segunda-feira, 2 de novembro de 2009

D. Pedro II


Imperador brasileiro de 1840 a 1889. Nasceu em 2 de dezembro de 1825 no Palácio Imperial de São Cristóvão, no Rio de Janeiro e foi batizado como Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocácio Miguel Rafael Gonzaga e Bragança, sétimo filho de D. Pedro I (1798 – 1834) e da imperatriz D. Leopoldina (1797 – 1826).

Em 1831, após a abdicação de D. Pedro I, motivado pelo seu autoritarismo e interesses na sucessão portuguesa, Pedro de Alcântara foi aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, ficando aos cuidados de José Bonifácio de Andrada e Silva, substituído pelo Conde Itanhaém, Manuel Inácio de Andrada Souto Maior.

Na infância, ficou recluso na Corte Imperial protegido das agitações que dominavam o Período Regencial, submetido a uma rotina rígida em horários e estudos como a escrita, aritmética, geografia, desenho, francês, inglês, música e dança. Sua educação foi refinada, tendo como professores Candido de Araújo Viana (Marques de Sapucaí) frei Pedro de Santa Mariana, que o iniciou os estudos de direito constitucional, do bibliotecário Roque Schuch, ou de Felix Emilio Taunay, diretor da Imperial Academia de Belas-Artes, dotando o imperador de sólida base intelectual.

Através do palaciano Golpe da Maioridade, desfechado em 23 de julho de 1840, foi declarado apto para assumir o trono aos 14 anos, ao invés de 18 como exigia a Constituição de 1824. Uma vez empossado encontrou um país com províncias dispersas sem comunicação entre elas, onde as rebeliões ameaçavam a unidade territorial do grandioso império; com uma organização jurídica, administrativa e bancaria deficitária; com uma economia baseada na monocultura escravista e uma divida externa de 5.580.400,00 libras esterlinas.

Começou seu mostrando personalidade, preparo e responsabilidade para o cargo ao qual foi encarregado, conduzindo a política com maestria com os atributos do Poder Moderador. Nos anos de 1850 foi visível sua obra no país:

· 1850: Lei de Terras; Código Comercial; repressão ao trafico de escravos com a lei Eusébio de Queiros; criação da província do Amazonas;

· 1852: Reforma da legislação Judiciária, das forças armadas, do corpo diplomático, do ensino e da administração; inauguração do telegrafo (em 1889 haviam 19.000 linhas integrando quase todo o país);

· 1854: construção da primeira estrada de ferro, ligando Rio de Janeiro a Minas Gerais.

Para governar promoveu a “Política da Conciliação”, onde procurou reunir em seu governo políticos de ambos os partidos da época (Liberal e Conservador) afinados com os interesses do Estado, para um desenvolvimento conservador e no uso do poder Moderador, que dava mais poderes aos outros três poderes executivo, legislativo e judiciário, escolhendo até os primeiros-ministros para o governo. Impôs sua autoridade em todas as esferas de poder e nas instituições do governo imperial sem, contudo, ser autoritário. Os políticos contrários à centralização do poder em suas mãos declararam o chamado Teatro de Sombras, onde tudo era controlado por sua “mão invisível”.

Na fala ao trono no ano de 1871, apresentou o pedido que culminou na aprovação da Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871) e, de forma astuta, ausentou-se do país e colocou sua filha, Dona Isabel, como regente, preparando-a para sucedê-lo. Dessa forma evitou acusações de interferência nas votações da Assembléia. A mesma estratégia foi feita na Lei dos Sexagenários (28 de setembro de 1885) e a Lei Áurea (13 de maio de 1888).

Foi aclamado pelos mais humildes como herói ao se alistar como “voluntário número um” na guerra contra Solano Lopes, e ao defender a honra brasileira diante dos abusos diplomáticos do embaixador inglês Willian Christie, a chamada Questão Christie (1863 – 1865), rompendo relações diplomáticas com a Inglaterra.

Durante a Guerra do Paraguai (1864 – 1870), Zacarias de Góes, Liberal, criticou D. Pedro por recusar a demissão do Comandante-em-chefe, Marques de Caxias. A resposta veio com a dissolução de seu ministério, empossando outro ministério liderado pelo Partido Conservador.

A imagem que ficou no imaginário brasileiro e no exterior foi a do “Rei-filósofo”, amante das ciências e das artes. Essa imagem foi construída pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Inaugurado em 1 de dezembro de 1838, com a finalidade de dar um passado para o Brasil, reunindo e publicando os documentos necessários para a escrita de nossa historia. O principal patrocinador foi Pedro II, aclamado com o titulo de “protetor do IHGB”. Ele participou ativamente das reuniões, contribuindo para a construção de sua própria imagem. Sua influência foi decisiva ao propor temas, prêmios e apoio financeiro para a expansão de suas atividades. Apoiou ainda a produção de trabalhos inéditos pelo instituto, sendo explicito os temas de seu agrado. O pintor Pedro Américo (1843 – 1905) foi o grande beneficiado do monarca, que o eternizou em seus quadros a figura do representante dos interesses do povo e da nação na Assembléia e no mundo.

Pessoalmente fiscalizou todos os exames aplicados e a qualidade da comida servida no Colégio Pedro II. Misturou-se ao povo, fez audiências públicas aos sábados e encontrou-se com pessoas de fora da corte, como o príncipe negro D. Obá, dispensando todos os protocolos. Quando veraneou em Petrópolis, passeou a cavalo pela cidade e comeu frutas no mercado misturado ao povo. Vestiu com simplicidade, usando um jaquetão preto.

O país testemunhou uma paz interna; o nascimento da industrialização, com destaque ao Barão de Mauá, prejudicado pela concorrência inglesa, e o crescimento da nova fonte de riqueza, o café, que expandia-se pelo Vale do Paraíba e Oeste Paulista.

Após 1870 a monarquia entrou em declínio, influenciado pelo crescimento do movimento republicano, o insolúvel problema da mão-de-obra escrava tendo o seu conhecido desfecho, as questões sociais em função dos escravos libertos por lutarem na Guerra do Paraguai que encontravam suas famílias ainda escravizadas, a politização das forças armadas e a crise ideológica com a Igreja, suas principais bases de apoio.

O Exército politizou-se com a Guerra do Paraguai, percebendo sua importância. Mas tal questionamento foi repreendido pelo governo. Assim o Exercito retirou seu apoio, voltando-se para as idéias positivistas. A Igreja encontrou-se subordinada ao monarca pelo sistema do padroado, onde o Catolicismo foi a única religião permitida, mas obedecia ao Rei. Uma ordem do papa para proibir o casamento de maçons não foi seguida pelo Imperador, maçom. Questionando as decisões do império, a Igreja sofreu com prisões de Bispos, retirando seu apoio. Os fazendeiros cafeicultores utilizavam mão-de-obra escrava africana nas lavouras. Uma vez libertada sua força de trabalho, os fazendeiros retiram seu apoio ao Império. Assim a Monarquia Brasileira não caiu, foi abandonada.

Apoiando-se na sua decadência as sátiras políticas, como de Ângelo Agostini (1843 – 1910), o representavam como um velho caduco que não percebia os fatos que aconteciam pás suas costas. De fato, nos últimos anos de seu governo, a Princesa Isabel era quem executava as leis em seu lugar. A essa altura, a República já se tornara em séria ameaça.

O baile organizado na Ilha Fiscal em 9 de novembro de 1889, em homenagem a uma missão chilena, ficou para a História como o Baile da Despedida, por ser o último antes da proclamação da República. Nesse baile o imperador, mau das pernas teria escorregado e antes de alguém segura-lo, ergueu-se novamente dizendo: “Vêem, a monarquia escorregou, mas não caiu”. Pedro II ficou até uma hora da manhã, logo depois, rumores sobre prisões de militares teriam dominado o assunto na ilha. Dias depois, a 15 de novembro de 1889, caiu o último imperador brasileiro com a Proclamação da República pelo, seu então amigo, Marechal Deodoro da Fonseca.

O governo provisório republicano obrigou toda a família imperial a sair do país em 24 horas. Na madrugada do dia 16, o velho monarca recusou-se a embarcar para o exílio, mas foi convencido para evitar derramamento de sangue.

Partiu para Portugal, onde a Família Bragança ainda reinava, virando refúgio dos monarquistas. Ficou tempo o bastante para visitar o túmulo de seu pai e algumas universidades. Em 28 de novembro de 1889 morreu sua mulher. Mudou-se para a França acompanhado de toda a família, vivendo da boa vontade de seus súditos leais. Recusou uma pensão concebida por Deodoro da Fonseca, a quem foi amigo e depois proclamou a República, em troca do fim de seu banimento. Esperou a venda de seus bens no Brasil.

Com a diabetes avançada, tratou-se nas estações hidrominerais de Vich e Baden-Baden. Afastou-se dos assuntos políticos para dedicar-se a cultura. E desencorajou os movimentos para a restauração da monarquia, temendo uma guerra civil. No exílio virou cidadão comum, assinando Pedro de Alcântara. Em Cannes ocupou-se dos estudos de línguas e literaturas estrangeiras; freqüentou conferencias, museus e academias, fez passeios sempre vestindo seu jaquetão preto, ofuscando a sua importância política. Escreveu Fé e Oficio em 28 de maio de 1891, considerado seu testamento político, que relembrando seus feitos e intenções para o Brasil.

Em dezembro de 1891 contraiu uma pneumonia após um passeio de carro pelas gélidas ruas de Paris. Não resistiu. Com apoio do governo francês, seu funeral foi realizado com grande apoteose, corpo embalsamado e honras só concedidas às famílias reais européias, recuperando assim a majestade. Foi velado na França, passando pela Espanha e enterrado no Panteão Real, na Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa. Finalmente retornou a sua amada pátria em 1921 e seus restos mortais depositados no Mausoléu da Catedral de Petrópolis, cidade que mandou construir.

A herança principal de D. Pedro II foi a consolidação de um Estado Nacional, pois a sua figura simbolizava a integridade nacional.

No plano externo projetou o país com sua participação em feiras científicas e como terceiro árbitro nos conflitos entre países. Um exemplo de sua importância nos meios cultos foi em 1876, na Filadélfia (EUA), quando atentou a comunidade cientifica para o aparelho supostamente inventado por Graham Bell, mostrando o alcance que teria o telefone no futuro ao dizer: “Meu Deus! Isto fala!”.

FONTES

VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro: Editora Objetiva. 2002. 749 p.

NOSSA HISTÓRIA. Vera Cruz, Rio de Janeiro, v. 3, n. 26, p. 12 – 39, dez. 2005

Prof. Lucas Daniel Pereira

4 comentários:

  1. é o q eu procurava e é muito interesante!

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  2. esse site é demais ,cara eu estavamuito aperiada issofoi a minha salvação para meu trabalho VALEL!!!!!!!!!!!

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  3. esse negocio e muito legal me ajudou no trabalho

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  4. Viva!
    Gostaria muito saber que se o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, aqui referido, foi mesmo inaugurado num dia 1 de dezembro? Será que me o conseguiria confirmar ou o porquê de na wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Hist%C3%B3rico_e_Geogr%C3%A1fico_Brasileiro#cite_note-Brasil_Escola-1) constar outra data e ainda cima lá com referências? É que seria um dado da mais importancia histórica pois o 1º de Dezembro é uma data muito simbólica para a História.
    Meus cumprimentos e desde já o meu obrigado.
    Lourenço de Almada

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