domingo, 1 de novembro de 2009

Tenentismo

O século XX herdou uma série de questões que vinham desde o Brasil colônia, principalmente no que concerne a política, ou seja, inicia-se o século XX com o Brasil nas mãos da elite, nesse caso nas mãos de uma burguesia cafeeira, responsável pela república e seu desenvolvimento.

Em nível econômico, o Brasil estava preso a hegemonia cafeeira paulista, apesar de haver borracha na região amazônica e também outras culturas. A indústria ainda não tinha tanta representatividade, apesar de haver um processo de urbanização, principalmente pela afluência de imigrantes, vinda não somente de outros países como também saindo das atividades agrícolas. Nas cidades as pessoas poderiam trabalhar no artesanato, no comércio de rua, em fabricas de pequeno porte e outros ramos, como os profissionais liberais, serviços domésticos, trabalhadores de porto...

A indústria brasileira não competia economicamente com os cafeeiros, mesmo porque este ramo se iniciava, precisando até mesmo importar as máquinas. Mesmo assim, abriram-se fábricas de tecidos de algodão, porém, de qualidade baixa – um mercado que abastecia a população pobre.

O surgimento de indústrias acarretou no surgimento do proletariado brasileiro, ou melhor, do operário. Por causa das más condições de trabalho insurgiram revoltas, greves e protestos por parte da população.

Apesar do surgimento da indústria, da diversificação que ocorria na agricultura paulista e da força cafeeira, o Brasil mergulhava-se em dívidas, sendo que em 1928 o Brasil era o país com maior dívida externa da América Latina, com 44,2% da dívida. Por causa das dívidas, vários acordos tiveram que ser feitos para a segurança dos agiotas internacionais, como o funding lan em 1898. Essa dívida se arrasta até hoje, sendo que o Brasil teve até que promover leis que assegure o pagamento das dívidas.

No que concerne ao social no período da República Velha não havia leis trabalhistas que assegura-se pelo menos a dignidade do trabalhador. Houve muitas revoltas. Podemos destacar no campo o caso de Canudos, o movimento em torno da pessoa de padre Cícero, o movimento do Contestado e outros como as greves ocorridas nas lavouras de café em São Paulo. A maioria dessas revoltas ocorridas a partir do campo tiveram forte caráter religioso, o que no meio urbano não há certa incidência. As revoltas nas cidades tem um caráter diferente, resultado da urbanização, das más condições de trabalho, do autoritarismo político e outros. Podemos destacar nesse período a revolta da vacina, as greves do período de 1917 a 1920 e os movimentos dos anarco-sindicalistas.

Com a chegada dos anos 20, nota-se que a classe média começa a aparecer através de uma defesa as idéias liberais, querendo um governo mais voltado a Constituição do país e não à oligarquia cafeeira, que na realidade atrasava o país. Nessa época começa-se a falar mais em reforma social, em direitos individuais, em voto secreto, em justiça eleitoral e outras questões.

A população urbana começou a reagir contra a hegemonia da política oligárquica, rural. O exemplo disso é a candidatura de Rui Barbosa, que mesmo sem apoio de máquina eleitoral, conseguiu um terço dos votos e venceu no Rio de Janeiro, perdendo porém a eleição para Epitácio Pessoa.

Além do levante que começara a acontecer no meio urbano contra as oligarquias, pelo menos ideologicamente, desgastes internos começou a surgir entre elas. Um exemplo disso foi a candidatura de Artur Bernardes, lançado por São Paulo e Minas Gerais, mas que recebeu resistência por parte do Rio Grande do Sul, liderados por Borges de Medeiros que afirmou que a candidatura do governador mineiro Artur Bernardes para presidente foi um arranjo político entre São Paulo e Minas Gerais para garantir esquemas de valorização de café, enquanto o país necessitava de outras prioridades na questão econômica. A desconfiança sobre o governo de Artur Bernardes, em que ele pudesse fazer uma revisão constitucional, o que ele fez em 1926, limitando a autonomia do Estado, fez com que o Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro unissem e formasse a Reação Republicana apresentando Nilo Peçanha, que ajudou no triunfo de Hermes da Fonseca. Houve campanha contra a hegemonia cafeeira, pedindo proteção aos demais produtos brasileiros.

Ainda na disputa eleitoral em 1921 o meio militar começou a ficar insatisfeito com Artur Bernardes por causa de aparentes ataques a categoria. Em 1922, anteriormente a posse de Artur Bernardes, o Clube Militar protestou contra o uso do governo de tropas do Exército na intervenção da política local no estado de Pernambuco. O protesto gerou retaliação por parte do governo que mandou prender Hermes da Fonseca e ordenou o fechamento do Clube Militar. A arma legal do governo para o fechamento do Clube Militar era uma lei de 1921 que era contra associações ditas nocivas ou contrárias a sociedade. Esse tipo de postura por parte do governo desagradou demais os militares. Em 1904 o governo já havia fechado a Escola Militar da Praia Vermelha.

O período da República Velha foi marcado por alguns conflitos militares como a Revolta da Armada, que foi uma rebelião promovida por algumas unidades da Marinha brasileira contra o governo de Floriano Peixoto, apoiada pela oposição monarquista à recente instalação da República e também a Revolta das Chibatas que ocorreu em unidades da Marinha de Guerra brasileira baseadas no Rio de Janeiro, em 1910, nos quais os marujos rebelados reivindicam de Hermes da Fonseca, recém-empossado na Presidência da República, a rápida aprovação do projeto de anistia geral, em discussão no Congresso, o cumprimento da lei que aumenta seus vencimentos, a redução da jornada de trabalho e a abolição dos castigos corporais e cruéis na Armada, como o açoite (a chibatada), a palmatória, a prisão a ferros e a solitária. Contudo, esses movimentos ou revoltas não estavam vinculados ao Tenentismo. Não obstante, as derrotas dos revoltosos e suas cruéis punições colocavam cada vez mais exército num plano de desprestígio a política da época, que era oligárquica.

Tenentismo
Tudo que dissemos acima serviu para as revoltas militares e para o surgimento do que chamamos e Tenentismo. Esse movimento tem esse nome porque foi oficiais de nível intermediário, a saber tenentes e capitães, que encabeçaram o movimento. A elite militar ou o alto escalão do Exército tinha muitas queixas, mas não optaram por rebeliões armadas. Podemos dizer em poucas palavras que as revoltas tenentistas eram movimentos de insurreição que explodem no Rio de Janeiro, em 1922 e 1924 em São Paulo e continuam até 1927, com a luta da Coluna Prestes no interior do Brasil. Expressavam a insatisfação de setores militares com os governos e a República Velha.

Manifestando os interesses da baixa e média oficialidade e das camadas médias urbanas, os tenentes tornaram-se importante núcleo de oposição às oligarquias e ao sistema republicano vigente. Pregavam a moralização da política e a volta das liberdades públicas, defendiam o capital nacional e exigiam a restauração das forças militares. Propunham também o fim do voto de cabresto e instituição do voto secreto (oposição ao coronelismo), criação de uma justiça eleitoral autônoma e honesta, fim da corrupção, nacionalismo econômico (visto também que a economia brasileira estava amarrada politicamente ao café, que por sua vez dependia do capital estrangeiro em muitas situações) e reformas na educação pública. O Tenentismo não era um movimento ideológico, mas reformista e político, tanto que não abraçavam oficialmente uma doutrina política, apesar de alguns ligarem posteriormente a causa comunista como vemos em Luís Carlos Prestes.

Os movimentos tenentistas foram: a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana ocorrida no ano de 1922, a Revolta Paulista de 1924 e a Coluna Prestes.

Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
Em 1922, o presidente Epitácio Pessoa nomeou um civil para o Ministério da Guerra, o que causou automática agitação nos quartéis do Rio de Janeiro. A jovem oficialidade contestou a vitória de Artur Bernardes, candidato oficial à Presidência da República. Como já vimos, as agitações causadas pelos tenentes fez com que o governo mandasse fechar o Clube Militar e prender seu presidente, o marechal Hermes da Fonseca, que procurou em muito melhorar a qualidade do Exército brasileiro.

As ofensas contra o Exército, sejam elas falsas ou verdadeiras, manchou a honra deste, trazendo revolta. Primeiramente os revoltosos lançaram alguns tiros de canhões, mas foram bombardeados em represália e cercados, sendo que centenas de revoltosos se entregaram.

Em 5 de julho de 1922 no Rio de Janeiro, parte da guarnição do Forte de Copacabana rebela-se, a saber, dezoito tenentes com uma tropa de trezentos homens. Queriam não apenas chamar a atenção sobre suas reivindicações, mas também agir contra o governo e impedir a posse do governo Artur Bernardes. Na realidade, os revoltosos foram bombardeados por mar, terra e por aviões e depois que o pequeno grupo de homens, a saber, dezessete militares e um civil saíram do forte para enfrentar as tropas do governo na praia de Copacabana

O governo mandou bombardear o forte e decretou estado de sítio. Apesar do governo ter pressionado os rebeldes militares a abandonarem as dependências, os tenentes não abandonaram a causa havendo violenta repressão.

Depois de haver algumas frustradas negociações, ocorreu luta armada, tendo findado o combate em plena Avenida Atlântica. Dos revoltosos, dezesseis foram mortos, sobrevivendo somente os tenentes Eduardo Gomes e Siqueira Campos, que ficaram apenas feridos.

Revolta Paulista de 1924
Dois anos depois, em São Paulo, também em 5 de julho, ocorre nova rebelião militar. Unidades do Exército e da Força Pública, com a participação dos generais Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa, os tenentes Juarez Távora e Joaquim Távora e também Eduardo Gomes, atacaram a sede do governo, forçando a fuga do governador e ocupando a cidade. Não podemos esquecer que o político Nilo Peçanha também estava por trás da rebelião, sendo que houve uma articulação em 1923 em torno de sua pessoa, visto como possível líder para as rebeliões que estavam sendo planejadas. Nilo Peçanha morreu em 1924. A Revolta de 1924 foi a mais violenta revolta tenentista dos anos 20. A data de 5 de julho foi escolhida para o ataque em homenagem ao primeiro ataque tenentista ocorrido em 1922.

Com uma tropa de aproximadamente mil homens, os revolucionários militares tomaram os principais lugares da cidade de São Paulo. Diversas batalhas foram travadas entre o governo e os rebeldes. Porém, a rebelião não teve somente lutas militares, mas lojas e armazéns foram saqueados e depredados, pois faltaram gêneros alimentícios. Apesar desse problema, os líderes dos revoltosos procuraram fazer acordo com o prefeito e o presidente da Associação Comercial para tentar assegurar o abastecimento aos militantes e para voltar à normalidade no cotidiano dos paulistanos. Não obstante, a intenção dos tenentes era boa, mas difícil de ser alcançada porque o governo entrou em batalha com os revoltosos com todo ímpeto. Houve muitos estragos materiais.

Interessante que somente após alguns dias de lutas, é que a população paulista ficou por dentro das causas defendidas pelos tenentistas, que ocuparam a cidade de São Paulo por vinte e dois dias, exigindo a renúncia do presidente Artur Bernardes imediatamente.

Os revoltosos não apenas queriam a renúncia do presidente e o fim da república oligárquica, mas mantêm as mesmas reivindicações da revolta acontecida no ano de 1922, ou seja, queriam voto secreto, independência do poder legislativo, obrigatoriedade da educação primária e profissional, moralização do governo que tinha suas bases no coronelismo, convocação de uma Assembléia Constituinte e outras.

O fato desencadeou uma série de rebeliões similares em todo país, inclusive em estados extremos geograficamente como Rio Grande do Sul e Amazonas, mas também em Sergipe, Pará, e Mato Grosso. Com o ocorrido, as tropas oficiais bombardearam a capital paulista e os rebeldes retiraram-se em 27 de julho. Liderados por Miguel Costa, cruzaram o interior do estado passando por Bauru e chegando no oeste do Paraná, num lugarejo perto de foz do Iguaçu, onde se juntaram ao movimento militar organizado pelo capitão Luís Carlos Prestes. A união dessas duas forças passou a ser chamada de Coluna Prestes.

A união entre os rebeldes paulistas e as forças rebeldes lideradas por Luís Carlos Prestes tinha a intenção de angariar a adesão do povo do interior do país na luta contra o governo oligárquico.

Não obstante, apesar da retirada das tropas paulistas que foram de encontro com as tropas de Luís Carlos Prestes, com o ataque das forças federais em São Paulo, mais de quinhentas pessoas foram mortas e quase cinco mil ficaram feridas.

Coluna Prestes
Antes de falarmos da Coluna Prestes, vejamos o documento escrito por Luís Carlos Prestes no dia 29 de outubro de 1924 sobre a militância da Coluna Prestes. Foi declarado nesse documento o movimento de união das tropas do exército do sul e aliados de outras regiões do Brasil para a luta armada contra o governo. Abaixo temos o documento:
"É chegada a hora solene de contribuirmos com nosso valoroso auxilio para a grande causa nacional.(...) Todo o Brasil, de Norte a Sul, ardentemente deseja, no íntimo de sua consciência, a vitória dos revolucionários, porque elles luctam por amor do Brasil, porque elles querem que o voto do povo seja secreto, que a vontade soberana do povo seja uma verdade respeitada nas urnas, porque elles querem que sejam confiscadas as grandes fortunas feitas por membros do governo a custa dos dinheiros do Brasil, porque elles querem que os governos tratem menos da politicagem e cuidem mais do auxilio ao Povo laborioso que numa mescla sublime de brasileiros e estrangeiros, irmanados por um mesmo ideal, vive trabalhando honestamente pela grandeza do Brasil.(...) Todos sabem hoje, apezar da censura da Imprensa e do Telegrapho, apesar das mentiras officiaes espalhadas por toda a parte, que os revolucionarias têm recebido verdadeira consagração por onde têm passado e que até hoje não foram batidos.(...) Todos sabem hoje que o Governo organizou successivamente 8 colunnas para bate-los e que foi forçado a desorganiza-las novamente porque as tropas do Exercito se negavam a combate-los e os de mais, que os combateram, foram dezimados como aconteceu com o Batalhão da Marinha e com a nossa Brigada Militar, agora, depois da entrada em seção da colunna Rondon é o próprio governo quem confessa não ser mais possivel dominar a revolução no Brasil, porque a victoria della é já uma aspiração Nacional. E o Povo Gaucho, altaneiro e altivo, de grandes tradições a zelar, sempre o pioneiro de grandes causas nacionais, levanta-se hoje como um só homem e brada: Já é tempo de fazer o governo respeitar a vontade do povo, já é tempo de restabelecer a harmonia na família Brasileira, já é tempo de lucrarmos não peito a peito, mas sim hombro a hombro, para restabelecermos a situação financeira do Brasil, para recobrar o dinheiro que os nossos maus governos nos roubaram e podermos, assim, evitar que, em 1927, o Governo lnglez venha tomar conta das nossas alfandegas e das nossas ricas colônias para cobrar a divida do Brasil. Hoje, 29 de Outubro, por ordem do General lzidoro Dias Lopes, levantam-se todas as tropas do Exercito das guarnições de Santo Angelo, São Luiz, São Borja, ltaquy, Uruguayana, Sant'Anna, Alegrete, Don Pedrito, Jaguarão e Bagé, hoje irmanados pela mesma causa e pelos mesmos ideaes levantam-se as forças revolucionárias gauchas da Palmeira, de Nova Wutemberg, ljuhy, São Nicolau, São Luiz, São Borja, Santiago e de toda a fronteira até Pelotas e, hoje entram no nosso Estado os chefes revolucionarias Honorio Lemos e Zeca Netto, tudo de acordo com o grande plano já organizado. E, desta mescla, desta comunhão do Exercito e do Povo, com nacionaes e estrangeiros, resultará a rápida terminação da luta armada no Brasil, para honra nossa e glória dos nosso ideaes e de nossos foros de povo civilizado e altivo."

Cap. Luiz Carlos Prestes 29/10/1924


A Coluna Prestes
A Coluna Prestes foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 se deslocou pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Arthur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.

O movimento tenentista não é facilmente definível. Possui um programa extremamente difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas. As insatisfações com a República Velha levaram o movimento a requerer voto secreto e um maior centralismo político. Ademais, exigiam ensino público para facilitar o acesso às informações por parte da população carente.

Prova inconteste da falta de clareza dos ideais tenentistas é que a inúmeras tendências aderiram os líderes do movimento. Alguns tornaram-se comunistas, outros nazi-fascistas, outros ainda conservadores. Cumpre-nos realçar que a maior parte do movimento era composto por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal de "Soldado Cidadão", como já sabemos.

Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de combatentes recuou para o interior sob o comando de Miguel Costa, em direção a Bauru – era a chamada “coluna paulista”. Ainda em 1924, no Paraná, onde se fixou a coluna paulista, houve uma revolta tenentista em outubro, destacando o tenente João Alberto e o capitão Luís Carlos Prestes. Ela contou com a ajuda da oposição gaúcha ao PRR, misturando o tenentismo com as divergências da política estadual.

No início de 1925 reúne-se no oeste do Paraná a coluna paulista com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Queriam percorrer o Brasil propagando a idéia revolucionária e levantar a população interiorana contra as oligarquias. Essa tática poderia também chamar a atenção do governo, fazendo com que surgisse outras revoltas urbanas. A coluna Prestes é então uma junção da coluna de Miguel Costa e de Luís Carlos Prestes.

No começo, a Coluna Prestes contava com cerca de 3.000 homens e tinha como objetivo atacar o Rio de Janeiro, tomar o poder e livrar a República da corrupção. Porém, os planos foram mudados, percorrendo o Brasil para fazer propaganda contra Artur Bernardes e desviar a atenção do Exército para surgimento de rebeliões urbanas.

Sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1.500 homens entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida (venceu todas as batalhas), a coluna Prestes enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia. Acredita-se que até o cangaceiro Lampião foi convocado para derrotar a Coluna Prestes.

A Coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo, evitando entrar em choque com forças militares ponderáveis, por isso também se deslocou tanto de um ponto para o outro. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamentos para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, o qual mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926.

Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Entretanto, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro. Após liderar a Intentona Comunista de 1935, torna-se uma das figuras centrais do cenário político do país nas décadas seguintes.

Em fevereiro/março de 1927, seus remanescentes deram o movimento por terminado e se internaram no Paraguai e na Bolívia. Segundo alguns historiadores, o fim do movimento teve como causas a posse do presidente Washington Luiz, que suspendeu o estado de sítio e propôs a recuperação econômica do país. Houve esgotamento físico e material da Coluna Prestes.

Alto-comando da Coluna Prestes: 1) Miguel Costa; 2) Luís Carlos Prestes; 3) Juarez Távora; 4) João Alberto; 5) Siqueira Campos; 6) Djalma Dutra; 7) Cordeiro de Farias; 8) Pinheiro Machado; 9) Atanagildo França; 10) Costa Miranda; 11) João Pedro; 12) Paulo Kruger da Cunha Cruz; 13) Salgado Freire; 14) Nélson Machado; 15) Manuel Lima Nascimento; 16) Vale Machado; 17) André Trifino Correia; 18) Ítalo Landucci.

CONCLUSÃO
O Brasil é um país que foi palco de muitas revoltas. O por que disso é fácil de se identificar, quando de se trata de revoltas populares, porém quando se trata de revoltas proporcionadas por classes elitistas, a questão sempre gira em torno do poder, seja uma Inconfidência Mineira, seja uma Revolta Praieira.

Os movimentos tenentistas observados na República Velha não são de caráter elitista, visto que a elite do exército ficou de fora, mas também não era uma revolta totalmente popular. Não obstante, diante de tudo que já observamos no trabalho, notamos que esses movimentos são exemplos de militância em prol das melhorias das classes mais desfavorecidas.

Hoje, vivemos uma época em que somos verdadeiros moribundos em questão de revoltas. Nosso país tem voto secreto, mas a corrupção continua. Nosso país não possui uma oligarquia que comanda a política, mas nossa política está nas mãos de forças heterônomas, como o FMI e Banco Mundial, que para assegurar sua hegemonia econômica intervêm em nossa política diretamente. Ou seja, nosso povo não vive uma democracia, não temos destino, não temos emprego, não temos comida, não temos segurança, não temos paz. Agora eu pergunto, por que não é momento para revoltas populares, revoltas dos pequenos empresários, revoltas camponesas, revoltas dos operários e etc?

Apesar das mudanças, continuamos oprimidos, continuamos pobres e todos os poderes vivem em torno de uma minoria, a saber, a elite, que não é a mesma da República Velha, mas domina e suga o país, entravando seu desenvolvimento.

Nosso país está em crise, talvez maior que a República Velha. A diferença está em nossa morbidez, em nosso fracasso diante de nossas derrotas.

Ainda bem que a geração dos tenentes já morreram, pois estariam muito tristes em ver nossa geração totalmente alienada as questões políticas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORGES, Vavy Pacheco. Tenentismo e revolução brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1992

DRUMMOND, José Augusto. A Coluna Prestes: rebeldes errantes. São Paulo: Mercado Aberto, 1991.

_____________________. O movimento tenentista: a intervenção política dos oficiais jovens (1922-1935). Rio de Janeiro: Graal, 1986.

MEIRELES, Domingos. As noites das grandes fogueiras: uma história da Coluna Prestes. Rio de Janeiro: Record, 1995.

SODRÉ, Nelson Werneck. O tenentismo. São Paulo: Brasiliense, 1985.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 8. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Fundação para o Desenvolvimento da Educação, 2000.

Prof. Yuri Almeida

9 comentários:

  1. Saudade de Prestes.
    Roberto Pires

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  2. nossa amei vc esplica o tenentismo com tanta claresa, adorei

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  3. nossa adorei sua explicasão acho esse assunto super enteressante

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  4. Adorei o Blog! Tive um trabalho da faculdade para fazer sobre esse assunto, e me ajudou muito. Continue postando, por favor!
    Obrigada.

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  5. adorei,muito bom
    e mim ajudou muito no
    trabalho da escola...
    valeu!

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  6. gostei muito e me ajudou muito esse seit é maravilhosoo

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  7. Rsrsrsr!!! Nunca foi derrotada?! Essa foi boa! A Coluna Prestes foi empurrada até a Bolívia pelos Grupos Sertanejos que sairam em defesa de sua gente e da legalidade, dentre os quais o Batalhão Patriótico Lavras Diamantina do qual era comandante o legendério Coronel Horácio de Matos. Foi expulsa do Brasil! Foi destroçada! E ainda assim não sofreu derrota? Sinceramnete!

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    1. Liandro, a Coluna Prestes nunca sofreu derrota em batalha. O internamento na Bolívia, o fim do movimento pode até ser encarado como derrota, mas preparou o país para o golpe de 1930.

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