segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Possível povoamento de mais de 20 mil anos no Brasil

Novas descobertas apontam que pessoas que habitavam a América do Sul antes da cultura Clovis, ancestrais dos indígenas, povoaram o nordeste brasileiro há mais de 20 mil anos. Dois conjuntos simples de ferramentas de pedras escavadas na base de uma encosta rochosa no Piauí foram feitas por pequenos grupos de colonos, que viveram há cerca de 24 mil anos, e outro de cerca de 15 mil anos, dizem os pesquisadores.
 
O antigo sítio Vale da Pedra Furada, no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, encontra-se perto de outros campos da era pré-Clovis, segundo uma equipe liderada pelo arqueólogo Eric Boëda da Universidade de Paris. Marcas microscópicas em 294 pedras escavadas indicam que os seres humanos tinham afiado as rochas. As datações por radiocarbono da madeira queimada e análises de solo determinaram a idade das pedras. As novas descobertas desafiam a visão de longa data entre os arqueólogos que as pessoas da cultura Clovis foram as primeiras a se estabelecerem nas Américas.
 
Se as novas datas se mantiverem, produtores de ferramentas semelhantes a cultura Clovis se encontravam na América do Sul antes de 20 mil anos atrás, de acordo com o arqueólogo Kjel Knutsson da Universidade da Suécia. Mas as pedras afiadas podem ter sido criadas por eventos naturais, como deslizamentos de rochas, ou deslocadas para o solo há 24 mil anos a partir de camadas de sedimentos mais jovens, ponderam os arqueólogos brasileiros Adriana Schmidt Dias, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e Lucas Bueno, da Universidade Federal de Santa Catarina.
 
Fonte: Science News [Internet]. [citado em 2014 set 8]. Disponível em: https://www.sciencenews.org/article/more-signs-emerge-new-world-settlers-20000-years-ago

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Felicidade na obra de Santo Agostinho



Para abordar as virtudes da alma é preciso lembrar que, para Agostinho, o indivíduo não é um ser formado à medida que vai conhecendo o mundo. O homem no mundo é como se tivesse sua alma fragmentada, está no meio de um oceano e, através da Filosofia e da fé em Deus, esta alma vai se nutrindo, vai adquirindo a frugalidade. Agora, o importante é saber de que forma se constitui o homem virtuoso, ou seja, qual é o caminho para a felicidade? Santo Agostinho vai tentar responder esta questão na obra A Vida Feliz.
Em A Vida Feliz, Santo Agostinho utiliza uma metáfora interessante antes de iniciar o diálogo na fazenda. Quando ele compara os homens com navegantes e o mundo com um oceano, ele mostra o quão sinuosa é a vida e por mais que os indivíduos tentem controlar a si e aos outros, a vida cotidiana é incontrolável, os ventos estão sempre mudando e podem ocorrer tempestades. Ao mesmo tempo, o pensador mostra que o único caminho para descer em terra firme é através de Deus, este sim tem o controle de tudo. Portanto a inteligência da fé é fundamental neste processo. É claro que o caminho para a terra firme é aportar na Filosofia.
No entanto, tenho de destacar aqui a importância do “inteligir a verdade, o ler dentro”, que o navegante tem de alcançar, quando ainda está em alto mar. Neste momento, um parêntesis para mostrar uma relação da filosofia de Agostinho com a Fenomenologia, este pensador medieval aborda a importância de, muitas vezes, em meio a uma tempestade voltar a si mesmo, realizando um juízo do fenômeno e de si (epoché) para ver a verdade do fato, ou daquela situação. Além disso, a metáfora dos navegantes, mostra que o orgulho é realmente destruidor, através de um rochedo, o homem pode pensar estar em terra firme, sem nunca ter de fato pisado em terra. Esta é a ilusão que pode envolver o homem quando ele está em busca de conhecimento, portanto é preciso ter humildade para não cair nestas armadilhas do rochedo. A Filosofia, ou melhor, o porto é a busca pela verdade. No entanto, este porto não é a terra firme, é preciso mais do que isso, tem de ter fé em Deus para chegar na terra que, para este pensador é também o próprio Deus.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Líder nazista foi enterrado em cemitério judeu



Heinrich Müller, chefe máximo da Gestapo, foi dado como desaparecido em 1945, e não se sabia onde ele havia sido sepultado

Heinrich Müller, um dos principais líderes da Gestapo (Geheime Staatspolizei) e desaparecido desde 1945, foi enterrado em um cemitério judeu em Berlim, revelou nesta quinta-feira (31/10) um historiador, citado pelo jornal alemão Bild. Müller foi chefe máximo da polícia secreta da Alemanha nazista e arquiteto da execução de judeus durante o Holocausto.

A descoberta foi feita pelo professor Johannes Tuchel, diretor do Memorial à Resistência Alemã, com sede na capital do país.
Heinrich Müller (ao centro) é visto por historiadores como um dos grandes
líderes do nazismo
"Gestapo Müller", como era conhecido na polícia nazista, diz o estudo divulgado na Bild, foi visto pela última vez em 26 de abril de 1945, enquanto dirigia o interrogatório - que culminou na execução - de Hermann Fegelein, general da SS (Schutzstaffel, organização paramilitar ligada ao partido nazista) e cunhado de Eva Braun, a companheira de Adolf Hitler. Quando percebeu que a Alemanha tinha perdido a guerra, Fegelein tentou fugir com a amante para a Suécia mas foi capturado, torturado e fuzilado, sob ordens do líder alemão.
Segundo informações da Agência Efe, a informação contradiz a versão que persistia no serviço secreto da Alemanha Ocidental, segundo a qual Müller sobreviveu ao fim da Segunda Guerra Mundial e foi viver na cidade tcheca de Karlovy Vary. O corpo do hierarca nazista teria sido encontrado e identificado, em agosto de 1945, em um túmulo provisório próximo ao que foi o Ministério de Aviação do Reich.
Müller foi identificado porque ainda usava seu uniforme de general e sua folha de serviços no bolso, após o qual foi levado para uma vala comum do citado cemitério judeu.

O presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Dieter Graumann, qualificou como de "mau gosto monstruoso" o fato de que tenha se decidido enterrar a "um dos mais sádicos nazistas" justamente em um cemitério judeu, questão que considera um insulto à memória das vítimas.

Fonte:

OPERA MUNDI: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32152/lider+de+policia+secreta+nazista+foi+enterrado+em+cemiterio+judeu.shtml> Acesso em 31 out. 2013.
 

domingo, 2 de junho de 2013

Monumento maia é destruído por empreiteira

Monumento maia datado anterior a Cristo é destruído
por empreiteiras.
O chefe do Instituto de Arqueologia de Belize, Jaime Awe, disse que o templo Noh Mul foi destruído quando operários de uma empreiteira buscavam cascalho para preencher buracos na estrada antes de ela ser pavimentada.

Construído na era pré-colombiana, o templo datava de 2.300 anos atrás e apenas uma pequena parte da pirâmide permaneceu de pé.
A polícia diz que está investigando o incidente, mas arqueólogos belizenhos dizem que esta não é a primeira ocorrência de um incidente desse tipo.
"A destruição de montes maias para preenchimento de estradas é um problema endêmico em Belize", diz o professor Normand Hammond.
Monumento maia é reduzido a um monte.
Arqueólogos locais disseram que foram alertados sobre a destruição no fim da semana passada.
O complexo maia está localizado em terras particulares, mas de acordo com a legislação belizenha, quaisquer ruínas pré-hispânicas estão sob proteção do governo.
Segundo John Morris, do Instituto de Arqueologia de Belize, os operários sabiam o que estavam fazendo.
"É inacreditável que alguém de fato tenha tido o descaramento de destruir esta construção. Não há, absolutamente, nenhuma possibilidade de que eles não soubessem que aqueles eram montes maias".
Promotores locais consideram apresentar acusações criminais contra a empreiteira.

Fontes:


BBC BRASIL. Disponível em "http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130514_pirmaide_maia_belize_jp.shtml" Acesso em 02 jun. 2013.

CORREIO DO BRASIL. Disponível em "http://correiodobrasil.com.br/destaque-do-dia/piramide-construida-pela-civilizacao-maia-ha-2-300-anos-e-destruida-por-uma-escavadeira/609068/" Acesso em 02 jun. 2013.

JORNAL O TEMPO. Disponível em "http://www.otempo.com.br/capa/mundo/monumento-maia-%C3%A9-destru%C3%ADdo-para-constru%C3%A7%C3%A3o-de-estradas-1.644531"  Acesso em 02 jun. 2013.

OPERA MUNDI. Disponível em "http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/28896/piramide+da+era+maia+e+destruida+para+construcao+de+estrada+no+belize.shtml" Acesso em 02 jun. 2013.

PORTAL UOL. Disponível em "http://gizmodo.uol.com.br/piramide-maia-destruida/" Acesso em 02 jun. 2013.

PORTAL TERRA. Disponível em "http://noticias.terra.com.br/ciencia/piramide-maia-de-23-mil-anos-e-destruida-por-escavadeira,110f95d82cd9e310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html" Acesso em 02 jun. 2013.

UOL. Disponível em "http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2013/05/14/piramide-maia-de-2300-anos-e-destruida-por-escavadeira.htm" Acesso em 02 jun. 2013.
Acesso em Acesso em 02 jun. 2013.

domingo, 21 de abril de 2013

"Descobrimento" do Brasil



Oficialmente o Brasil foi descoberto pelos portugueses no dia 22 de abril de 1500. Não obstante, já havia habitantes na América. Por isso, o termo correto seria “achamento” e não “descobrimento”.
Essa data de 1500 é facilmente refutada, pois em 1496 Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas dividindo a América entre os dois. Além disso, há indícios de que os fenícios tenham chegado a terras brasileiras por volta do séc. VI a.C.
No início da colonização  portuguesa, Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal relatando como era a terra nova, sua flora e fauna. Concluiu que os habitantes precisavam ser catequizados, mas não relatou presença de ouro ou outros minerais, o que logicamente não deu entusiasmo ao rei para colonizar essa terra.

Período precolonial
Nesse período, que vai de 1500 até cerca de 1532, Portugal não se interessou em colonizar o Brasil, pela ausência aparente de ouro.
O Brasil era usado como escala aos navegadores que iam para as Índias comerciar. Paravam no Brasil para se abastecerem de água, consertar estragos nos navios e pequenos problemas.
Instalaram feitorias, que eram bases militares aonde guardavam alimentos, munição e ferramentas, mas também servia para auxiliar navegadores e morar alguns soldados.
No que concerne a economia, exploraram no Brasil somente pau-brasil, que era uma árvore cujo núcleo servia para fazer um corante vermelho para tingimento de tecidos. Exploraram também aves exóticas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Antiguidade Tardia



O termo Antiguidade Tardia deve ser analisado observando os vários aspectos vinculados ao binômio política e poder, assim como deve ser analisada também a viabilidade da aplicação do conceito "Antiguidade Tardia" para o período de transição entre os mundos clássico e medieval, que ocorreu entre os séculos III e VIII da era Cristã..

O período classificado como Antiguidade tardia foi explicado por diversos historiadores sob o aspecto político, abrangendo na política os outros aspectos como o social e cultural.  
Dentro da história tradicional, a passagem da Antiguidade Clássica para a Idade Média seria vista e explicada como uma transição entre o fim do Império Romano e o início da Idade Média. Com uma data especifica que se estabeleceu em 476, quando seria deposto o ultimo Imperador do Ocidente.

Esta visão deixa de lado os variados aspectos da realidade social, com suas especificidades e complexidades. Remetendo à ideia de queda, declínio e decadência, que viria a caracterizar a Idade Média como um período de obscurantismo.

Segundo Peter Brown, no prefácio de seu livro o Fim do Mundo Clássico (BROWN,1972), devemos observar as constantes mudanças e as continuidades que ocorreram nesse processo histórico. Ainda segundo Brown – “ver este período como uma melancólica história da “queda e fim do Império Romano” seria muito mais cômodo e simplista, em lugar de se perceber as novidades que começariam neste período”.

O estudo em questão deve compreender como os homens desta época lidaram com as mudanças, tão numerosas e complexas, que vão do social ao econômico. Foi um período dinâmico, que trazia novidades  nas estruturas materiais e sociais, trazendo também uma nova visão de mundo e do sagrado, o que provocaria novos comportamentos na sociedade da época.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

EUA: Mississipi oficializa abolição da escravidão em 07/02/2013

Quase 150 anos após o presidente Abraham Lincoln e o Congresso dos EUA terem abolido a escravidão no país, o estado de Mississippi ratificou a 13° Emenda constitucional e, assim, oficializou a liberdade dos negros.

Tudo começou quando Ranjan Batra, professor de neurobiologia na Universidade de Mississippi, assistiu em novembro de 2012 ao filme Lincoln, dirigido por Steven Spielberg. Em 1864, o presidente Lincoln e o Congresso aprovaram a 13 ª Emenda à Constituição dos EUA, abolindo a escravidão; ela também devia ser ratificada por cada um dos 36 estados então existentes nos EUA, que tomaram a providência em ritmos de tempo muito diferentes, adentrando muito no século 20. Delaware, por exemplo, ratificou o fim da escravidão em 1901; Kentucky, em 1976. O retardatário foi o estado de Mississippi, notório pelo racismo e pela perseguição contra os negros. Lá, o fim da escravidão ratificado em 1995 (130 anos depois!),mas como o estado não notificou oficialmente ao Registro Federal, órgão do governo da União, a decisão não era oficial.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Desmistificação do continente africano



Com a Lei 10.639 vieram inúmeras discussões sobre o ensino da História e Cultura Africana no Brasil.
Os contrários à lei, os que a acusaram de ser arbitrária, alegavam que a História Africana já era ensinada em sala de aula.
Entretanto, é sabido que o conteúdo sobre o continente africano sempre foi tratado de forma rasa pelos livros didáticos, se considerarmos que “desde o final da década de 90 estes recursos didáticos (...) vêm se tornando um objeto fundamental em sala de aula (...)” (ALVES e BARBOSA,2012,p.2), podemos afirmar que antes do surgimento da lei o estudo sobre a África era praticamente inexistente.
É importante entender a necessidade da lei e das modificações por ela realizadas. A educação formal era o único caminho de melhoria para uma população negra excluída da sociedade no pós abolição, entretanto como afirma Santo (apud ALVES e BARBOSA,2012,p.3 ) “percebeu-se que essa educação era excludente e eurocêntrica, então os movimentos negros passaram a reivindicar modificações educacionais que incluíssem a história africana, sua cultura e seu legado para a formação da cultura brasileira”.
Isso ainda, segundo Santos, constou na declaração do final do I Congresso Negro Brasileiro, que foi promovido pelo Teatro Experimental Negro em 1950.
Mesmo com a lei e as mudanças perceptíveis no material didático, ainda se faz necessário uma reconstrução da imagem do continente africano, junto aos professores que foram ensinados dentro de moldes antigos que não tiveram essa temática em seus estudos de graduação e que estão em sala de aula formando novos cidadãos.
Afinal o que sabemos sobre a África
A primeira questão que devemos levantar é nossa própria ignorância sobre o assunto, o conhecimento que temos vem basicamente de duas fontes: livros didáticos e mídia.
Segundo Waldman (2007) uma prioridades é desvendar “ realidades encobertas por mitos, ficções e imagens fantasiosas.”  Não que isso não ocorra com outras regiões do mundo, contudo “a África mais do que qualquer outro continente, terminou encoberta por um véu de preconceitos que ainda hoje marcam a percepção de sua realidade”.