigualável em campo aberto, o tanque é extremamente vulnerável em ambientes urbanos.

Soldado da infantaria no Vietnã do Sul empunha metralhadora Browning. Aparentemente sem proteção, ele faz parte de um amplo arco de fogo, que dá cobertura à tropa em avanço.

Soldados americanos em Hué em fevereiro de 1968, usam uma metralhadora M60, de calibre 7,62 mm.

Soldado em posição de tiro dando cobertura para retirada de um fuzileiro ferido, seus companheiros o puxam no meio de um fogo cerrado com o inimigo.

Soldados desembarcando de helicóptero sobre território inimigo.

Vietnã, 1975. Soldado vietnamita organizando a evacuação dos civis de Saigon.

Soldados americanos interrogam um adolescente.

Criança abandonada, sentada no chão, após a fuga dos seus pais devido à chegada dos fuzileiros que rastreavam a área em busca de vietnamitas favoráveis a uma autonomia da região.
Linda foto. Retrato de uma guerra, seu sofrimento.

Vietcongs mortos em ação sendo alinhados para atearem fogo em seus corpos.

Protestos contra a Guerra explodem em Saigon e Hanói, enquanto o exército prepara seus movimentos.

Protesto contra a guerra nos EUA. Muitos movimentos em favor da paz explodiram em todo o país, pressionando o governo americano para assinar um acordo pacífico com o Vietnã.

Fuzileiros em missão de procura.

Duc Phong, Vietnã, 1966. Um Vietcong suspeito é amarrado e interrogado por mercenários da tribo chinesa Nung. Os Nungs formavam uma unidade organizada e comandada pelas Forças Especiais Norte Americanas. Após quinze minutos nesta posição, o suspeito confessou ser um atirador de tocaia (sniper). Amarrado desta maneira, ele confessaria ser até Ho Chi Minh ou John Kennedy.

Tonkin, Vietnã, 1 de Dezembro, 1952. Prisioneiro vietnamita na Batalha de Na San.

An Thi, Vietnã, 1966.

Soldado de Infantaria, armado com uma metralhadora, prepara-se para patrulha.

Um barco monitor ao longo do rio Mekong sendo atacado por forças Vietcong.

Vietnã, 1966. Fuzileiros americanos em patrulha de reconhecimento se preparam para contra-atacar infiltrações norte vietnamitas ao sul da ZDM.

Da Nang, Vietnã, 1965. O Chefe do Yankee Papa 13, James Farley, carrega duas metralhadoras M-60 para o seu helicóptero na base aérea de Da Nang.

Fuzileiros americanos ocupam uma vila, ao norte de Da Nang.

Emboscada americana.

Helicópteros UH-1, Huey Hogs, atacando posições Vietcong.

UH-1 Huey Hog armado com foguetes - hydras - e uma metralhadora Chain Gun em cada porta. O soldado que operava a metralhadora era chamado de Door Gunner ou Gunshooter.

Proximidades de Da Nang, Vietnã, 1965.Enquanto o Yankee Papa 13 se aproxima da zona de pouso, o Chefe da Tribulação James Farley dispara com sua metralhadora M-60.

Da Nang, Vietnã, 1968. Huey Hog patrulhando as proximidades de Da Nang em busca de posições Vietcongs.

Um atirador de helicóptero (Door Gunner) fuma, enquanto o UH-1, chamado de Huey, retorna a Bien Hoa, próximo a Saigon. Sua unidade passou a manhã a procura de posições vietnamitas que dispararam foguetes na noite passada.

Saigon, Vietnã, 1975.Destroços da capital Sul vietnamita, a ponto de ser dominada pelos Vietcongs.

Saigon, Vietnã, 1975.Destroços da capital Sul vietnamita, a ponto de ser dominada pelos Vietcongs.

Vietnã, 1965.Em um depósito de armamentos, o Chefe de Tripulação James Farley chora, pelo fim trágico de sua missão.

Vale A Shau, Vietnã, 1967.Fuzileiro americano morto pela Guerrilha Vietcong.

Phnom Penh, Cambodia, 1975.Após um ataque de foguetes ao mercado central de Pochentong, um triciclo é utilizado para transportar os mortos e feridos.

Um suspeito jovem vietcong chora, após ouvir o tiro de um rifle. Seus captores, homens da tribo chinesa Nung, a serviço das Forças Especias Americanas, fingiram atirar em seu pai, um recurso utilizado para fazer com que o garoto revelasse informações sobre a Guerrilha Comunista.

Siem Reap, Cambodia, 1974. Garota cambojana com um rifle.

Budista vietnamita protesta contra a guerra atirando fogo no corpo.

Vietnã, 1962. A Força Aérea Americana atava o país com Napalm.
Foto clássica da guerra. Relata bem o sofrimento que uma guerra causa a população.

Equipamento usado pela maioria dos soldados no Vietnã: Mochila, sinalizador, metralhadora (geralmente uma M-16), munição,comida - ração C - cantil com água, capacete, machadinha, facão, barraca, lona, artigos de higiene pessoal, talco para os pés,alguns remédios básicos - como analgésicos - pistola Colt .45 Dependendo da patente do soldado, seu equipamento pode diferir do aqui mencionado.

Os soldados americanos ateavam fogo às palhoças vietnamitas.

Contagem de corpos, dos quais figuram em maior número crianças e adolescentes. Após a contagem, eles eram sepultados em um buraco, queimados ou "recolhidos" pelos seus amigos e parentes.

Soldado americano ferido em emboscada.

Lavradores vietnamitas mortos por soldados americanos.

Ilha de Tan Dinh, Delta do Mekong, Vietnã, 1965.Comandante do Batalhão Vietnamita Capitão Thach Quyen interroga um suspeito Vietcong.

Tortura praticada por soldados americanos. Nesse caso, o vietnamita é mergulhado em um tonel de água.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A 11° Tese sobre Feuerbach: considerações filosóficas

Algumas frases quando formuladas por um grande pensador, traduzidas e impressas em várias línguas e que é capaz de sintetizar razoavelmente bem o espírito de uma época, ganham, ao longo de décadas, um esplendor tão reluzente que chega a ofuscar seu próprio brilho. Esse é o caso daquela que pode ser considerada tanto o trunfo como o calcanhar de Aquiles do pensador alemão Karl Marx: trata-se da famosa 11° tese sobre Feuerbach, Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; agora é preciso transformá-lo”.

Em forma de um breve ensaio pretendo expor algumas reflexões sobre essa tese, que, por ser constantemente abusada e banalizada, passando de uma anotação extraordinária e se tornando, posteriormente, uma bandeira retórica para aqueles que pregam o abandono da teoria e do pensamento, assumindo ares de rebeldia política quando apoiada – erroneamente - na autoridade de Marx. Para compreender melhor o que o próprio autor da tese intenta ao formulá-la, será importante, em primeiro lugar, localizar o momento de sua composição e os aspectos históricos da aparição da frase. Em seguida, após o esforço de explicitação da tese e de procurar compreende-la inserida no pensamento de Marx, buscaremos apresentar como a tese alcança uma dimensão crítica frente à tradição de filosofia política.


Antes disso, porém, é preciso deixar claro um objetivo implícito nessas linhas iniciais: embora as obras de Marx sejam mais lidas atualmente nos cursos das chamadas “ciências humanas” (História, Sociologia, Antropologia e Política) e na Economia, suas obras tem na base de seus argumentos, teses e conceitos filosóficos de alguém que estudou e praticou Filosofia, atribuindo dignidade à disciplina quando a postulou como uma das atividades a serem realizadas numa sociedade sem classes, liberada do fardo do trabalho, e sem Estado, isto é, liberada da política. Assim, neste ensaio, Marx receberá o abandonado, porém, merecido, tratamento de “Filósofo”.


Marx escreveu as Onze Teses sobre Feuerbach na primavera de 1845 em Bruxelas. A princípio, tratava-se de anotações feitas num embalo de pensamento em vista da elaboração da Ideologia Alemã, finalizado em 1846, mas definitivamente publicado apenas em 1933. A publicação completa das Onze Teses, no entanto, foi feita por seu fiel escudeiro Engels, em seu livro Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. Engels revisou e corrigiu a parte estilística dos escritos de Marx – pois se tratava somente de rascunhos – preservando o conteúdo e a seqüência das teses com o fim unicamente de entendimento próprio. Cabe registrar a importância que Engels atribuiu a essas teses na introdução a Ludwig Feuerbach: “Trata-se de notas para posterior elaboração, registradas rapidamente, em absoluto destinadas à impressão, mas inestimáveis como o primeiro documento em que foi depositado o germe genial da nova visão de mundo”.

Há uma discussão não muito relevante, mas que é interessante mencionar para adentrarmos de uma vez em nosso assunto sabendo melhor onde estamos pisando. Observando o modo como as teses estão agrupadas, podemos perceber vários pontos de conexão entre elas que não respeitam a ordem numérica nem seus próprios conteúdos. Assim, para podermos compreendê-las filosoficamente, isto é, segundo sua ordem argumentativa e de acordo com seus temas e conteúdos, adotaremos a sugestão de Ernst Bloch dividindo-as em grupos. O primeiro é chamado de grupo epistemológico, referente à contemplação e a atividade, cujas teses são 5, 3 e 1; o segundo, o grupo histórico-antropológico, que se refere a auto-alienação, sua causa real e o verdadeiro materialismo, as teses que o compõe são 4,6,7,9 e 10; o terceiro é o grupo teoria-praxis, referente a comprovação e validação, teses 2 e 8; o último contém a tese objeto de nosso estudo, que não se enquadra em nenhum dos outros grupos e, por isso mesmo, constitui sozinha um único grupo, o qual propomos caracterizá-lo no decorrer de nossas investigações.

Fixando nossas atenções exclusivamente na 11° tese, sem qualquer informação adicional, ainda que tenha recebido várias traduções diferentes - algumas, inclusive, alterando consideravelmente seu sentido – vemos que ela se divide em duas proposições, onde 1) “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras” pode ocorrer sozinha sem qualquer complemento, e 2) “agora é preciso transformá-lo” pede uma informação precedente. Isso quer dizer que a 1) poderia estar sozinha e, ainda assim, ser compreensível, ao passo que 2) seria ininteligível caso estivesse só. Importante notar, além disso, o jogo que envolve o passado e o presente nas duas frases. Em 1) a palavra “interpretaram” sugere uma atividade já exercida, que ocorreu no âmbito do passado. Na segunda frase, o advérbio de tempo “agora”, indica algo que esteja no tempo presente, desempenhando, desse modo, um papel de continuidade temporal em relação à sentença anterior. Mas, questionemos, porque esse tipo de análise seria relevante para o propósito em questão?

Ora, precisamente para explicitar a relação de dependência da segunda proposição à primeira. A análise nos diz que 2) está apoiada em 1), ou que para transformar o mundo antes é preciso que os filósofos já o tenham interpretado de diversas maneiras. Nesse sentido, podemos dizer que a condição necessária para se transformar o mundo tem origem nas interpretações filosóficas. Em outras palavras, a interpretação do mundo, uma das tarefas da filosofia, indica o modo como o mundo deve ser transformado.


Por ora, deixemos o exame intrínseco da tese discutida para especular a discussão na qual a 11° tese está inserida. Embora seja mesmo uma crítica à tradição de pensamento político, no entanto, a tese em questão integra um conjunto de proposições que visam criticar Feuerbach em relação a sua postura idealista ao tratar da religião. Para Feuerbach, Deus é apenas uma projeção dos poderes humanos divinos e nada mais do que isso. Feuerbach somente soube dissolver a religião enquanto construção ilusória do homem, atribuindo a este Deus como essência, isto é, preservando a individualidade humana. Só que Marx não se contenta com uma crítica que simplesmente aponta onde está o erro, para ele é preciso compreender as causas de tal erro. Afirmar que “a religião é o ópio do povo” é apenas detectar uma ilusão, e a causa desse engano deve ser procurada considerando o homem em sua condição material e não como ser divino. Esse procedimento implica numa ruptura, passando de um idealismo que mantém o erro intacto para um materialismo da práxis. Isto é, em Marx, o idealismo deixa de ser uma abstração derivada da realidade prática em contradição, para ser uma práxis que constitui a realidade última e determinante. Daí a 11° tese, a qual expressa a passagem do idealismo para o materialismo, da interpretação para a transformação. Assim, podemos dizer então que o que explica a necessidade da religião é a alienação da prática, quando o homem está separado dos outros e do produto de seu trabalho. “A religião é apenas o sol ilusório que gira à volta do homem enquanto ele não gira à volta de si mesmo”.


Encontramos, contudo, na “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, escrito após as Onze Teses, uma frase que permite clarificar a décima primeira tese dentro do pensamento de Marx sem se recorrer à discussão acerca da religião. A respeito da tradição filosófica na política alemã, Marx escreve que “não se pode superar [no sentido hegeliano, abolir] a filosofia sem realizá-la”. Mais uma vez aqui se apresenta o aspecto referente à temporalidade, da abolição da filosofia à sua realização, de tal maneira que se torna impossível a ocorrência de ambas ao mesmo tempo. É por isso que nos permitimos reformular a 11° tese da seguinte maneira: “os filósofos tem interpretado o mundo tempo suficiente; é chegado o momento de transformá-lo”.


Importante ressaltar o guia sobre o qual apoiamos essas considerações. Seguimos nessa exploração os passos de Hannah Arendt, a qual soube tratar a filosofia de Marx com seriedade e reverência, se esquivando apropriadamente de uma crítica que se pudesse dizer “marxista” ou “marxiana”. Pois, assim como o Cristo histórico não era cristão, também Karl Marx não era marxista. Arendt torna-se importante nessa investigação devido a sua posição intelectual original e a sua contribuição no estudo dos regimes totalitários, que permitiram, por conseguinte, que ela desenvolvesse uma compreensão das teses fundamentais de Marx a luz das experiências políticas (ou não-políticas) daquilo que foi considerado por ela como a quebra factual da tradição de pensamento político ocidental.


Entretanto, segundo Arendt, para a filosofia tradicional, a 11° tese seria em si mesma algo sem sentido, pois, transformar o mundo conforme a filosofia seria uma contradição em termos. Não é por acaso que persiste até hoje a antiga concepção de que “o mundo permanece o mesmo, com ou sem a filosofia”. De Platão a Hegel, o espaço próprio da filosofia situava-se fora da caverna, pois nunca foi “deste mundo”. Porém, desconfiamos que a afirmação de Marx não foi mera ingenuidade, e a contradição, nesse caso, não parece anular o sentido da frase, ao contrário, amplia, adquirindo um sentido ainda maior.


Marx tinha um alvo com essa afirmação escandalosa: a tradição. Por isso, a frase ganhou tanta repercussão entre leitores e não-leitores. Era ameaçador para a filosofia, que sempre esteve no domínio das idéias, e que sempre foi para “os eleitos”, se igualar um dia com os assuntos humanos, onde convivemos, agimos e pensamos conforme o senso comum.


O que podemos vislumbrar com a 11° tese é a antiga querela acerca da hierarquia entre, pensamento e ação, contemplação e trabalho, e Filosofia e Política. Ao virar Hegel de cabeça para baixo, como se diz, Marx propunha a inversão desta tradicional hierarquia, mas não um puro abandono da teoria e do pensamento. Com efeito, nos parece que sua tentativa de pensar contra a tradição não poderia ser feita a partir de conceitos inéditos criados no calor de sua revolta. Ainda que os acontecimentos presenciados por ele fossem novos suficientes a ponto de não se enquadrarem nos conceitos tradicionais, Marx não podia inventar um número tão grande de ferramentas para lidar adequadamente com esses acontecimentos. O que pode ser constatado, então, na filosofia de Marx é a manutenção do quadro de referências tradicionais que vigoraram num período histórico diferente daquele em que viveu.


Suspeitamos, porém, que Marx parecia estar consciente dessa dificuldade na qual se embaraçava. Exemplo disso é a famosa frase do “18 Brumário”: “A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”. Sua atitude face a Filosofia, em repudiá-la, para, em seguida, realizá-la, é uma tentativa de questionar a hierarquia tradicional, porém, não se trata de uma atitude não-filosófica. O próprio intento de abjurar da Filosofia constitui em si mesmo uma decisão filosófica. É por isso que Marx ao propor na segunda proposição a “transformação do mundo” não está ao mesmo tempo abandonando a Filosofia. Como observamos em nossa análise, a “interpretação” dos filósofos e a “transformação” do mundo, constituem dois momentos distintos, que não se confundem necessariamente, onde a transformação supõe a interpretação – talvez aí se encontre o calcanhar de Aquiles. A tal realização da Filosofia, quer dizer, a intrusão da Filosofia nos assuntos públicos, isto é, na Política, torna-se algo pernicioso tanto para a Política, quanto para a Filosofia. O que chamamos imprecisamente de ideologia, ou seja, “tudo”, é uma estranha mistura de uma pseudociência com uma pseudofilosofia e representa, de certo modo, a junção da Filosofia com a Política.


A ideologia, como o próprio nome diz, implica na lógica de uma idéia, de tal modo que os ideais que, justamente por serem “ideais”, estão completamente apartados da realidade concreta e não podem continuar como “ideais” quando efetivados, estão submetidos a um implacável raciocínio onde dado uma premissa segue-se necessariamente uma conclusão. Esse é o caso, por exemplo, da ideologia nazista segundo a qual a superioridade da raça ariana, como um ideal, está submetida a uma cadeia inexorável fora de qualquer possível discussão ou contestação. Além disso, se como dizemos hoje em dia, tudo é ideologia, então não faz o menor sentido afirmar que algo é uma ideologia. Ora, se tudo é uma ideologia, isso cai numa trivialidade, pois, obviamente, tudo é tudo, tudo é ideologia, ideologia é ideologia. Isso é vazio e completamente sem sentido.


A verdade filosófica, distinta da verdade factual, quando se insere na esfera política tende a exercer um papel semelhante ao da ideologia tal como foi caracterizada acima. Na discussão filosófica lidamos com premissas que, quando aceitas, levam necessariamente a uma outra, ou a uma determinada conclusão. Nesse sentido, a verdade filosófica é coerciva, pois se aceitamos algo, somos obrigados, por força da argumentação, a aceitar o que se segue necessariamente - tal é a força da ideologia nazista. Uma vez que a superioridade da raça ariana é tomada como um axioma indiscutível, então, necessariamente, seja através de que meios for utilizado, concretizará o domínio mundial nazista. É claro, por outro lado, que também há outros elementos que influenciaram os nazis, tais como as idéias evolucionistas e o imperialismo. Mas o que é relevante destacar, por fim, é que a Filosofia constitui um domínio teórico diferente da Política, ademais, quando uma se intromete na esfera prática da outra - a História nos mostra - não se dá em boa coisa.


Desse modo, essa avaliação torna-se importante na medida em que o pensamento de Marx é tratado não como um tabu insuperável ou como um paradigma indubitável, mas imerso na discussão filosófica característica de sua época. Isso, por um lado, contesta a cientificidade atribuída as suas teorias, que o coloca independente do diálogo especulativo e, por outro lado, considera-o como uma figura no rol da Filosofia, isto é, num espaço onde ele pode ser criticado, contestado e reformulado, segundo as exigências da época.

Referências bibliográficas:

MARX, Karl. A ideologia alemã: 1. capítulo seguido das teses sobre Feuerbach. São Paulo: Moraes, 1984.

MARX, Karl. O 18 brumário e cartas a Kugelmann. 7. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

MARX, Karl. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2005.

BLOCH, Ernst. O princípio esperança. Vol I. Tradução de Nélio Schneider. Rio de Janeiro: EdUERJ, Contraponto, 2005.

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. Cap. 1 A Tradição e a Época Moderna 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.

Por Rodrigo de Ulhôa Canto Reis - UFRGS