quarta-feira, 11 de julho de 2012

Revolta de Beckman

A chamada revolta de Beckman fora uma rebelião contra o governo colonial, em São Luís, em 25 de fevereiro de 1684. Não foi uma revolta popular, como alguns afirmam, pelo contrário, ficaram bem estabelecidos os interesses dessa revolta.
Manuel Beckman

Manuel Beckman era um senhor de engenho conhecido por ser orgulhoso e carrancudo. Chegou a ser exilado em Gurupá, no Maranhão. O motivo era interessante, lia livros proibidos e protestou contra a nomeação de um governador, ou seja, um homem de posicionamento firme para sua época. Beckman e seu irmão Tomás lideraram a revolta de Beckman.

Na data da revolta, grandes senhores de engenho prenderam os jesuítas dentro do seu próprio colégio e também Baltasar Fernandes, capitão-mor, além de invadirem a Companhia do Maranhão e instalarem um governo com seus ideais.

Esse governo tinha representantes do povo, do clero e da nobreza e criaram procuradores populares para ouvirem as reclamações da população. Contudo não era uma democracia que se formava. Beckman tinha interesses em escravizar os índios. Os caboclos já haviam sido disseminados na região. Os representantes do povo eram pessoas com alguma posse.

O motivo da revolta era a falta de mão-de-obra, que prejudicava os lucros dos senhores de engenho, latifundiários. Os escravos negros quase não chegavam no Maranhão, estavam concentrados mais nas regiões açucareiras e os índios não podiam ser escravizados.  Por isso cerca de sessenta anos antes da rebelião os grandes proprietários rurais tinham choques com os religiosos. Lembrando que o alvará régio de João IV atribuía aos jesuítas a responsabilidade dos negócios indígenas, não podendo outras entidades estabelecer cuidado aos índios na América. Por isso, em 1661, os jesuítas foram expulsos da região e só retornaram em 1667 com o rei Pedro II. Esse retorno estabeleceu mais poderes de tutela ainda aos jesuítas,
inclusive com sanções. Tal retorno com poderes fiscais aos religiosos também retorna o conflito na região.
A revolta de Beckman era uma reivindicação por mais mão-de-
obra, visto que não podiam escravizar indígenas.

Para resolver o problema da mão-de-obra na região, Portugal prometeu enviar quinhentos escravos por ano ao Maranhão. Os proprietários ficaram satisfeitos, não havia entraves com a escravidão negra e era ainda o estabelecimento de Maranhão no rico comércio de escravos. Além disso, a Companhia de Comércio, que trariam os escravos, também forneceria produtos importados e comprariam a produção maranhense. Aparentemente um acordo perfeito. Não obstante, o bacalhau, o trigo e vinho quase não chegavam e quando chegava estavam estragados, além dos escravos negros serem oferecidos em alto preço e com quantidade menor. Houve reclamações por parte dos proprietários de que a Companhia de Comércio roubava até nos pesos e medidas. Para piorar a situação, a Companhia não aceitava como pagamento em açúcar, cacau, couro ou tabaco, abaixando os preços desses itens no mercado.

Diante desse histórico, a revolta de Beckman se faz reivindicando na realidade mão-de-obra escrava e escoamento da produção com preços condizentes.

Assumindo o poder, Beckman, o governador vencido na revolta, Sá de Meneses, tentou subornar o novo governo em vão. O acordo foi buscado em Lisboa, onde Tomás Beckman, tentou conseguir suas reivindicações.

O governo português venceu a revolta retirando a Companhia de Comércio do Maranhão, dando condições dos preços de escravos e dos alimentos baixarem. Gomes Freire de Andrade foi nomeado novo governador do Maranhão.

Tais medidas esfriaram a revolta e os senhores de terras abandonaram a causa. O governador decidiu punir os revoltosos e Beckman é entregue as autoridades pelo próprio filho adotivo, Lázaro de Melo.
Manuel Beckman foi enforcado em 2 de novembro de 1686. Seu filho traidor recebeu a patente de capitão de uma das companhias da nobreza, mas nenhuma das companhias aceitou o comando traidor e ele é morto trucidado em uma moenda em seu engenho.

“Não resta outra coisa senão cada um defender-se por si mesmo;
duas coisas são necessárias: revogação dos monopólios e a expulsão dos jesuítas,
a fim de se recuperar a mão livre no que diz respeito ao comércio e aos índios.”
Manuel Beckman (1684)

Prof. Yuri Almeida.


Referência Bibliográfica

BUARQUE DE HOLANDA, Sérgio. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, José Olympio, 1978.

CHIAVENATO, Júlio José. As lutas do povo brasileiro: do “descobrimento” a Canudos. 2. Ed. São Paulo: Moderna, 2004.

RIBEIRO, Berta. O índio na história do Brasil. São Paulo, Global, 1987.

12 comentários:

  1. site bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. muitoo bom esse site!!!!!!!!!!!
    me ajudou muito e passei na prova UHUUUUUU!!!!!

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  3. parabéns a quem criou esse site,muito bem explicado,talvez até melhor que os professores da minha escola P-A-R-A-B-É-N-S

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    1. Verdade, Parabéns a quem criou este site :)

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  4. BOM D+++++++++++++++

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  5. foi muito legal.......

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