segunda-feira, 23 de julho de 2012

Identidade cultural na pós-modernidade


O estudioso da cultura, Stuart Hall, jamaicano que reside na Inglaterra desde a década de 1950, em seu livro A identidade cultural na pós modernidade, inicia sua reflexão a partir de questões envoltas nas indagações sobre a crise da identidade.

Hall trabalha três concepções de identidade. Primeiro o sujeito do Iluminismo; depois o sujeito sociológico; por fim, o sujeito moderno. E afirma que “a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia.” A máxima de Marx de que “tudo que é sólido se desmancha no ar” é retomada.

Ao expor a construção do sujeito moderno, o autor lembra a importância de Descartes com seu “cogito, ergo sum” (penso, logo existo). O sujeito cartesiano como centro do conhecimento. Recorda ainda John Locke ao desenvolver a relação de sujeito e sujeitado. Porém, a partir de Lanclau, expõe que as sociedades modernas não possuem um centro, por conta dos deslocamentos. Existe uma pluralidade de centros.

Na sequência o texto descontrói, ao abordar o descentramento, estas concepções de sujeitos e identidades modernos:
• Escritores como Baudelaire e Kafka que prenunciam o que aconteceria com o sujeito cartesiano e com o sujeito sociológico na modernidade tardia. “Solitários na multidão”; “vítima anônima confrontada por uma burocracia sem rosto”. “Os homens fazem a história, mas apenas sob condições que lhes são dadas”, dizia Karl Marx. Assim, deslocou duas proposições-chave da filosofia moderna: 1º, que há uma essência universal de homem; 2º, que essa essência é o atributo de “cada indivíduo singular”, o qual é sujeito real.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Revolta de Beckman

A chamada revolta de Beckman fora uma rebelião contra o governo colonial, em São Luís, em 25 de fevereiro de 1684. Não foi uma revolta popular, como alguns afirmam, pelo contrário, ficaram bem estabelecidos os interesses dessa revolta.
Manuel Beckman

Manuel Beckman era um senhor de engenho conhecido por ser orgulhoso e carrancudo. Chegou a ser exilado em Gurupá, no Maranhão. O motivo era interessante, lia livros proibidos e protestou contra a nomeação de um governador, ou seja, um homem de posicionamento firme para sua época. Beckman e seu irmão Tomás lideraram a revolta de Beckman.

Na data da revolta, grandes senhores de engenho prenderam os jesuítas dentro do seu próprio colégio e também Baltasar Fernandes, capitão-mor, além de invadirem a Companhia do Maranhão e instalarem um governo com seus ideais.

Esse governo tinha representantes do povo, do clero e da nobreza e criaram procuradores populares para ouvirem as reclamações da população. Contudo não era uma democracia que se formava. Beckman tinha interesses em escravizar os índios. Os caboclos já haviam sido disseminados na região. Os representantes do povo eram pessoas com alguma posse.

O motivo da revolta era a falta de mão-de-obra, que prejudicava os lucros dos senhores de engenho, latifundiários. Os escravos negros quase não chegavam no Maranhão, estavam concentrados mais nas regiões açucareiras e os índios não podiam ser escravizados.  Por isso cerca de sessenta anos antes da rebelião os grandes proprietários rurais tinham choques com os religiosos. Lembrando que o alvará régio de João IV atribuía aos jesuítas a responsabilidade dos negócios indígenas, não podendo outras entidades estabelecer cuidado aos índios na América. Por isso, em 1661, os jesuítas foram expulsos da região e só retornaram em 1667 com o rei Pedro II. Esse retorno estabeleceu mais poderes de tutela ainda aos jesuítas,