domingo, 13 de fevereiro de 2011

Descendentes e ex-escravos ricos que voltaram para a Africa

De praxe pensamos que os descendentes dos escravos eram pobres. No final do Séc. XIX, muitos escravos alforriados voltaram para a África e até hoje são chamados de comunidades brasileiras. Muitos se enriqueceram e tornaram-se as elites africanas, principalmente na cidade de Lagos.
Abaixo fotos tiradas no Brasil, Nigéria e Benin, dessa interessante história desconhecida de muitos - ex-escravos e descendentes que se tornaram ricos comerciantes, médicos, advogados, políticos, donos de muitas propriedades.
Essa pintura é de Debret (1839). Retrata o oficial de barbeiro no Brasil, que quase sempre era negro ou mulato. O europeu chocava com tal, mas o habitante do Rio de Janeiro utilizava vários trabalhos realizados por escravos. O barbeiro podia ser ao mesmo tempo, um cabeleireiro, um cirurgião que utiliza bisturi e um destro aplicador de sanguessugas, técnica bem utilizada como anestesia. Segundo os viajantes Th. Lindley e Wetherell, na Bahia, os barbeiros eram de músicos a arrancadores de dentes.


A esquerda, escrava doméstica. Artur Gomes Leal com sua ama-de-leite Mônica, 1860. A direita, escravo alforriado. Carte visite (Coleção Francisco Rodrigues, Fundação joaquim Nabuco, Recife).

Escrava de ganho, vendendo frutas no Brasil, cerca de 1860. (Museu Imperial, Petrópolis)

Crioula, 1885. O termo crioulo, nesse caso, é denominação principalmente linguística africana, mas também para denominar grupos étnicos em várias regiões da África. A direita, Iorubá (grupo étnico da África Ocidental, sendo o segundo maior grupo da Nigéria) com escoriações características, fotografado em Salvador em 1885. (Coleção Tempostal, Salvador).

Escravos do eito numa fazenda fluminense por volta de 1885 (Museu Imperial, Petrópolis).

Costureiras brasileiras em Abeokutá (capital do estado de Ogun, na Nigéria), sec. XIX (Société des Missions Africaines, Roma). Com certeza retornaram a terra África.

Os homens mais ricos da comunidade brasileira, ou seja, ex-escravos do Brasil que voltaram a África, mandavam seus filhos para estudar na Europa ou na Bahia. Assim se formaram os primeiros médicos e advogados da Nigéria, como Plácido e Honório Assumpção. As carreiras de funcionário do governo colonial inglês e em empresas estrangeiras atraíam muito dos chamados "brazilian descendants". Os irmãos acima adotaram o nome iorubá Alakija. Parte da família voltou para a Bahia no começo do sec. XX. (Documento da família fotografado por Pierre Verger).

Acima, capela de bambu, primeira igreja Católica de Lagos (cidade portuguesa no distrito de Faro), 1872. Sentado entre dois missionários francesesm de chapéu, está o padre Antônio, ex-escravo do prior do Carmo do Salvador. Abaixo, sagração do católico de Lagos, Monsenhor Lang, em 1902. (Société des Missions Africaines, Roma).

Decoração dos festejos da abolição: sob os retratos de D. Pedro II e da Rainha Vitória, vêem-se as armas do Império do Brasil, ladeadas pelas bandeiras inglesa e brasileira. (Société des Missions Africaines, Roma).

Acima, comitê brasileiro dos festejos da abolição, reunindo os membros mais representativos da elite brasileira em Lagos. Abaixo, atores da peça "The Mysterious Ring", drama em cinco atos, apresentada em 5 de outubro de 1888, como parte dos festejos lagosianos pela Abolição da Escravatura. Os brasileiros em Lagos eram grandes aficionados do teatro clássico e da música lírica (Société des Missions Africaines, Roma).

Família brasileira em Lagos. (Société des Missions Africaines, Roma).

Mulheres da comunidade brasileira de Lagos. No brasil no sec. XIX, as africanas admiravam seguir a moda européia.
Grupo de mulheres iorubá no final do sec. XIX, com roupas tradicionais, "adirés" e panos da costa. (Société des Missions Africaines, Roma)

A esquerda, Hypolito dos Reis, nascido na África, filho do brasileiro Papai Muda Lugar (que devia seu nome ao fato de ser mestre de dança em Lagos). Hypolito acaba indo para a Bahia. A direita, membro da família Martins (documento da família).


A esquerda, Porfirio Maxwell Assumpção Alakija, filho de Marcolino. Nascido na África, instalou-se na Bahia, onde foi professor de inglês e onde colaborou com Nina Rodrigues. Foto feita em Lagos. A direita, Plácido Assumpção (Sir. Adeyemo Alakija). Nascido em Aneokutá, em 1884, foi educado em escola católica em lago, seguindo depois para a Inglaterra, onde se formou em Direito criminal. Foi um dos poucos advogados da comunidade brasileira a ocupar cargo influente nos quadros do governo colonial. Teve participação significativa na vida política de Lagos. Convertido ao anglicanismo, foi dirigente da sociedade secreta Reformed Ogboni, antiga sociedade iorubá, causa de séries divergências da Igreja Anglicana. Foto tirada na Bahia, por volta de 1911. (Documentos da família, fotografados por Pierre Verger). Interressante como, poucos anos após a abolição, um negro consegue uma ascensão social tão expressiva.

Acima, família Suberu, em Ondo (maior cidade do Estado de Ondo, na Nigéria). Abaixo, famíliaFragoso. Ambas, ex-escravas no Brasil. (Documento da família)

Sentado, Lucio Mendes da Costa. Foi escravo na Bahia, voltou para Lagos e depois retornou a Bahia, morrendo em Cachoeira. Seu filho, Cypriano Lucio Mendes, de pé, comerciava "carne do sertão" (charque) importada do Brasil. Rico, consta que possuía cinquenta casas e que teria perdido a fortuna em um naufrágio (documentos da família).
Família Mendes, no Rio de Janeiro. Parte dessa família está em Lagos, parte em Cachoeira, na Bahia, e parte no Rio de Janeiro. (Foto cedida pela família em Lagos. A mesma foto foi encontrada em Cachoeira)

Cosmos Anthonio, nascido em Lagos em 1889, de mãe baiana, fotografado aos 76 anos, em Oshogbo (capital e a maior cidade do Estado de Osun, na Nigéria). Sua avó materna, Felicidade Maria de Sant'Anna, era uma princesa Ijexá, retornada do cativeiro no Brasil e que comerciava com a Bahia. A direita, Dominga Ariike Anthonio, esposa de Cosmos e brasileira de Lagos.

A esquerda, João Esan da rocha em foto anterior a 1870, tirada no Brasil. Vendido como escravo aos 10 anos, comprou sua alforria aos 30 anos. Voltou para Lagos com sua mulher e seu filho e tornou um rico comerciante (Coleção família Rocha-Thomas). A direita, Louisa Angélica Nogueira da Rocha, em foto de cerca de 1870, mulher de João Esan, com seu filho Cândido da Rocha. Cândido tornou-se um grande comerciante de ouro. Tinha cavalos de corrida e luxuosas carruagens. Seu irmão, Moysés da rocha, estudou medicina em Edimburgo e especializou-se em doenças tropicais. Foi um fecundo jornalista, estreitamente ligado a Igreja Católica (foto Pierre Verger, coleção família Rocha-Thomas).

Família de João Angelo Campos, comerciante e uma das maiores fortunas de Lagos no sec. XIX. Teve grande participação na vida política e cultural da cidade. (Société des Missions Africaines, Roma).

Acima, João Angelo Campos, em foto tirada na Bahia, em casa de sua afilhada Ana Cardoso. Abaixo, duas casas de propriedade da família. A da esquerda, construída em 1897, pertenceu a Romão Campos, comerciante que deu nome a Campos Square, centro do brairro brasileiro em Lagos. (Société des Missions Africaines, Roma).




As fotos e informações acima foram tiradas do livro:
Da senzala ao sobrado: arquitetura brasileira na Nigéria e na república popular do Benin/Mariano Carneiro da Cunha, Ed. USP.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Escravo na zona rural no século XIX

A vida do escravo na fazenda era bem mais difícil do que a do escravo urbano, mesmo no período do processo de abolição. Segundo Emília Viotti da Costa, em sua obra Da Senzala à Colônia, o escravo rural era submetido à uma dominação ainda mais repressora que o escravo urbano.

“O escravo urbano gozava inegavelmente de uma situação superior a do parceiro do campo. As possibilidades que tinha de conseguir a alforria eram maiores, melhores em geral suas condições de saúde, e mais suave o tratamento que recebia, pois os olhos da lei andavam mais perto” (1982: 289)

A vida do escravo na zona rural era bem diferente. No campo o senhor tinha plena autoridade, este que representava a Igreja, a justiça, a força política e militar.

Nas atividades da fazenda o escravo trabalhava uma média de 15 a 18 horas diária. A rotina dos escravos era esta: as 4 ou 5 horas, antes mesmo do sol nascer, se apresentavam ao feitor. Divididos em grupos iam para os cafezais. As 09 ou às 10 horas passavam para almoço, as cozinheiras preparavam a refeição no próprio local, em grandes caldeirões. Meia hora depois recomeçava o serviço. À uma hora interrompiam o serviço para o café com rapadura. Às 4 horas jantavam e o trabalho prosseguia até o escurecer, quando novamente se apresentavam ao feitor. De volta do campo, dedicavam aos serviços no terreiro nas casas de engenho, no paiol e no preparo dos alimentos para o dia seguinte. As 10 ou 11 horas após uma ceia, recolhiam às senzalas.

Geralmente as senzalas eram construções de pau-a-pique, cobertas de sabe, sem janelas, apenas aberturas de 30 e 40 centímetros junto à cobertura com uma única porta, localizadas próximas à residência dos fazendeiros para poder se fiscalizar melhor os escravos. No corredor das senzalas tinham fogões primitivos onde os negros preparavam alguns pratos simples. Atrás da senzala, ficavam as privadas ou barricas com água que eram diariamente esvaziadas e limpas. Homens e mulheres dormiam em casas separadas, as crianças juntamente com as mães. Em algumas fazendas tinham pequenas cabanas ao lado das senzalas, destinadas aos casais.

Apenas nos domingos e feriados a rotina era alterada. Os escravos trabalhavam pela manhã cortando lenha, limpando córregos, concertando cercas, repassando estradas. À tarde tinham folga. Em certas fazendas alguns escravos recebiam um lote de terra para cultivar. Acreditava o senhor que isto seria uma forma de manter a segurança, pois assim mantinha o escravo ocupado, evitando concentrações. Para evitar tais concentrações, muitos fazendeiros substituíam a folga do domingo por um dia da semana.

Existiam senhores muito devotos que impediam qualquer trabalho aos domingos e dias santificados. Dia de repouso era dia de festa, recebiam roupas limpas, o vestuário era simples. Os homens usavam calça e camisa de algodão grosseiro. Na maioria das fazendas, as roupas eram renovadas apenas uma vez por ano. Geralmente eram trocadas aos domingos e lavadas uma vez por semana. Expostas ao sol e a chuva, as lavagens semanais estragavam as roupas. Negros esfarrapados, mesmo nas melhores fazendas, escandalizavam os viajantes. As escravas utilizadas nos serviços domésticos eram mais bem vestidas.

O pouco dinheiro que o escravo conseguia acumular em horas de trabalho domingueiro gastava em fumo, bebida, bugigangas e roupas. Nas vendas de beira de estrada, a pretexto de se vender cachaça às populações rurais, acobertavam o roubo e o contrabando. Os vendedores agiam muitas vezes como receptores. Galinhas, porcos, objetos de prata, café eram desviados das fazendas.

As posturas municipais tentavam em vão acabar com estes abusos. Uma das leis dizia que, todo aquele que comprasse de escravos café, objetos de prata, ouro brilhantes, ou qualquer objeto de casa, sem ordem por escrito do seu senhor, seria multado em 30$000 e encarcerado oito dias. Autorizava-se qualquer pessoa do povo a prender o escravo que encontrasse vendendo qualquer dos objetos mencionados, desde que testemunhado por duas pessoas.

As leis se repetiam, o que demonstrava sua ineficiência. A prática persistia. Um dos recursos utilizados pelos senhores para conter a população escrava era a religião, ela aparecia como mediadora entre senhor e escravo, o consolo do aflito, a esperança do desgraçado, obediência ao senhor, caracterizado como um pai a ser temido e respeitado. Alguns senhores exigiam que os escravos confessassem uma vez por ano. O pensamento da Igreja aconselhava moderação aos proprietários, e aos escravos aconselhava resignação e esperança na vida eterna, humildade e obediência, eis o catecismo do negro.

As fazendas dificilmente tinham um padre permanente. A maioria possuía oratórios e capelas, mas raramente recebiam a visita do capelão da paróquia. Em algumas fazendas, a prática limitava-se a uma reza vespertina. Em outras havia curtas preces de manhã e a noite. Em alguns casos reservava-se as orações para os domingos e dias santificados. Na obscura compreensão do cristianismo os escravos embrulhavam o latim como embrulhavam as práticas religiosas, e de tudo isso resultava um sincretismo muito complexo.

Haviam senhores que permitiam aos sábados e aos domingos e dias de festa, como casamentos e batizados, que escravos promovessem no terreiro os seus batuques. Muitas vezes, as autoridades viam nessas reuniões inofensivas uma séria ameaça à segurança pública e proibiram sua realização. A devoção aos santos, comum à população branca, encontrava-se também difundida entre os escravos.

Na senzala e na casa grande, religião materializava-se. Religião e superstição confundiam-se. A criança adoecia e diziam que era mal olhado, se a enxada quebrava diziam ser obra do saci, responsável também pela louça que quebrava ou pelas coisas que desapareciam. O feiticeiro tinha muito prestígio entre os escravos, por ser capaz de controlar as forças hostis e prestar benefícios à coletividade. Mas ao mesmo tempo aparecia como uma pessoa perigosa, vivia freqüentemente afastado dos demais, seus medicamentos eram feitos à base de ervas, pedras, excrementos, etc.

Nas fazendas raramente havia assistência médica, nos primeiros tempos, o isolamento em que viviam, a dificuldade dos meios de transportes, o escasso número de médicos disponíveis obrigaram o fazendeiro a transformar-se em médico prático. Os manuais de medicina gozavam de grande prestígio. Eram escritos livros com este propósito, como: “Tratamento das doenças dos negros”, “Dicionário de medicina doméstica popular”, “Guia médico do fazendeiro”.

As más condições higiênicas das senzalas, as penosas condições de trabalho sob o sol e a chuva, a precariedade do vestuário e da alimentação, os estragos causados pela cachaça minavam o corpo do escravo, contribuindo para o alto índice de mortalidade entre eles. A duração média da força de trabalho era de 15 anos e, nas fazendas sempre haviam escravos momentaneamente incapacitados, numa cifra de 10% a 15%. A mortalidade infantil chegava a atingir 88%. A Falta de higiene alimentar também consumia grande número de crianças. As mães eram obrigadas a iniciar cedo a desmama.

Os índices de mortalidade referentes à população negra permaneceram muito altos mesmo depois de abolida a escravidão. A grande mortalidade era provocada principalmente pela febre amarela e a malária. Durante o período da escravidão os maiores índices caíram sobre a população infantil. Durante a campanha abolicionista deram força de argumento aos altos índices de mortalidade.

A população escrava em vez de crescer, diminuiu no decurso do século XIX, como prova de alta mortalidade. As epidemias eram facilitadas pelas más condições higiênicas e pela promiscuidade em que viviam. As mais graves eram a cólera, a febre amarela e a varíola. A partir de 1885, houve numerosos casos da cólera-morbo. Nesse ano, assumiu tais proporções que, o governo preocupado, tomou medidas para sufocá-la, aconselhando aos fazendeiros o maior desvelo quanto à habitação, vestuário e tratamentos. As epidemias de varíola sucediam-se nas fazendas e nas cidades. No Rio de Janeiro foram numerosos os surtos de varíola e também na província de São Paulo. O “banzo” foi considerado o mal da escravidão, nascia das manifestações de nostalgia que suscitava o regime de escravidão, comparado à liberdade antiga se caracterizava entre os negros pela apatia e por mortal tristeza. Esses sintomas eram o da moléstia do sono.

Causa freqüente da mortalidade eram as picadas de animais venenosos, como aranhas e cobras. Descalços, na lida da lavoura, ficavam sujeitos a serem atacados por elas. Diversas verminoses diminuíam a capacidade de trabalho, produzindo cansaço e apatia. Mas também eram graves os numerosos casos de tétano. Trabalhando nas zonas rurais, os escravo, muitas vezes, contaminavam-se com micróbio do tétano e morriam entre convulsões e enrijecimentos.

Numerosos eram os casos de lepra e retite gangrenosa. A maioria dos senhores alforriava os leprosos, assim como outros cuja moléstia não tinha cura. As queixas contra lázaros que vagavam pelas estradas e acampavam juntos às cidades, pondo em pânico a população, multiplicavam-se. De vários lugares, solicitavam-se da administração medidas que obrigassem os senhores a interná-los, bem como a construção de hospitais com essa finalidade.

A condição do escravo na zona rural foi consideravelmente inferior à condição dos negros na zona urbana, mesmo que na cidade também existissem abusos fora da lei, lei que já era perversa. Na fazenda a lei podia ser ainda mais desrespeitada uma que estava extremamente distante, quando não inexistente.

Referência Bibliográfica

COSTA, Emília Viotti. Da senzala à colônia. (2ª ed.) São Paulo, Ciências Humanas, 1982.


Por Prof. Diego dos Santos de Andrade

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Guerra dos Mascates 1710/11

Em 1630 os batavos invadiram o nordeste brasileiro. Nada mudou radicalmente na região, pois os “holandeses” estavam interessados no comércio do açúcar e não na sua produção ou nos engenhos.

O problema foi que, Recife, que até então era apenas um distrito de Olinda, passou a ser a capital da província, até 1654, quando os batavos saem do Brasil.

Olinda era uma cidade aonde permaneceu os latifundiários. Já em Recife, cresceu uma pequena burguesia portuguesa, chamados de mascates, e que a cada dia se enriqueciam mais.

Assim, Olinda se firmava como a cidade dos senhores de engenho e Recife como a cidade dos mascates – cidades rivais, uma espécie de rivalidade entre “nobreza” e “burguesia” aparentes, pois não podemos afirmar que no Brasil colônia havia uma nobreza e burguesia propriamente dita.

Devido o fato dos batavos produzirem açúcar em colônias das Antilhas, o preço do produto sofre queda no mercado internacional. Isso levou muitos senhores de engenho a contrair empréstimos dos mascates. A grosso modo, era o enriquecimento de uma pequena burguesia portuguesa as custas do empobrecimento de latifundiários brasileiros.

Para piorar a situação, esses “grandes senhores” também tinham problemas com o fisco. Para facilitar a cobrança, a Coroa vendia o direito de cobrança de impostos aos arrematadores, que pagavam, em muitos casos, a dívida com abatimento e depois lucrava com os juros dos devedores. Quem eram esses arrematadores? Os mascates.

A rivalidade ganha corpo e em 1710/11 acontece a Guerra dos Mascates. O poder econômico de Recife consegue instalar uma câmara municipal, que é uma espécie de prefeitura no período. Os senhores de terras pegam em armas, derrubam o pelourinho de Recife e chegam a ferir o governador de Pernambuco, que busca refúgio na Bahia.

Chiavenato salienta que a Guerra dos Mascates foi equivocadamente apresentada oficialmente como guerra nativista, erro grotesco, visto que os mascates eram na sua maioria, comerciantes portugueses.

Os mascates desejavam que a capital fosse definitivamente para Recife, afinal, aliar poder econômico com poder político é sacramentar o domínio. Já haviam mascates eleitos vereadores e até conseguiram aprovar leis que permitiam a execução judicial de senhores de engenho devedores.

Para preservar suas posses, a Guerra dos Mascates, era por parte dos latifundiários, única chance de reverter um quadro quase certo de falência da mal formada aristocracia olindense.

O latifundiário Bernardo Vieira de Melo chegou a propor que Olinda se tornasse uma república independente, mas para tal precisava de muitas coisas inatingíveis, afinal, não se proclama uma república apenas com desejo.

No final da história, os senhores de terras de Olinda perderam a guerra, contudo, permaneceram com suas posses. Na realidade, foi um acordo. Olinda desistiu da guerra em troca de não terem a execução de suas propriedades e engenhos e o perdão das dívidas.

Também , o capitão-mor deveria ficar seis meses em Olinda e seis meses em Recife. Porém, em 1827 Recife tornou definitivamente a capital da província.

Já o povo, continuou sendo povo. A Guerra dos Mascates foi um conflito por poder local, mais por poder político do que econômico. Não havia reivindicações sociais. Pobre continuou sendo pobre, escravo permaneceu escravo. Índios continuaram na mesma situação. Senhores de engenho permaneceram latifundiários e mascates continuaram com suas atividades.

Prof. Yuri Almeida




Leia "As lutas do povo brasileiro:
do descobrimento a Canudos"
de Júlio José Chiavenato, da Editora Polêmica.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Guerra dos Emboabas (1708-10)

No início do sec. XVIII, as terras brasileiras ainda não tinham donos legais, com registro em cartório. O dono de um pedaço de terra era quem chegasse primeiro.

Os bandeirantes paulistas entraram sertão adentro em busca de índios, para serem vendidos como escravos, e de riquezas, principalmente o ouro, que poderia mudar a sorte de homens sem muita perspectiva em São Vicente.

No final do sec. XVII os paulistas haviam descoberto ouro na região das minas, Vila Rica. Devido a isso, achavam que por direito eram donos da terra e da exploração, mesmo faltando comprovação jurídica sobre a posse de tal.

Quando a região das minas é descoberta, migra gente de todos os lados para tentar se enriquecer com a mineração aurífera. Portugueses, baianos e pernambucanos, conhecidos como emboabas (emboaba significa estrangeiro), reivindicavam o direito a exploração do ouro, afinal, a terra não tem dono. Inicia a Guerra dos Emboabas.

De um lado os paulistas, que tinham esse nome porque partiram de São Paulo (mas havia entre estes: lusitanos, homens brancos nascidos no Brasil e até filhos de portugueses com índias, os mamelucos) e de outro os emboabas.

A corrida pelo ouro não havia regras ou leis bem estabelecidas, somente a sede pela fortuna. Havia risco, inclusive de Portugal despovoar-se em decorrência da emigração. Por isso o governo aumenta impostos, dificulta a mineração e chega a suspender a exploração. Em 1702 o governador Silveira e Albuquerque tenta “trancar os caminhos” das minas, na linguagem da época”, cita Júlio José Chiavenato.

Mas na realidade, os emboabas não chegaram do nada reivindicando direito de exploração. Em 1664 foi estabelecido o quinto e dado o direito aos paulistas sobre a descoberta. Mas para impedir a mineração desenfreada e a sonegação, o governo mais que dobra os impostos. Assim, os paulistas abandonaram as minas. Nesse período apareceram os emboabas, que chegaram num momento de fome e desordem no sertão brasileiro.

O conflito iniciou quando um paulista em Pindamonhangaba matou um português porque ele se recusou a vender sua escrava. A guerra começa quando os emboabas cercam Sabará e incendeiam a aldeia, matando muitos. Havia mortes para todo o lado. Até a Igreja entrou no conflito, afinal, o que estava em jogo era ouro.

O governador dá razão aos paulistas, que tinham o apoio até mesmo de grupos indígenas. Chiavenato afirma que o governador apoiou os paulistas alegando que eles além de descobrirem as minas, são mestres em matar índios e são bons garimpeiros.

Houve religiosos que apoiavam lados opostos. Os freis Francisco de Meneses e Amaral Gurgel e Firmo apoiaram os emboabas e cometeram atos de extrema violência. Isso pode ter sido um dos motivos que fez o rei tentar expulsar os religiosos da região das minas.

A guerra se intensificou. Os emboabas eram maioria e venceram a guerra, com milhares de mortos na contabilidade. A historiografia oficial classifica a guerra de luta nativista.

A realidade da Guerra dos Emboabas era uma só, a luta por ouro numa terra sem leis. Não obstante, o governo português se conscientiza que precisa melhorar a administração na colônia, principalmente na região das minas. Assim, cria a Capitania das Minas do Ouro e passa a controlar a mineração mais de perto.

O motivo porque índios lutaram do lado de brancos, principalmente dos paulistas é desconhecido, por falta de documentos históricos.

Professor Yuri Almeida




Leia "As lutas do povo brasileiro:
do descobrimento a Canudos"
de Júlio José Chiavenato, da Editora Polêmica.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Estatísticas do Blog História Crítica

Agradecemos a todos os seguidores do História Crítica pelo sucesso do projeto.
Tivemos, de maio a dezembro de 2010,
33.299 visitas, sendo 30.742 do Brasil, 1.224 de Portugal, 349 dos Estados Unidos, 100 da Angola, 42 visualizações da Itália, 41 da Romênia, 39 da Alemanha, 38 da França, 34 da Espanha, 27 do México, além da Eslovênia - foram 10 visitas só no mês de dezembro - mais Moçambique, Nepal, Hungria, Japão e Cingapura. Provavelmente foram brasileiros espalhados pelo mundo que se interessam em estudar história.

A postagem que teve mais acessos foi a 2ª Guerra Mundial, com
6.300 visualizações, seguida de Canudos com 1.339 visualizações, Igreja Católica na Colonização da América Espanhola de autoria do prof. Hugo Fernando do Couto Faco, com 934 visualizações, Guerra do Vietnã com 875 e Formação do Estado no Brasil: Colônia e Império da profª. Luciane Martins Scaramel, com 806 visualizações.

Que em 2011 nosso sucesso proceda, visando uma educação de qualidade e que mais pessoas se interessem em estudar História, pois, como dizia Rudolf Bultmann:A razão última para o estudo da história é tornar-se consciente das possibilidades da existência humana.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Presidentes da República Velha


A política na República Velha beneficiava grupos oligárquicos, principalmente São paulo e Minas Gerais. Nesse período não houve avanços sociais no Brasil.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Crise de 1929

"Alguns daqueles anos podem servir para ilustrar o fato. [...] Em Chicago, a maioria das mulheres trabalhadoras ganhava menos de vinte e cinco centavos por hora e um quarto delas ganhava menos de dez centavos. Só num distrito de Nova York, dois mil desempregados faziam a fila do pão, todos os dias. No país como um todo, a construção civil caiu em 95%. Nove milhões de contas de poupança foram perdidas. 85.000 empresas faliram." (Heilbroner, Robert)

Há uma certa dificuldade de entender a Crise de 1929. Mas é fácil de entender. Precisamos compreender primeiro o momento histórico dos EUA na década de 1920. Posteriormente, conhecer o que é uma empresa SA e uma bolsa de valores. Assim, verems que os EUA viviam um momento de euforia econômica e uma crise na bolsa de valores de Now York, o que gerou uma depressão econômica jamais vivida em toda década de 1930.

Quando a 1º Guerra Mundial terminou, os EUA se firmaram como país mais rico do mundo, pois além de não terem sofrido fisicamente com os conflitos como aconteceu na Europa, eram os maiores produtores mundiais de aço, comida enlatada, máquinas, rádios, petróleo, carvão, tecidos, milho, chapéus, discos, fogões, brinquedos, etc. À cada 100 carros produzidos no mundo, 85 eram dos EUA. A classe média dos EUA tinha conforto. A publicidade ampliava o consumismo.

Na década de 20, o país era conhecido pelas festas e noites em que a burguesia e classe média se divertiam nas noites.

A indústria inventava constantemente novos bens de consumo. Surgiram os alto-falantes , que permitiam um som mais alto para festas. O jazz crescia nas boates. O povo norte-americano ia se viciando com festas e agito.

O capitalismo transformou tudo em mercadoria, em negócio, em fonte de lucro – o que aconteceu até com a diversão, através do cinema, principalmente em Hollywood. O rádio chegou aos EUA, levando informações a milhares de pessoas ao mesmo tempo.

Os EUA viviam um frenesi capitalista: a classe média ouvia rádio e discos, dirigia automóveis, dançava nas boates, jogava nos cassinos, comprava sem parar e ia aos cinemas.

Bolsa de Valores
Existem as
empresas LTDA (Limitadas) que possuem um ou poucos donos e as empresas SA (Sociedades Anônimas ou Sociedades por Ações) cujos donos são sócios que possuem certas quantidades de ações. A maioria das empresas capitalistas é SA.

Se, por exemplo, um acionista (sócio) possui 11% das ações de uma empresa, significa que ele é dono de 11% da empresa. Também, que 11% dos lucros desta são dele e caso haja prejuízo, 11% é de sua responsabilidade.

Se uma empresa possui bons lucros terão muitas pessoas querendo adquirir suas ações e elas se tornam valiosas. Se uma empresa apresenta prejuízos terão acionistas querendo vender suas ações e poucas pessoas querendo comprá-las, abaixando os preços dessas. Assim, quando a procura é maior que a oferta os preços sobem. Quando a oferta é maior que a procura os preços caem.

As ações podem ser negociadas nas bolsas de valores.

Nos EUA dos anos 1920, a euforia econômica fazia as ações de suas empresas estarem em alta.

Contudo, as notícias de falências de algumas empresas fizeram investidores apavorarem e colocarem suas ações em venda, o que fez seus preços caírem vertiginosamente, até acontecer o Crack (quebra) da Bolsa.

Crack da Bolsa
24 de out
ubro de 1929 começou a maior crise econômica da história do capitalismo.

Na Bolsa de Valores de New York, os valores das ações começaram a despencar. Os investidores corriam para vender suas ações, mas ninguém queria comprar. Isso fez a bolsa quebrar – CRACK – muitas empresas entraram em falência.

Se as ações de uma empresa estão em decadência, ninguém investe nela, produzindo menos. Isso gera demissões de empregados e dívidas.

Se uma empresa quebra, outras de seu ramo a seguem. Por exemplo, se uma empresa de refrigerante quebra, as empresas que produzem a tampinha e a garrafa quebrarão concomitantemente. Além disso, essas empresas ficarão devendo para os bancos e para outras empresas, que também quebrarão, gerando desemprego em alta escala. O CRACK da bolsa de New York fez também as bolsas de valores de Londres, Berlim e Tóquio estourarem. Isso aconteceu porque a economia já era interligada mundialmente. Estourando a bolsa de New York, os EUA importaram menos, havendo prejuízos que fizeram despencar as ações de empresas no mundo todo.

Muitos milionários ficaram pobres de um dia para outro. Os trabalhadores ficaram desempregados. Aumentou o número de mendigos, milhares de pessoas passaram fome nos EUA. Um terço da Alemanha ficou desempregada. Na Inglaterra, muitos pediam esmolas. A prostituição aumentou em decorrência das necessidades sociais.

Em toda década de 1930, os EUA mergulharam numa crise econômica, chamada de GRANDE DEPRESSÃO. Em 1934 os EUA produziam menos da metade que em 1929.

Motivo do CRACK - Superprodução
Na década de 1920 a economia dos EUA só visava lucros e cresceu sem planejamento. Chegou um momento em que a produção superou a capacidade de consumo da sociedade, ou seja, havia mais produtos do que consumidores para comprar.

A superprodução foi a causa da crise de 29.

As industrias produziram tanto que o povo não tinha dinheiro e nem necessidade de comprar tanta mercadoria. Os produtos ficaram encalhados nas lojas. Os empresários começaram a despedir empregados por falta de vendas. Com o aumento do desemprego, menos pessoas compravam, acirrando a crise.

NEW DEAL
Em 1932 Roosevelt tornou presidente dos EUA.

Para resolver o problema da crise, Roosevelt seguiu as idéias do economista Keynes – que pregava o social-liberalismo, que defende a economia capitalista, mas com intervenção do Estado, inclusive no social.

O plano de Roosevelt foi chamado de New Deal (Novo Tratamento). Através do New Deal, o governo passou a fiscalizar investimentos nas bolsas, criou programas de obras públicas e empresas Estatais, contratou empresas privadas para fazerem estradas, praças, escolas, etc. Com essas obras diminuía o desemprego e a indústria era aquecida.

Com o povo trabalhando o consumismo retornaria, melhorando a economia. O governo criou também com o New Deal, leis sociais que protegiam trabalhadores e desempregados.

Para evitar superprodução na agricultura, Roosevelt pagava agricultores para não produzirem ou comprava cereais e queimava. Tal política era comum no Brasil com o café.

O New Deal ajudou a economia melhorar, mas a recuperação dos EUA só veio com a 2º Guerra Mundial, pois o país vendeu aço, máquinas, peças, etc, além de muitos desempregados americanos morrerem na guerra.

Lutas de classes
Na década de 1920, apesar do frenesi capitalista, os trabalhadores viviam mal. Operários lutavam pelos seus direitos. O governo ficava do lado dos patrões.

Anarquistas e comunistas eram perseguidos e poderiam ir para cadeira elétrica.

Na história, é comum os governos apoiarem as elites em detrimento de classes mais pobres necessitadas.

O capitalismo norte-americano também produz desigualdade social. Com a Grande Depressão, agravou-se os problemas sociais.

O capitalismo yanke é propício a crises por ser desenfreado e sem planejamento estatal. Já no séc. XXI os EUA já inauguraram uma crise, mas não passou de uma recessão.

Prof. Yuri Almeida

terça-feira, 14 de dezembro de 2010


A utilização do Blog História Crítica como metodologia de estudo e avaliação foi notícia no Jornal EPTV Sul de Minas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

História do Natal

A palavra natal vem do latim natale, forma reduzida de natalis dies que significa "dia do nascimento". Em inglês, cristmas foi formado das palavras latinas christ que significa "cristo" e mass que significa "a festa da eucarisitia". Ainda da palavra latina natale veio a palavra francesa Noël, que originou Père Noël, que é o "Papai Noel" em português, figura que surgiu no século XIX, correspondente a Saint Nicolas do norte da França e ao anglo-saxônico Santa Claus. Claus veio do alemão Klaas, forma reduzida de NiklaasNicholas em alemão.

Há incertezas sobre o verdadeiro motivo pelo qual o natal ou festa do nascimento de Jesus é comemorada no dia 25 de dezembro. A protocomunidade cristã não festejava o natal, por isso o novo testamento não relata essa festa. Isso dificulta dizermos ao certo a data em que Cristo nasceu, mas o lógico seria 1º de janeiro, visto que nosso calendário marca sua era.

Não obstante, temos uma evidência histórica de celebração do nascimento de Cristo no bispo de Roma e apologista antignóstico Hipólito, no século III. Este havia escolhido a data 2 de janeiro como celebração natalina. Porém outros optaram por datas diversas, como 20 de maio, 18 ou 19 de abril, 25 ou 28 de março. Antes porém dessas datas serem observadas, por algum tempo o dia 6 de janeiro era considerado a data em que Cristo fora batizado por João Batista. Nessa última data comemorava-se no mundo pagão a festa de Dionísio (Deus da fertilidade e da vegetação na mitologia grega, cuja adoração relacionava-se ao vinho).

A passagem do dia 5 para 6 de janeiro devotava-se a festa do nascimento de Cristo e o dia 6 do mesmo mês celebrava-se seu batismo. Doravante, no dia 6 de janeiro passou a ser celebrado a epifania (manifestação do Cristo mediante encarnação) naquela época. Por isso entre 325 e 354 d.C. o natal foi transferido para o dia 25 de dezembro. Em Roma essa data é observada desde o ano de 336 d.C. O teólogo Orígenes do século III repudiava a idéia de festejar o nascimento de Cristo, pois dizia que Cristo não era um “faraó”.

O motivo para a data ser 25 de dezembro é incerta. Muitos atribuem ao imperador Constantino que, teria colocado essa data para substituir a festa pagã em honra ao sol. Essa festa pagã comemorava o solstício de inverno (renascimento do sol), pois no hemisfério norte os dias passavam a ser mais longo devido à inclinação do planeta. As Saturnálias romanas, festa com exageros dedicada a Saturno, deus da agricultura, também era observada na mesma época.

Com certeza muitos costumes do natal são oriundas dessas festas pagãs. Caso Constantino seja o responsável pelo natal no final de dezembro, essa data fora um estratagema político, pois sabemos a força que os cristãos começavam a ganhar no Império e os verdadeiros motivos da conversão do imperador ao cristianismo. Os cristãos armênios celebram o natal no dia 6 de janeiro até hoje.

O natal é uma festa mais pagã do que cristã, apesar do cristianismo ter sua formação a partir do judaísmo e paganismo. As fogueiras de natal foram emprestadas dos pagãos escandinavos, que as ascendiam em honra ao sol. O uso de árvore de natal era um costume das populações pagãs celtas e teutônicas que honravam as sempre-vivas, pois essas eram as únicas árvores que não perdiam as folhas no inverno rigoroso do norte da Europa, época em que festejavam a vida eterna. Essas árvores simbolizavam a promessa de retorno do sol. Também o uso da árvore serviu para substituir os sacrifícios ao carvalho sagrado de Odim, em que adoravam uma árvore em honra ao Deus-menino. Há indícios tradicionais de que a tradição das árvores de natal seja muito recente, vinda do reformador Martinho Lutero. No século XIII São Francisco de Assis introduziu o presépio na tradição natalina.

Já o papai Noel surgiu no século XIX, como já citamos. Os detalhes desse personagem foram apresentados pelo escritor norte-americano Washington Irving ou a narrativa de Clement Moore, Visit From St. Nicholas, em 1822. Porém a figura de papai Noel com seu trenó ganhou força com o cartunista Thomas Nast em 1863. Essa figura tem sua origem em São Nicolau, bispo da Ásia Menor no século IV d.C. que parecia ser um homem austero e generoso, no qual surgiu o costume de dar presentes nessa data.

Para o cristianismo, que sempre atacou o paganismo, a história do natal é mais uma prova de seus fundamentos, pois até suas doutrinas foram formadas por bases pagãs e judaicas e às vezes até encobertando interesses políticos e econômicos.

Prof. Yuri Almeida

sábado, 30 de outubro de 2010

Intentona Comunista - 1935


Em resposta ao getulismo e ao integralismo, foi criado a Aliança Nacional Libertador (ANL) que era uma espécie de partido que unia comunistas, social-democratas e tenentes de esquerda. Não defendiam o socialismo, mas mudanças radicais como a reforma agrária, a industrialização e a proibição de empresas estrangeiras atuar na produção de minerais, eletricidade e petróleo. Mas Vargas proibiu o funcionamento da ANL, que atuou na clandestinidade.

A ANL tentou em 1935 derrubar Vargas através de uma rebelião. Mas Vargas tinha espiões no movimento e venceu as revoltas que ficaram limitadas em alguns quartéis. Para acabar com o PCB (Partido Comunista do Brasil), Vargas colocou a culpa nos comunistas e chamou a rebelião de INTENTONA COMUNISTA. O PCB quase acabou, sendo seus dirigentes presos, inclusive Luís Carlos Prestes. Olga Benário foi enviada para a Alemanha nazista, sendo morta em um campo de concentração.

Diário da Tarde noticia a Intentona Comunista como movimento extremista. A própria mídia a favor do governo ou do próprio mercado via o comunismo e a URSS como inimigas.

A Intentona Comunista foi destaque nos principais jornais do Brasil. Houve uma tentativa do governo de Vargas de usar a Intentona como propaganda anti-comunista.

São Paulo, 15 de julho de 1945: Prestes acena para a multidão ao chegar ao comício no estádio do Pacaembu. À noite, ao embarcar de volta ao Rio, ele recebe a notícia: Olga está morta.

Rio de Janeiro, 1945: Prestes é um dos primeiros presos libertados pela anistia que se seguiu à derrota do nazi-fascismo na Europa.


Interior da câmara de gás onde Olga Benário foi executada, no começo de 1942, em Bernburg. Não obstante, há incógnitas sobre as formas e práticas de execução nos campos de concentração nazistas.

Prestes é interrogado na Polícia Especial, no morro de Santo Antônio.

Os rebeldes na prisão.
Da esquerda para a direita. Sentados na primeira fila: Sócrates Gonçalves, Álvaro de Souza, Benito Carvalho.
Segunda fila: Pedroso, Agildo Vieira e Gutman.
Em pé: Aires, David, Ivan Ribeiro, Leivas Otero, Picasso, Rodolfo Ghioldi, Agildo Barata, Moraes Rego e Ilvo Meireles.


Elvira Colônio (direita), a Garota, morta por ordem da direção do partido, por suspeita de traição, e seu marido Miranda (esquerda), que passaria da condição de dirigente comunista à de aliado da polícia.

Levada por policiais para um depoimento, Olga Bemárioa nuncia aos repórteres que espera um filho de Prestes: "O governo vai cometer uma injustiça contra uma mulher grávida".

Cercado de soldados da Polícia Especial, Luis Carlos Prestes é levado preso: a caçada de Filinto Müller chega ao fim.

De pijama, o capitão Agildo Barata, que tomara o 3º RI, é levado a depor por policiais militares.

Armadas de pistolas, metralhadoras e fuzis, as tropas da Polícia Especial, os "cabeça de tomate", varrem as ruas do Rio de Janeiro.

A fachada do 3º Regimento de Infantaria, tomado de madrugada pelos rebeldes e semidestruído pelas forças do governo.

A revolta fracassou, começa a repressão. Os militares rebeldes são levados às centenas para a prisão da ilha das Flores.


Minutos antes de invadir a prisão de Moabit para libertar Braun, os militantes da Juventude Comunista posam para um fotógrafo de rua.
1 - Rudi König
2 - Olga Benário
3 - Margot Ring
4 - Klara Seleheim
5 - Erik Bombach
6 - Erich Jazosch

Olga Benário aos 16 anos: militante do grupo comunista Schwabing de Munique, sua cidade natal.

O Jornal da Manhã, de 27 de novembro de 1935, noticia o levante da Aliança Nacional Libertadora (Intentona Comunista) no Rio de Janeiro. já nessa época o comunismo era temido no Brasil, reflexo da Guerra Fria.

Esta notícia publicada pelo Diário Pravda, de Moscou, em agosto de 1935, anunciava que Prestes, recém-eleito para a direção do Comitern, encontrava-se na capital soviética. Mas era apenas uma forma de confundir os serviços de inteligência brasileiro e inglês. O capitão já estava no Rio desde o começo do ano, preparando a insurreição conhecida como Intentona Comunista.
Outubro de 1931:Prestes deixa Montevidéu com destino a Moscou.

Olga (assinalada) durante o treinamento militar que recebeu em um regimento de cavalaria do Exército Vermelho.

Olga num parque em Berlim, aos 17 anos.Nessa época ela inicia sua fulminante carreira na Juventude Comunista alemã.