segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Barth, Karl


Karl Barth nasceu em 1886, em Basel, na Suíça. Era um teólogo reformado, também pastor. Em 1911 pastoreou em Safenwyl, nos alpes suíços. Em 1921 foi professor de teologia reformada em Goettingen, em 1925 em Muenster-in-Westphalia e em 1930 em Bonn.

Em 1935 os nazistas o exilaram e então ele foi professor em Basel até 1968, ano de seu falecimento. Foi aluno de Adolf von Harnack em Berlim, e foi influenciado pelo neokantianismo e por Kierkegaard e também pelo socialismo de Ragaz e Kutter. No início de sua vida como pastor, este pregou as doutrinas da teologia liberal protestante, reduzida. Quando porém, a teologia liberal estava no auge, ele se rebelou contra seus professores e em 1919 escreveu seu comentário sobre o livro de Romanos, em que praticamente resgatou a ortodoxia protestante. A teologia de Barth era de origem alemã

Em 1914 a França foi atacada pela Alemanha, o que achou Barth, uma agressão sem necessidade. O problema disso foi que, Barth descobriu que seu mestre Adolf Von Harnack apoiava a guerra do Kaiser Wilhelm II. Desiludido com a atitude de seu mestre, Barth começou a estudar com mais profundidade a bíblia e também os escritos de Sören Kierkegaard. Essa simbiose levou o pastor teólogo a começar a pregar a bíblia por uma interpretação existencialista kierkegaardiana. A influência do filósofo existencialista fez com que as obras de Barth fossem difíceis e paradoxais, porém de conteúdo não complicado.

Sua teologia anterior, alemã e liberal passou a ser uma velha tese diante de uma nova antítese que resultou em uma nova síntese, a neo-ortodoxia. Teve influência do reformador Calvino, principalmente por volta de 1925. Enfatizava a teologia bíblica, porém com conclusões racionais. Era um homem de caráter forte e de propósitos e entrou em conflito contra a igreja do estado nazista. Muitos acham que Karl Barth era liberal, mas na realidade ele não gostava do liberalismo religioso e até se manifestava contra. Ele tinha o desejo de retornar a teologia à bíblia e aos princípios reformados.

Enfatizou a transcendência de Deus e a realidade do pecado, como também a soberania de Deus, a graça e a revelação. Reconhecia que as escrituras têm imperfeições, mas que a bíblia é a fonte da revelação de Deus como também veículo. Rejeitava o misticismo cristão, e dizia que os liberais falharam, sendo a solução para o mundo o retorno aos antigos princípios religiosos.

Barth foi treinado no liberalismo alemão, talvez isso fez ele desapontar com o nazismo. O regime nazista procurou formar uma igreja Luterana de alemães, estatal. Assim a religião seria um instrumento ou órgão de apoio nazista. A idéia ganhou força na época, mas uma minoria não aceitou o absurdo e organizaram a "Igreja Confessante", que opunha-se veemente a Hitler. Barth fazia parte desse movimento de oposição ao nazismo, sendo expulso da Alemanha. Foi um grande expoente da teologia da crise, pregando que a Palavra de Deus é o registro da revelação do Transcendente. Sua teologia propriamente dita é interessante, pois ele achava que as idéias humanas sobre Deus eram meras especulações. A verdade se manifesta pela graça e não pela razão como era defendido por muitos na época. Dizia que a religião têm tendências idólatras, ou seja, revelação era diferente de religião. Barth sempre falou contra a "religião". As experiências místicas devem ser apoiadas nas escrituras e na tradição cristã. O ponto de partida da teologia de Barth era Deus e não o homem, sendo assim aceitava a cristologia clássica e o dogma da trindade, ou seja, suas análises teológicas partia de cima, da trindade, da revelação, da graça, e não das necessidades do homem.

Suas principais obras foram: Epistle to the Romans,1919; Word of God and Word of Man, 1928; Anselm, 1931; Church Dogmatics, 4 volumes, 1923

Prof. Yuri Almeida

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