terça-feira, 3 de novembro de 2009

Münzer, Tomás

Tomás Münzer nasceu em Stolberg, na montanha de Harz, no final do século XV. Parece que seu pai foi enforcado injustamente por condes de Stolberg. Com apenas quinze anos de idade, aluno em Halle, fundou uma liga secreta contra o arcebispo de Magdeburgo e a igreja romana. Foi um grande teólogo e capelão em convento de monjas. Negou a transubstanciação. Estudou os escritos quiliásticos de Joaquim, o Calabrês e também os místicos medievais.

Na época da reforma, Tomás Münzer via a difícil situação alemã como o princípio de um novo reino milenário, o juízo de Deus sobre o mundo pecaminoso - influência de Joaquim, o calabrês. Foi para Zwickau em 1520, onde encontrou uma seita quiliasta formada por pessoas das camadas "inferiores" da sociedade que se opunham aos dominadores. Essa seita era anabatista, sob o comando de Nicolau Storch. Anunciavam o milênio e eram místicos, com ênfase em profecias e dons espirituais. Münzer não se identificou totalmente com essa seita anabatista, porém os defendeu diante do Conselho de Zwickau num conflito, tendo que abandonar a cidade juntamente com os fiéis da seita em 1521.

Em Praga esteve em contato com os hussitas. Devido suas pregações reformistas, teve que abandonar a Boêmia. Em 1522 esteve pregando em Altstadt, reformando o culto através da supressão do latim (antes de Lutero) e permitindo que se lessem toda a bíblia e não apenas as epístolas e evangelhos. Graças as pregações reformistas de Münzer, Altstadt veio a ser o centro do movimento anticlerical popular em toda Turíngia. Ao contrário de Lutero, não era um reformador pacífico e incitava a violência contra o clero romano.

Em face da situação social e política da Alemanha (nessa época ainda não existia o estado alemão), Münzer foi um reformador voltado as necessidades dos oprimidos. Afirmava que o estabelecimento do reino de Deus significa uma sociedade sem diferenças de classes sociais, sem propriedade privada e sem poder estatal. Friedrich Engels em As guerras camponesas na Alemanha afirmou que o programa político de Münzer tinha afinidades com o comunismo.

Tomás Münzer foi um grande líder dos camponeses na conhecida Revolta dos Camponeses, em que Lutero opôs aos camponeses e apoiou os príncipes, sendo massacrados milhares de camponeses, inclusive Tomás Münzer. Durante essa guerra entre os nobres opressores (defendidos por Lutero) e os oprimidos camponeses (defendidos por Münzer), Münzer escreveu a Lutero através da carta pública a Lutero e o chamou de doutor Mentiroso, doutor Patinha de Gato, o novo Papa de Wittenberg, doutor Cadeira de Balanço e também amante dos banhos de sol. A condenação de Lutero ao movimento social camponês foi tão severa, que também em 1525 (ano que Münzer escreveu carta pública a Lutero) Lutero escreveu Contra as hordas salteadoras e assassinas de camponeses dizendo: "Acho que não sobrou nenhum diabo no inferno, transformaram-se todos em camponeses."

A defesa de Münzer a reforma religiosa, política e econômica o levou a morte em sua verdadeira luta contra aqueles que oprimem.

Prof. Yuri Almeida

6 comentários:

  1. Munzer foi um socialista de sua época. Sou muito mais Lutero.

    Levi-RJ

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  2. É incrivel com a história é cheia de entrelinhas.

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  3. Münzer Do lado dos oprimidos --> socialista.
    Lutero do lado dos princípes alemães --> Totalitarista!
    Por socialismo se entende e se pretende uma socialização do ter, do poder e do saber!!
    João Paulo - MS

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  4. Münzer/oprimidos; Lutero/burguesia. Anônimo,"Sou muito mais Lutero"???? Como??????

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  5. adorei a biografias deles ta de parabens prof por ter um blog tao interecante

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  6. Ernst Bloch - Thomas Munzer- Teólogo da Revolução. Munzer esta para os pobres, como Lutero esta para os príncipes. Munzer lutou pelos, e para os pobres. Já Lutero, bem! você já sabe por quem Lutero "lutou".

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