sábado, 30 de outubro de 2010

Intentona Comunista - 1935


Em resposta ao getulismo e ao integralismo, foi criado a Aliança Nacional Libertador (ANL) que era uma espécie de partido que unia comunistas, social-democratas e tenentes de esquerda. Não defendiam o socialismo, mas mudanças radicais como a reforma agrária, a industrialização e a proibição de empresas estrangeiras atuar na produção de minerais, eletricidade e petróleo. Mas Vargas proibiu o funcionamento da ANL, que atuou na clandestinidade.

A ANL tentou em 1935 derrubar Vargas através de uma rebelião. Mas Vargas tinha espiões no movimento e venceu as revoltas que ficaram limitadas em alguns quartéis. Para acabar com o PCB (Partido Comunista do Brasil), Vargas colocou a culpa nos comunistas e chamou a rebelião de INTENTONA COMUNISTA. O PCB quase acabou, sendo seus dirigentes presos, inclusive Luís Carlos Prestes. Olga Benário foi enviada para a Alemanha nazista, sendo morta em um campo de concentração.

Diário da Tarde noticia a Intentona Comunista como movimento extremista. A própria mídia a favor do governo ou do próprio mercado via o comunismo e a URSS como inimigas.

A Intentona Comunista foi destaque nos principais jornais do Brasil. Houve uma tentativa do governo de Vargas de usar a Intentona como propaganda anti-comunista.

São Paulo, 15 de julho de 1945: Prestes acena para a multidão ao chegar ao comício no estádio do Pacaembu. À noite, ao embarcar de volta ao Rio, ele recebe a notícia: Olga está morta.

Rio de Janeiro, 1945: Prestes é um dos primeiros presos libertados pela anistia que se seguiu à derrota do nazi-fascismo na Europa.


Interior da câmara de gás onde Olga Benário foi executada, no começo de 1942, em Bernburg. Não obstante, há incógnitas sobre as formas e práticas de execução nos campos de concentração nazistas.

Prestes é interrogado na Polícia Especial, no morro de Santo Antônio.

Os rebeldes na prisão.
Da esquerda para a direita. Sentados na primeira fila: Sócrates Gonçalves, Álvaro de Souza, Benito Carvalho.
Segunda fila: Pedroso, Agildo Vieira e Gutman.
Em pé: Aires, David, Ivan Ribeiro, Leivas Otero, Picasso, Rodolfo Ghioldi, Agildo Barata, Moraes Rego e Ilvo Meireles.


Elvira Colônio (direita), a Garota, morta por ordem da direção do partido, por suspeita de traição, e seu marido Miranda (esquerda), que passaria da condição de dirigente comunista à de aliado da polícia.

Levada por policiais para um depoimento, Olga Bemárioa nuncia aos repórteres que espera um filho de Prestes: "O governo vai cometer uma injustiça contra uma mulher grávida".

Cercado de soldados da Polícia Especial, Luis Carlos Prestes é levado preso: a caçada de Filinto Müller chega ao fim.

De pijama, o capitão Agildo Barata, que tomara o 3º RI, é levado a depor por policiais militares.

Armadas de pistolas, metralhadoras e fuzis, as tropas da Polícia Especial, os "cabeça de tomate", varrem as ruas do Rio de Janeiro.

A fachada do 3º Regimento de Infantaria, tomado de madrugada pelos rebeldes e semidestruído pelas forças do governo.

A revolta fracassou, começa a repressão. Os militares rebeldes são levados às centenas para a prisão da ilha das Flores.


Minutos antes de invadir a prisão de Moabit para libertar Braun, os militantes da Juventude Comunista posam para um fotógrafo de rua.
1 - Rudi König
2 - Olga Benário
3 - Margot Ring
4 - Klara Seleheim
5 - Erik Bombach
6 - Erich Jazosch

Olga Benário aos 16 anos: militante do grupo comunista Schwabing de Munique, sua cidade natal.

O Jornal da Manhã, de 27 de novembro de 1935, noticia o levante da Aliança Nacional Libertadora (Intentona Comunista) no Rio de Janeiro. já nessa época o comunismo era temido no Brasil, reflexo da Guerra Fria.

Esta notícia publicada pelo Diário Pravda, de Moscou, em agosto de 1935, anunciava que Prestes, recém-eleito para a direção do Comitern, encontrava-se na capital soviética. Mas era apenas uma forma de confundir os serviços de inteligência brasileiro e inglês. O capitão já estava no Rio desde o começo do ano, preparando a insurreição conhecida como Intentona Comunista.
Outubro de 1931:Prestes deixa Montevidéu com destino a Moscou.

Olga (assinalada) durante o treinamento militar que recebeu em um regimento de cavalaria do Exército Vermelho.

Olga num parque em Berlim, aos 17 anos.Nessa época ela inicia sua fulminante carreira na Juventude Comunista alemã.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Populismo no Brasil e na América Latina

1. Introdução

A perda de prestígio e força política da classe dominante unida a uma massa proletária alienada de sua posição no meio social e a um líder político e carismático capaz de mobilizar todo o poder e a nação sempre em um contexto pós-crise econômica associada a crise política se tratam dos produtos mais comum do fator denominado de governos populistas.
Assim, nos entremeios do século XX se pode notar uma verdadeira manifestação de governos populistas na América Latina. Governos que aliciaram a massa trabalhadora – isenta de seu potencial social – para que circunscrevam ao lado do Estado com a concessão de benefícios sociais e por outro lado continuam com a perpetuação elitista no poder. A mutação de uma sociedade basicamente agrária para uma sociedade em busca da modernização voltada para o ramo industrial nacional, ressaltando a intervenção estatal na economia também como marca destes governos.
Mesmo diante destes pequenos ensaios que tentam ao menos definir o populismo, ainda não há uma linha teórica concisa sobre sua própria definição. Partindo desse pressuposto tentará este artigo expor suas principais semelhanças, conceitos, contexto histórico, os meios de manipulação que este tipo de governo utilizou.

2. Governos Populistas na América Latina e no Brasil

Os governos populistas que se desenvolveram na América Latina no apresentam semelhanças tanto do ponto de vista sociopolítico quanto econômico. Assim, podemos destacar os principais governos latino americanos caracterizados como populistas os governos de Vargas no Brasil, Juan Péron na Argentina e Lázaro Cárdenas no México, sendo que este último apresentou uma forma exclusiva de populismo o que pouco o diferenciou do Brasil e Argentina.
Interessante que diferente da Argentina e do Brasil o populismo no México toma rumo diferente numa questão crucial chamada reforma agrária. O governo cárdenas foi o governo que mais distribuiu terras dentre o período de 1915 à 1962. Sendo inclusive essa relação com o campesinato rural no México um dos grandes diferenciais dos outros governos populistas. (GUIMARÃES, S/D)
A que se considerar também outro ponto fundamental em que pese ou não os moldes pelos quais essas figuras populistas chegam ao poder. Ainda conforme expressa Guimarães (S/D) Juan Perón e Lázaro Cárdenas chegam pelas vias de uma eleição, enquanto Vargas por um golpe de Estado. Apesar dos meios os quais levaram cada um ao poder, seja ele revolucionário ou eleitoral, tais países passam a uma notável diferenciação econômica e sociopolítica, conforme afirma Souza (S/D): “viveram uma fase de desenvolvimento econômico seguido pelo crescimento dos centros urbanos e a rearticulação das forças sociais e políticas”.

3 - Conceituação

O Populismo foi o fenômeno de manipulação das camadas populares por meio de promessas e eliminação dos intermediários no processo de contato com as massas. Sua base é o poder carismático de líderes com capacidade de mobilizar e empolgar as massas em defesa das ações típicas e exclusivas do poder político.
Os governos populistas tendiam a ser autoritários e paternalistas, pois concediam direitos aos trabalhadores e mantinham-nos sob controle através de sindicatos organizados pelo Estado. O Populismo propôs ser uma política aliada aos trabalhadores. Teoricamente, nos discursos populistas esteve presente a idéia de que a vontade do povo era soberana. Na prática, as políticas populistas favoreceram mais as elites nacionais do que os setores médios da sociedade.

4 - Contexto Histórico

O Populismo ocorreu entre as décadas de 1930 e 1960, específicamente, nos países latino-americanos de industrialização recente, momento em que houve a transição de uma economia industrial, como a formação de uma sociedade urbana. Surgiu através da aliança entre o empresariado nacional, as classes médias e os operários, ou seja, trabalhadores coligados também ao discurso nacionalista contra a inversão e capital estrangeiro.
Atribui-se a origem desse fenômeno à rápida urbanização promovida pela industrialização e modernização oriundas do nacionalismo industrial das décadas de 1930 e 1940, do século passado.
Dos anos 40 aos 60, o Populismo teria duas faces absolutamente indissolúveis: a econômica, trazida pelo processo de industrialização em curso, reconhecido como exitoso, no país; e a política, mais complexa e ambígua em termos de diagnósticos, materializada pela experiência de democracia.

5 – Mecanismos de Manipulação das Massas

O populismo utiliza a manipulação das camadas populares por meio de promessas (muitas vezes não cumpridas) e eliminação dos intermediários no processo de contato com as massas. “Os governantes populistas foram e são grandes lideres carismáticos e excelentes oradores levando sempre uma mensagem nacionalista” ( CHASTEEN, 2001 ).
A base é o poder de políticos carismáticos com capacidade de mobilizar e empolgar as massas com discursos utilizando muito as palavras urbanização, industrialização, informação, modernização e mobilização, sempre em defesa das ações típicas e exclusivas do poder político.
A característica dessa manipulação é contato direto com o “povo” e o líder carismático, sem intermediação de partidos ou corporações. Isto implica num sistema de políticas, ou métodos utilizados para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo alem da classe media urbana, entre outros, procurando a simpatia daqueles desarraigados para angariar votos e prestigio.

6 – Populismo e Coronelismo no Brasil

Coronelismo e populismo são conceitos distintos e como tal apelicam-se a realidades diferentes. No entanto, é possível estabelecer relações entre ambos no Brasil, tomando o devido cuidado de separá-los no tempo. O primeiro circunscreve-se à denominada República Velha (1889-1930). O último, por sua vez, destaca-se, com maior ou menor intensidade, num arco que começa em 1930 e vai até 1964, período marcado pela urbanização/industrialização do país.
O “coronelismo é um sistema político, uma complexa rede de relações que vai desde o coronel até o presidente da República, envolvendo compromissos recíprocos” (CARVALHO). O coronel é o lider local, que por meio de seu prestígio político e/ou econômico submete um grande número de pessoas a sua vontade. O poder do coronel manifesta-se diariamente na vida dos municipios sob sua influência, formando uma teia que acaba por afetar todos os níveis da vida política do Brasil. Sendo assim, o coronelismo é um sistema político nacional, baseado em barganhas entre o governo e os coronéis. O governo estadual garante, para baixo, o poder do coronel sobre seus dependentes e seus rivais, sobretudo cedendo-lhe o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia até a professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de votos. Para cima, os governadores dão seu apoio ao presidente da República em troca do reconhecimento deste de seu domínio no estado. O coronelismo é fase de processo mais longo de relacionamento entre os fazendeiros e o governo. O coronelismo não existiu antes dessa fase e não existe depois dela. (CARVALHO, S/D)
Já o populismo, como visto anteriormente, é caracterizado por um conjunto de práticas em que se sobressaem a figura do líder carismático que procura atuar diretamente junto a população, principalmente os mais pobres, dispensando as instituições políticas.
Feita essa superficial exposição, que relações podem ser estabelecidas entre coronelismo e populismo? Pode-se afirmar que ambos são caracterizados por métodos autoritários, já que o primeiro assenta-se sobre a barganha ou a intimidação para alcançar seus objetivos e o último utiliza-se de concessões de beneficios, mas sempre deixando subentendido que os mesmos condicionam-se a uma submissão acrítica ao líder populista.
Em síntese, tanto o coronelismo quanto o populismo envolvem algum tipo de barganha, cujo teor intimidatório é velado ou explícito – daí os dois serem autoritários. Além disso, ambos sabotam as instâncias legítimas de representação política e o funcionamento do Estado. Sustenta esse ponto de vista a seguinte afirmação, feita em relação ao primeiro, mas que serve também ao último: “Nega-se, dessa feita, o papel do Estado regido por leis universais, de caráter abstrato, que representa o geral frente ao particular, dotado de impessoalidade na execussão e resolução dos proplemas” (LIMA, 2009, p. 39).

7 – Considerações Finais

O populismo é um fenômeno complexo. No presente trabalho o que se procurou evidenciar é que o conceito apelica-se a um conjunto de práticas que leva em consideração a figura de um líder carísmático que procura governar apelando diretamente à população, dispensando assim a intermediação das instâncias políticas. O populismo é autoritário no sentido de que pressupõe a concessão de benefícios desde que se aceite os termos propostos pelo governante de turno. O populismo destaca-se no cenário nacional entre os anos de 1930 a 1964, período marcado pela urbanização/industrialização do país. É importane destacar que o fenômeno populista aparece também em outros países latinoamericamos, podendo tanto compartilhar características comuns com as verificadas no Brasil, quanto adquirir peculariedades de cada nação. Por fim, o texto faz relações entre coronelismo e populismo, destacando que ambos utilizam de métodos autoritários e negam o papel do Estado regido por leis universais, de caráter abstrato, não raro colocando os interesses particulares acima dos gerais.

Bibliografia

CASTRO GOMES, Angela. O populismo e as ciências sociais no Brasil: notas sobre a trajetória de um conceito. Rer. Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, nº. 2, p. 31-58, 1996. Disponível em: http://www.historia.uff.br/tempo/artigos_dossie/artg2-2.pdf

HILÁRIO, Janaína Carla S. Vargas. História da América II. p. 68 – 69. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

LIMA, Gleiton Luiz de. História do Brasil III. p. 164. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

Populismo. Disponível em: http://farolpolitico.blogspot.com/2006/10/populismo.html. Acesso em 16 de setembro de 2010.

GUIMARÃES, Simone Oliveira. Populismo. Disponível em: http://www.coladaweb.com/politica/populismo. Acesso em 05 de Setembro de 2010.

SOUZA, Rainer. Populismo. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historia-da-america/populismo-1.htm. Acesso em: 05 de Setembro de 2010.
Por Hugo Fernando Couto Faco
Nilton César Ribeiro
Frederico Moretti
Michele Mara Pires Ramos
José Augusto Ferreira Neto

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lançamento de livro sobre história econômica de Poços de Caldas

No dia 25 de setembro, a Câmara Municipal de Poços de Caldas recebe o historiador e professor mineiro Yuri de Almeida Gonçalves, que lança o livro Poços de Caldas – uma leitura econômica. A obra revela um retrato da história econômica da cidade, cobrindo o período de sua fundação aos dias atuais. Dividido em 14 tópicos, o livro é escrito a partir da leitura historiográfica marxista.

De acordo com o autor, aspectos que desmistificam as ideias pré-concebidas sobre o desenvolvimento de Minas Gerais e, conseqüentemente de Poços de Caldas, além de uma análise da conjuntura econômica do país e sua reflexão sobre os municípios são apresentados no livro, que delineia um panorama da economia do Estado a partir do século XVIII, identificando que Minas Gerais não esteve presa somente à mineração do ouro.

O principal objetivo do livro foi traçar um panorama histórico-econômico de Poços de Caldas, a partir de dados que ainda não haviam sido compilados. O fato de a cidade ter se tornado a maior do sul de Minas sempre me foi motivo de indagações. Na verdade como o motor propulsor da história e a infra-estrutura da sociedade é a economia, já previa que foram aspectos econômicos que motivaram a expansão do município. A partir dessa visão, fui incentivado por professores de Varginha e Três Corações a me lançar na pesquisa, que resultou em minha especialização em História e Construção Social no Brasil, através da Unincor”, informou o escritor.

O livro Poços de Caldas – uma leitura econômica é aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e conta com o apoio cultural da Circullare Auto Omnibus, sendo gratuitamente distribuído para todas as bibliotecas públicas municipais e escolares de Poços de Caldas, além de bibliotecas de referência em todo o país. A abertura do lançamento é marcada por apresentação musical da cantora Jesuane Salvador, que interpreta canções afinadas com a proposta, passando por Mercedes Sosa e Milton Nascimento.

Serviço:
Lançamento do livro “Poços de Caldas – uma leitura econômica”, do escritor Yuri de Almeida Gonçalves
Local: Câmara Municipal de Poços de Caldas, rua Junqueiras, 454 – Centro. Poços de Caldas/MG
Horário: 19h
Entrada franca
Mais informações
Jesuane Salvador
CulturAlternativa Comunicação
(11) 6541-6849

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Golpe Chileno


Allende comemorando a vitória das eleições presidenciais no Chile. Allende governou o Chile a partir de 1970, mas não resistiu um golpe, após iniciar reformas sociais.

Salvador Allende, fundador do Partido Socialista chileno, governou seu pais de 1970 a 1973, até ser deposto e morto por Pinochet.
Allende em discurso. A crise política causada pelas greves no setor de transporte e abastecimento fez o país se inflamar em protestos. O empresariado era contra o presidente.

Salvador Allende discursando. O poder popular fora incentivado no Chile em seu governo. Muitas fábricas foram entregues aos trabalhadores, o que, ao contrário do que se acha, aumentou o produção.

Allende e Che Guevara em encontro no Uruguai.

Allende e Fidel Castro - aliados num momento em que a América Latina discutia justiça social.

Salvador Allende e Augusto Pinochet. O governo era aberto ao diálogo, até mesmo com grandes opositores.

Salvador Allende pouco antes de ser morto pelas forças golpistas.

Junta militar golpista.

Tanque usado para derrubar o governo de Allende.

Soldados golpistas.

Ataque das tropas golpistas ao governo popular do Chile.

Ataque ao palácio do governo chileno. Até aviões norteamericanos foram usados contra Allende.

Civis sendo revistados e presos por soldados golpistas.

Ataque ao palácio do governo chileno. Até aviões norteamericanos foram usados contra Allende.


Salvador Allende sendo retirado morto do palácio do governo pelos bombeiros.

Em 1973, Pinochet comandou um golpe militar com apoio dos EUA e derrubaram o palácio do governo chileno.

sábado, 19 de junho de 2010

Adolescente infrator

A escola pública passa por várias crises e uma delas é sua vulnerabilidade diante de adolescentes em conflito com a lei. Se tornou comum professores receberem ameaças, escolas apedrejadas e pichadas e a falta de segurança nas instituições de ensino é visível.

Querem jogar a culpa para cima de alguém. Muitos culpam os professores ou a família pela situação. Mas o problema é um conjunto de fatores que passou da hora de ser desmascarado. Estamos prestes a ver uma sociedade refém do crime e nossos adolescentes se perdendo nesse cangaço!

Nossos adolescentes são vítimas de famílias desestruturadas, mas isso não significa que a sociedade deve abaixar a cabeça diante de certos atos só porque o infrator não é adulto. Não precisamos esperar por desgraças para resolvermos esse problema.

Nossa legislação prevê punição para todos que infringem as leis, independente da idade. O problema é que a mesma legislação ordena que, os adolescentes infratores recebam auxílio psicológico e quaisquer tratamentos para sua recuperação, inclusive medidas sócio-educativas ou internações, dependendo do caso.

Contudo, o Estado não cumpre sua parte e esse problema estoura dentro de uma sala de aula, nas ruas, na delegacia, etc. Faça uma visita na delegacia e pergunte se é comum a presença de adolescentes em conflito com a lei. Tornou-se normal para muitos jovens dar um passeio na delegacia. Nem o Ministério Público tem mecanismos para resolver o problema, pois falta estrutura. Os conselhos tutelares trabalham contra a corrente do Sistema. No judiciário se acumula papéis e papéis de processos e não há tempo para resolver tantos casos. Faltam juízes.

Um jovem infrator tem o direito legal de ser assistido pelo Estado, pois seus atos são reflexos de uma família em crise, de faltas de oportunidades e em muitos casos de problemas mais sérios como violências sexual, psicológica e até física dentro do próprio lar. Se o Estado somente cumprir a lei e der aos jovens o que lhes é de direito, resolvemos o problema a longo prazo, pois nossa legislação serve de paradigma para o mundo.

Enquanto nossos governos fazem vista grossa, jovens sem oportunidade continuarão roubando e praticando pequenos delitos e serão no futuro, criminosos em potencial.
Não adianta diminuir a maioridade, cobrar de professores resultados, colocar a culpa na família ou ainda eliminar o problema com chacinas. O que precisa é cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente dando-lhes dignidade, cumprindo seus direitos sem abafar seus deveres.

Paz, esse é um direito para todos garantido na Constituição. A sociedade espera providências e não jogo de empurra empurra!

Prof. Yuri Almeida

terça-feira, 25 de maio de 2010

Indígenas Brasileiros

São chamados de índios os que habitavam a América na chegada dos europeus no sec. XV d. C. Os índios não são um povo homogêneo, com mesmos costumes, língua e cultura. Pelo contrário, havia no Brasil vários povos indígenas, cada grupo com sua própria língua e costumes muito diferentes entre si.

Calcula-se que poderia haver cerca de 5 milhões de índios no Brasil quando os portugueses chegaram no território, contudo, é impossível dizermos ao certo o número dessa população porque não havia órgãos nem mecanismos de censo naquele período.

Atualmente há no Brasil, de acordo com IBGE e FUNAI (Fundação Nacional do Índio) cerca de 460 mil indivíduos indígenas que habitam em aldeias, divididos em 225 grupos étnicos. Esses grupos indígenas são divididos por troncos lingüísticos, sendo os principais os tupis, macro-jês, Karibe, Aruak e os grupos isolados. No total, há registro de 180 línguas entre essas populações. Muitos povos indígenas perderam a língua falada pelos seus ascendentes e falam o português. Há ainda registrado 63 referências de grupos indígenas isolados. Isso não significa que nunca tiveram contato com o homem branco, mas que se afastaram de nossa civilização por algum motivo e se isolaram em alguma região. Há ainda vários grupos indígenas buscando reconhecimento de sua população junto a FUNAI, sendo grupos que não entram nas estatísticas ou índios urbanos. 60 % de nossos indígenas vivem na região amazônica, pois foram fugindo de suas regiões anteriores por causa da ocupação de fazendeiros, grileiros, madeireiras, formação de cidades e outros motivos.

Há muita ignorância em relação às populações indígenas. Por muitas vezes suas populações são denominadas “tribos”, termo pejorativo que significa grupo inferior a “civilização”. Também, são tratados como se fossem um povo só. A diversidade entre as populações indígenas no Brasil são maiores que pensamos. Os Kaigang, por exemplo, pertencem ao tronco linguístico Jês e sua comunicação com os Tanharim, que são do tronco tupi, é incompreensível, pois suas línguas são completamente diferentes entre si.

Erroneamente ensinam até hoje nas escolas fundamentais que havia índios canibais. O termo canibalismo não pode ser aplicado no contexto de nossos indígenas. O que havia em algumas populações era a presença da antropofagia. A antropofagia significa que alguns grupos poderiam sacrificar algum indivíduo que poderia ser ou não de seu meio e comer algumas partes de seu corpo significando que estariam pegando a força daquele individuo. Nenhum índio se alimentava de seres humanos, isso é mito. As populações indígenas do Brasil sobreviviam principalmente da caça e coleta.

Em relação à religiosidade indígena eram politeístas como a maioria dos grupos espalhados pelo mundo. Há somente três religiões monoteístas no mundo, a saber: judaísmo, cristianismo e islamismo. Cada grupo indígena tem seus próprios deuses, mitos, lendas, rituais e cosmovisão.

Concluindo essa pequena introdução sobre os indígenas é errôneo tratarmos as essas populações como se fossem um povo apenas, pois são inúmeras culturas, cada qual reivindicando sua própria identidade. Da mesma maneira que queremos ser tratados como brasileiros, um bororo quer ser identificado como bororo, um matipu como matipu, um pataxó como pataxó, um tremembé como tremembé, um tupiniquim como tupiniquim e não apenas como índios, ou seja, não há “índio” no Brasil e sim populações indígenas.


Prof. Yuri Almeida

domingo, 16 de maio de 2010

DIO eterno

Wendy Dio, esposa e manager de Ronnie James Dio enviou o seguinte comunicado ao BLABBERMOUTH.

"Hoje meu coração se despedaçou, Ronnie faleceu às 7:45 da manhã de hoje, domingo, 16 de maio de 2010. Muitos, muitos amigos e familiares puderam estar presente para se despedir antes que ele partisse.
Ronnie sabia o quanto todos o amavam.
Agradecemos o amor e apoio que vocês nos deram.
Por favor, nos dêem alguns dias de privacidade para lidarmos com esta terrível perda.
Por favor, saibam que ele amava a todos e sua música viverá para sempre".

Este blog presta as últimas homenagens ao pequeno grande Dio. Só quem conheceu sua passagem pelo Rainbown, Black Sabbath e Heaven and Hell além de sua carreira solo, sabe o deus que o metal eternizou.

Nos deixará saudades. Obrigado por "Children of the Sea", "Die Yong", "Voodoo", "The Mob Rules", "Tv Crimes", "Too Late", "Holy Diver", "Long Live Rock'n Roll", "Self Portrait" e todas, todas eternas...


Prof. Yuri Almeida

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mengele, Josef

Josef Mengele nasceu em Günzburg em 16/03/1911, cidade da Baviera, sudeste da Alemanha e faleceu em Bertioga, no estado de São Paulo, em 07/02/1979.
Médico alemão atuante no regime nazista, apelidado de Beppo e conhecido como Todesengel (anjo da morte), ficou conhecido pelo trabalho nos campos de concentração da 2ª guerra Mundial. Era oficial de enfermaria no campo de Birkenau. Apesar de sua oficialidade, havia outros acima dele, como os médicos Edyard wirths e Hilario hubrichzeinen.
Quando jovem, teve severa educação por parte da mãe. Na juventude, a Alemanha estava inflamada de ideal nacionalista, visto que o país era novo como estado Nacional, surgindo em 1871. A população e os governantes desejavam uma Alemanha inserida no imperialismo econômico emergente. Inclusive, tal foi o motivo da 1ª Guerra Mundial, em 1914-18.
Após a 1ª Guerra, Mengele ainda criança, seu país se vê humilhado pelo Tratado de Versalhes que impõe penalizações duras, como pagamento de fiança e perda de territórios, além da manipulação da política nacional por forças heterônomas ao povo, constituídas pela Entente.
O nacionalismo alemão ganha força cada dia mais na Alemanha que vê seu sonho imperialista ser esmagado. Em 1929, o Crack da bolsa de New York mergulha a economia alemã numa depressão jamais vivida.
Em meio a tanta crise está o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e seu líder maior, Adolf Hitler. O nazismo pregava um governo forte, autoritário que defendesse os interesses da burguesia alemã, prejudicada, pela visão nazista, pelos judeus que exploravam a mão-de-obra dos alemães e pelas greves e manifestações comunistas. Desejavam barrar o avanço comunista e os lucros judeus diante da crise Alemã.
O pai de Mengele era dono de um negócio de máquinas agrícolas. O jovem Beppo cresceu com boa educação, bom aluno, se vestia bem e de boa postura. Quando maior, estudou Medicina e Antropologia na Universidade de Munique. Na universidade teve acesso a idéias científicas no minimo xenófobas, ao olhar de hoje, como por exemplo, a Eugenia do inglês Sir Francis Galton, que propoe uma melhoria da sociedade por uma seleção artificial, transmitidas geneticamente. Estando na Universidade teve contato com o professor Ernst Rüdin, psiquiatra e geneticista que defendia a eugenia.
Em 1932 alistou-se no "Capacetes de Aço", um grupo paramilitar nacionalista que posteriormente foi agregada às SA (Tropas de Assalto). Sua família lhe apoiava na vida militar em prol do desenvolvimento do nacionalismo alemão.
Ao lado Wilhelm Frick (o mais alto) e Joseph Goebbels (extrema direita),
dois bispos da igreja católica fazem a tradicional saudação nazista em
homenagem a Hitler, para o registro de um comício da juventude católica
em Berlim,em agosto de 1933.
Mengele tinha uma doença chamada osteomielite, uma infecção nos ossos. Por isso, não pode ter atuação como desejava no meio militar. Voltando a vida acadêmica, em 1937 Mengele passou a ser pesquisador na Universidade de Frankfurt juntamente com Dr. Otmar Freiherr von Verschuer, defensor da eugenia como política de Estado. Este, inclusive, foi diretor do Instituto do Terceiro reich para a Herança, a Biologia e a Pureza Racial. Assim, Mengele entra para um mundo de pesquisas genéticas incentivadas pelo Estado Nazista, cercando-se de legalidade.
Em 1937 Mengele entrou para o partido Nazista e posteriormente aceito na SS nazista. Se casou com Irene Schonbein, tendo um filoho, Rolf Mengele. Na 2ª Guerra serviu por mais de três anos como médico.
Os campos de concentração eram prisões gigantescas de inimigos de guerra e espiões. Entre os detentos haviam soviéticos, mas também judeus, considerados informantes ou espiões, grupo de risco naquela guerra. Foi como médico nos campos de Auschwitz que Mengele ficou conhecido. A realidade e os mitos se misturam, principalmente porque os Aliados difundiram idéias de extermínio nos campos. Mengele foi acusado de fazer experiências científicas em humanos, como inserir tinta nos olhos para tentar clareamento, uso de câmaras de gás, etc.
Mengele teve que fugir após a virada da guerra pelo exército vermelho da URSS, país que reverteu o quadro de vitórias nazistas na guerra. Os aliados desejavam provas para punir os alemães pela guerra, mas enquanto os nazistas fugiam do exército de Stalin, documentos e provas físicas eram destruídos. Por isso a história desse período está muito o campo do mito.
Mengele foi preso em Nuremberg com sua companhia de guerra e se tornou prisioneiro dos aliados, mas logo depois solto. Contudo, seu nome começou a ser mencionado nos processos de guerra.
Após a guerra, ficou difícil sua permanência na Alemanha. Usando nome de Fritz Hollman, fugiu para a Itália. Em 1949 chegou aos EUA como médico da Cruz Vermelha com nome de Helmut Gregor. Depois vai para a Argentina e se casa com Martha Maria Will.
Em 1959 ele se muda para o paraguai, onde conhece um ex-piloto da força aéra nazista e que o ajuda a ir para o Brasil, em 1961. No Brasil ele tem contato com um casal de Stammer, donos de um sítio no oeste paulista. Logo foi chamado pelos conhecidos como Pedro.
Foi no Brasil, em 1977 que recebeu a visita de seu único filho, Rolf. Vivia com identidades falsas todo momento. Na velhice, uma artrite dificultou sua escrita. Mesmo assim deixou cerca de 85 documentos escritos, alguns confiscados pela Polícia Federal em 1985.
Em 1978, com problemas de saúde e alergias Mengele teve um derrame. Em 1979 foi a Bertioga com o casal Bosert passar um tempo na praia. Ali faleceu, o Anjo da Morte, que quase ninguém pode dizer ao certo como fora sua vida, o que realmente realizou em termos de pesquisa genética, mas que virou um mito negro, talvez, pintado de tintas escuras pelos vencedores da 2ª Guerra.

Prof. Yuri Almeida

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Poema Real

Realidade? O que é realidade?
Existe realidade? Seria suprarrealidade?
Surrealidade? Mesorrealidade?
Necrorrealidade aproxima da verdade.
Mas verdade? O que é verdade?
Esquece verdade, voltemos a realidade.

Mas o que é realidade?
Fato heterônomo?
Haha, alguns crêem na realidade teônoma!
Mas se não sei o que é realidade, como definir sua teleologia?
Seria melhor chamar funerrealidade.
Mas espera aí, se não existir realidade,
não pode haver funerrealidade.

Por que não? Dualismo é a realidade?
Quem sabe a realidade seja um
necrocanibalismo vomitorial-ontológico?
Enfiemos nossos dedos na garganta...

Prof. Yuri Almeida

Canudos

Canudos era um vilarejo situado no sertão norte da Bahia, lugarejo pobre, longe da capital do país, Rio de Janeiro e do estado, Salvador. Na república velha, a decentralização do poder fez surgir o coronelismo, que oprimia a população tanto quanto o período imperial. Os impostos aumentaram, a república não beneficiou em nada as camadas mais pobres do Brasil, surgindo alguns movimentos rurais de resistência ao governo, como em Canudos e Contestado e muitos movimentos urbanos, como o tenentismo, revolta da chibata, revolta da vacina, greves, manifestações, etc.

Forças federais estacionadas na vizinha cidade de Monte Santo, da qual partiriam os comboios da segunda expedição contra Canudos.

Uma das raríssimas fotos de Canudos íntegra, antes dos ataques que iriam destruí-la. Um modo de viver que contrastava com o resto do sertão. Há mais registros fotográficos do exército e das forças legais.

Num acampamento do Exército brasileiro, à espera do ataque ao arraial. Os soldados da fotografia estão na hora do rancho.

Nas campanhas militares contra Canudos, reuniram-se forças do Exército e tropas estaduais baianas com o poderio bélico crescente.

O leito seco do rio Vaza-Barris ilustra os gravíssimos períodos de estiagem que afligiam o Nordeste na época das peregrinações.

Nas grandes cidades, a imprensa recorria às charges para retratar o "fanático" e a repressão militar a ele.

Mulheres e crianças se entregam aos soldados da quarta expedição militar contra Canudos: fraqueza, fome, doenças e principalmente, medo.

A Igreja de Antônio Conselheiro foi destruída a tiros de canhão. A maioria dos canudenses presos foi degolada. A Igreja Católica considerava Conselheiro um herege. Por isso não houve problemas de bombardear seu templo.

Antônio Conselheiro morto. Foi encontrado em cova rasa, vestindo sua túnica azul e sandálias. Esta é a única fotografia que se tem dele. Canudos deveria ser motivo de vergonha ao exército brasileiro.

As ruínas da igreja, atualmente. Só ficam visíveis quando baixa muito o nível das águas do açude de Cocorobó, que inundou toda a região.