domingo, 1 de novembro de 2009

Religião no Brasil

Desde o início da colonização brasileira, fomos violentados até mesmo mediante a religião, no qual a pajelança foi invadida pelo cristianismo, encarado na época como religião absolutamente revelada por Deus, sendo a verdadeira religião.

Em todas as viagens marítimas portuguesas havia capelães abordo. No caso de Cabral, vieram oito franciscanos e o frei Dom Henrique Soares de Coimbra, um frade para cada 150 tripulantes. Ainda no século XVI muitos jesuítas vieram para o Brasil com o intuito de cristianizar a América, como José de Anchieta.

Pouco mais de meio século depois da descoberta do Brasil, 38 anos depois da chegada dos jesuítas à Bahia, aportou no Brasil uma caravana da França. Eram nobres, artesãos, criminosos, soldados e agricultores, protestantes e católicos. Desejavam construir aqui a França Antártica, por razões religiosas e econômicas, pois na França não havia segurança para os huguenotes. O sonho de liberdade religiosa e econômica foi um fracasso, pois os franceses foram expulsos do Brasil por Mem de Sá em 1567.

Não podemos esquecer que, mesmo estando em alta a conhecida Inquisição Católica por todo o mundo e também a perseguição dos protestantes a todas doutrinas contrárias a Reforma, os missionários cristãos no Brasil não conseguiram separar a fé cristã das crenças indígenas e africanas. O motivo principal disso é que as crenças de um povo estão ligadas a sua cultura, ou seja, a questão pertence ao campo da antropologia cultural, o que não se transforma com simples repressão.

Apesar de vermos tanto sincretismo religioso no Brasil, o ecumenismo é algo que até hoje resiste. Na Constituição de 1824, os protestantes alemães ficavam proibidos de construir igrejas com torre, sino e cruz. Vem daí a resistência dos evangélicos a arquitetura católica. Não podemos esquecer que nessa época ainda não havia projetos sólidos de haver proselitismo protestante no Brasil, sendo que os pastores luteranos presentes no país exerciam apenas uma atividade de capelania. Somente no final do século XIX que o protestantismo começa a querer se espalhar pelo Brasil competindo com os católicos. O viés dessa entrada no Brasil foi por missionários dos Estados Unidos. Por isso os evangélicos no Brasil possuem uma característica mais capitalista e dificilmente aceitam o ecumenismo, ou seja, são exclusivistas.

No início do século XX chega ao Brasil o pentecostalismo, importado também dos Estados Unidos. Esse ramo do protestantismo é mais fervoroso do que o pietismo encontrado na Europa no século XVII. Os pentecostais são fundamentalistas, defendem uma escatologia dispensacionalista e dão um excesso de valor à pneumatologia prática, ou seja, são muito místicos.

O século XX é bem marcado pelo misticismo no meio cristão, como também a importação de religiões orientais para o Ocidente, ou seja, o homem do século XX busca o misticismo para responder seus anseios existenciais. Em 1967 nasce nos Estados Unidos a Renovação Carismática e três anos depois ela chega ao Brasil, pentecostalizando até mesmo o catolicismo. Esse movimento é muito parecido com o neo-pentecostalismo, que é um novo movimento pentecostal, porém com fortes traços capitalistas e com uma busca mais exagerada ainda de misticismo, principalmente no que concerne a chamada “batalha espiritual”, em que forças imaginárias do mal, conhecidas como demônios, diabos, espíritos maus são combatidos. Destacamos nesse movimento a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que usa a mídia com muita intensidade, atacando o catolicismo, os outros ramos do protestantismo e usando de técnicas homiléticas e psicológicas para levantar um império de muito dinheiro e bens por todo o mundo. O fundador dessa igreja foi Edir Macedo, um homem que abandonou a Umbanda e ficou milionário com a fundação da IURD. A influência dessa não se deu apenas entre os pobres, mas compraram a Rede Record de televisão e possuem muita influencia no meio político, elegendo deputados e atacando a esquerda do Brasil.

Hoje há no Brasil uma luta entre as religiões, o ecumenismo é fraco, se resumindo a grupos de teólogos. Surgiram novas teologias propostas a interpretar a religião de forma mais subjetiva, porém o fundamentalismo é muito rígido, a luta por fiéis trava uma disputa de mercado por pessoas de fé. A fé se transformou num negócio para grandes. Nas igrejas neo-pentecostais há até livrarias e lanchonetes dentro e o catolicismo brasileiro possui TVs como a Canção Nova, a Rede Vida e fábricas de dinheiro como a cidade de Aparecida do Norte.

Cresce a intolerância religiosa no Brasil, a exploração da fé, a opressão psicológica das massas. O cristianismo não conseguiu acabar com os cultos afro-brasileiros e aumentou o número de doutrinas importadas, principalmente as orientais. Hoje o Brasil é um shopping de religiões e doutrinas. Até religiões exóticas, como o culto a Raul Seixas é encontrado no nosso país. Enquanto isso, a fome aumenta, a violência alastra, a família dilui, a sociedade chora e as religiões enriquecem.

O Brasil apresenta hoje o seguintes quadros em seu aspecto religioso:

RELIGIÃO / Adeptos 1960 / Adeptos 1991 Adeptos 2000
Católica Romana / 93,1% / 83% / 73,8%
Evangélicas / 4% / 9% / 15,4%
Sem-religião / 0,5% / 4,8% / 7,3%
Espírita / sem dados / 1,1% / 1,4%
Umbanda e Candomblé / sem dados / 0,4% / 0,3%
Religiões orientais / sem dados / 0,3% / 0,3%
Judaica / sem dados / 0,1% / 0,1%
Outras / sem dados / 0,4% / 1,2%
Não determinada (*) / sem dados / 0,1% / 0,2%
Fontes: Censo Demográfico 1991 e Tabulação Avançada do censo de 2000 – IBGE
* Pessoas que declaram crer em Deus ou têm alguma relação com crenças, mas não definem uma doutrina religiosa.

RELIGIÃO: DESTAQUE NOS ESTADOS
Católicos Piauí 91,4%
Evangélicos Rondônia 27,8%
Sem-religião Rio de Janeiro 15,5%
Fonte: IBGE, Censo de 2000

Nas últimas décadas percebeu-se factualmente uma queda no catolicismo brasileiro e um aumento nas religiões de maior ênfase mística, principalmente as evangélicas. Porém o corpo religioso do Brasil não mudou, pois ele continua sendo o país mais católico do mundo com 124,9 milhões de fiéis como vemos no quadro acima. Em nove anos o catolicismo caiu 11,9 % e as evangélicas cresceram 71,1 %, ou seja, passaram de 13,1 milhões de fiéis para 26,1 milhões. Esses números são mais claros nas igrejas pentecostais (Assembléia de Deus) e neo-pentecostais (Renascer, Quadrangular, Universal e outras).

Além dos evangélicos, cresceu também o número de pessoas que não praticam nenhuma religião, os sem-religião, e também os que crêem em algum Deus mas não especificam a doutrina.

Apesar do aumento dos evangélicos, as estatísticas e os estudos de cientistas da religião e teólogos indicam que, o Brasil não será um país evangélico e sim cada vez será mais diversificado. Nesse último censo, 22,5 % dos católicos freqüentam cultos de outras religiões, 35,5 % crêem na reencarnação (que é uma doutrina espírita e oriental), 15 % têm fé nos orixás (cultos afro-brasileiros). Há ainda 80 % de não-católicos que aceitam os dogmas católicos e crêem em Jesus.

Segundo a edição 2001 da World Christian Encyclopedia, publicação da Universidade de Oxford, no Brasil 36,1 % da população tem filiação dupla, isto é, confessam duas religiões ao mesmo tempo.

A América Latina sempre foi mais mística. Não podemos esquecer que todos europeus que para a América vieram, trouxeram uma forte carga de religiosidade. A explicação para isso é existencial, pois partiram para uma terra nova, longe da família, sob perigos diferentes, desafios novos. Assim, a América Latina é cenário de várias religiões, em especial o Brasil que teve muitos escravos negros, europeus e índios. Assim, desde a pajelança, o vodu, o catolicismo, o protestantismo a até as religiões orientais se cruzam no Brasil, formando um forte sincretismo religioso. Até mesmo no meio evangélico, que tem uma teologia mais fundamentalista, encontramos traços do catolicismo (em seus dogmas), de umbanda e candomblé (em cultos com exorcismo, água benta, orações para ponto de contato e outros), de religiões orientais (em cultos de cura interior principalmente e em hinos que abaixam o nível do “ciclo mental”) e outros traços de outras religiões.

O que mais se nota na religiosidade no Brasil principalmente após a década de 1990 é o uso da mídia para propagar o proselitismo. Nesse sentido as religiões evangélicas são campeãs prosélitas. Quando citamos as religiões evangélicas, alguns de seus ramos não se encaixam nas suas classificações, como as igrejas mais ortodoxas, conservadoras e liberais.

Prof. Yuri Almeida

11 comentários:

  1. Acredito que a prestação de serviços religiosos é indispensável à boa manutenção das massas e merece ser bem remunerada pelo árduo e sujo trabalho.

    A religião nada mais é que uma prestação de serviço, o de tratamento psicológico em grupo.

    Quem procura o serviço não está sendo enganado: Ele QUER ser enganado. Então não há razão para se ter compaixão deste público.

    Muitos críticos deste tipo de serviço não concordam com o enriquecimento dos presidentes das empresas religiosas. Percebo que a maioria destes críticos não aceita sua própria condição financeira, o que leva ao ataque deliberado da religião em si. Não acham justo o enriquecimento de pessoas que ganham a vida "enganando" outras, enquanto eles trabalham "honestamente" e não tem as mansões, os iates e helicópteros dos bispos e missionários. Cria-se o sentimento ilusório de injustiça.

    O fato é que o mercado está aberto para todas as pessoas trabalharem, existindo demanda por diversos tipos de produtos e serviços.

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  2. quadrangular é neo-pentencostal??? o.O
    cristianismo é mistico??? O.o
    o vocabulario é rico mas o conhecimento sobre certas partes da religiao eh bem baixo... antes de falar asneira pesquise!!!

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  3. Vc não pessoa com classe vc não pode criticar as religioes vc sabe se sua religiao é perfeita.Na biblia esta escrito tudo oque ven do homem a o erro.

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  4. Fomos violentados até mesmo mediante a religião, no qual a pajelança foi invadida pelo cristianismo, encarado na época como religião absolutamente revelada por Deus, sendo a verdadeira religião.
    O motivo principal disso é que as crenças de um povo estão ligadas a sua cultura, ou seja, a questão pertence ao campo da antropologia cultural, o que não se transforma com simples repressão.
    A fé se transformou num negócio para grandes. Nas igrejas neo-pentecostais há até livrarias e lanchonetes dentro e o catolicismo brasileiro possui TVs como a Canção Nova, a Rede Vida e fábricas de dinheiro como a cidade de Aparecida do Norte.
    Porém o corpo religioso do Brasil não mudou, pois ele continua sendo o país mais católico do mundo com 124,9 milhões de fiéis como vemos no quadro acima.
    O fundador dessa igreja foi Edir Macedo, um homem que abandonou a Umbanda e ficou milionário com a fundação da IURD.

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  5. Desde o início da colonização brasileira, fomos violentados até mesmo mediante a religião, no qual a pajelança foi invadida pelo cristianismo, encarado na época como religião absolutamente revelada por Deus, sendo a verdadeira religião.

    Em todas as viagens marítimas portuguesas havia capelães abordo.

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  6. PREZADOS

    Em se tratando sobre religião, temos de considerar, as múltiplas visões que o termo encerra ans mentes que o concebe nem sempre para reto juízo.

    Há muito lidando com vivência da religião em contraste com doutrinação institucional, não necessariamente de discurso cristão, cabe dizer que, embora seja endereçada ás massas, religião, não é assunto que possa ser por ela mesma tratado, sem consequencias dos desafetos. Neste ponto, ás massas explicitam singular vigo emocional, que inviabiliza o surgimento sobre noções e requeridos discernimentos, que por sua vez, caberia ao intelectuais tratar de modo simples, sem prejuúizo da ordem ao tema proposta tão poucio a ética que lhe embute mediante a proximidade situacional dos conflitos que potencializa, até entre os mesmos.

    Sandive Santana
    Educador Social / RJ

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  7. Acho muito bom discutirmos, mas não existe proveito em extremismos, principalmente quando temos a certeza de não dominar o assunto na sua totalidade. Exitem três verdades: a sua, a minha, e a verdade. Sigamos aprendendo.

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  8. amei!! gostei muito de saber isso e agora q eu entendi tudo eu vou fazer meu trabalho de indentidade cultural

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  9. gente eu sei q tenho q respeitar a religião dos outros mas vçs q são católicos são uns completos imbessís pq vç acretitam em um barro q ta ali parado e vçs acham q realiza o sonho de vçs mas não é ele ñ é o Diabo q realiza o q vç pediu para vç acreditar q foi o santo mais vçs sao idiotas mesmo acreditam em um pedaço de barro

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  10. A pesquisa sobre as religiões são importantes. Todas as sociedades e culturas possuem seus mitos e ritos religiosos. A religião está presente em toda parte com suas variadas vertentes e modos de cultuar a divindade. Portanto, o que nos resta a fazer é termos um senso crítico em relação a nossa própria experiência religiosa, e procurarmos perguntar a nós mesmos, em que essa tal experiência me amadurece na vida diária, nas minhas relações com os outros e com o mundo. Se a religião, seja ela qual for, não me faz mais humano e feliz, então não é verdadeira e autêntica experiência religiosa. Marcos

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